terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Amor em forma de elogio

Nosso cotidiano é repleto de correria, de pressa, de um milhão de pendências. Assim é o nosso dia-a-dia, o seu, o do mundo. Parece que avidez e agitação são sinônimos de viver, ainda mais em grandes cidades. É bom um tanto de animação, sim, mas manter-me conectada com as pessoas, de fato, é um um desafio. Lembrar que não são apenas atividades a cumprir, mas relações pessoais que devem ser nutridas. "Olho no olho", me esforço em lembrar.

Ontem o Shopping Metrô Tucuruvi, em São Paulo, convidou as mães para um espaço recém-inaugurado, onde poderia recebê-las com um lanche, em um local privativo e confortável às famílias. Seria depois do filme, para elas relaxarem, papearem, se conhecerem. Fomos em grande equipe para dar um apoio, conhecer o espaço e ver a dinâmica das mães.

A sessão estava quase lotada, o que nos deixou um pouco tensas quanto à capacidade do espaço VIP, que não é grande. Aliás, nossa vida é assim: ficamos apreensivas quando tem baixo público e também quando tem muita gente. Quem trabalha com eventos sabe do que estou falando.

Deu certo, na medida. Não falo apenas de lotação, mas principalmente, em termos de carinho, para as mães e para nós, do CineMaterna.

Normalmente estou na correria, nos aspectos práticos para fazer a sessão acontecer de forma que as mães se sintam acolhidas. Quando chegou a hora do bate-papo, relaxei ao constatar as mães felizes. Foi o momento de nós, do CineMaterna, ouvirmos as mães, olharmos com carinho para elas. E o que recebemos, foi lindo. Depoimentos sobre a alegria de descobrir o CineMaterna em um momento tão difícil quanto lindo, o puerpério. Em conversas com três mães, me emocionei com seu carinho, quando agradeceram pelo CineMaterna com olhos marejados. Me comovi com suas histórias, suas angústias maternas e os olhares apaixonados de seus bebês para elas. Vínculo nem sempre fácil, mas certamente, essencial para a formação psíquicas destes bebês.

2018, pode vir que já recebi minha dose de incentivo para continuar este trabalho.

O sinal mais claro de que deu certo!

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Uma vida de caos materno

Virada de ano, hora de arrumar armários. Estava rearranjando alguns livros e me deparei com o álbum do partos dos meus filhos. Algo muito íntimo, que não fica na mesa de centro da sala nem em uma estante acessível. São imagens, relatos e reflexões de momentos que marcaram uma mudança radical em minha vida.

Os dois álbuns dos partos de meus filhos, inspiração para este texto

Os nascimentos deles trouxeram uma revolução sem volta. O clichê mais verdadeiro: nós, mulheres que viramos mães da noite pro dia (ou do dia pra noite), nunca mais seremos as mesmas. A maternidade nos desloca por dentro e por fora. Vamos para longe de onde estávamos, para melhor e para pior. Pessoas obsessivas com limpeza e organização, deixam de ser tão... exageradas - ou passam a sofrer mais. Alguns medos diminuem porque precisamos mostrar coragem e dar segurança aos pequenos - mas passamos a ter outros temores.

A maternidade me trouxe o CineMaterna e toda uma nova vida profissional. Mas não falo apenas de profissão. Usei aptidões que estavam dormentes, enfrentei a ansiedade em empreender, usei minha experiência e criatividade para desenvolver um negócio que não existia, junto com pessoas que conheci ao longo do caminho. O CineMaterna me proporcionou (e continua proporcionando) imensas alegrias, mas também muitas, muitas preocupações.

Acima de tudo, a maternidade me brindou com uma diferente perspectiva da vida. Novas amizades surgiram em função do puerpério, da escola das crianças e do CineMaterna. A rotina se altera a cada ano escolar, que traz a necessidade de repensar as prioridades e atividades. Mudei de casa, revirei conceitos de vida. E não, não é como num vídeo game onde cada fase é mais difícil. As fases são diferentes: algumas interações ficam mais fáceis, mas surgem outras que nem imaginávamos existir, nem quão desafiadoras seriam. E grande parte das idealizações, por exemplo, a de que meus filhos adorariam salada (😂), simplesmente se evaporaram.

Os momentos de caos familiar são frequentes e certamente, meu pensamento não é tão linear e reflexivo como escrevi nos parágrafos anteriores. Nestas horas em que estou perdendo a paciência com o filho que se recusa, aos berros, a tomar banho (para depois, não querer sair do chuveiro), ou quando o outro diz que não vai usar calça de jeito nenhum, mesmo estando 15º lá fora (afinal, em casa está "super quente"), o maior desafio é controlar os impulsos de não largar tudo ou falar alguma besteira que eu possa me arrepender depois.

Aí que a gente fica exausta e quer férias. Fica radiante quando consegue armar um esquema com a tia deles. E assim que eles saem de casa, dá uma saudade...