quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

E como foi para você?

Ir ao CineMaterna com um bebê com um ano não é para fracas. São bebês mais ativos, dormem menos, ficam mais atentos aos inúmeros estímulos que uma sala de cinema repleta de "amigos" proporciona. Por isso, o depoimento tão bem humorado da Thalita Rigonatto, de Campo Grande (MS), mãe do Enrico, de quase 5 anos e da Clara, quase 1, me chamou a atenção.

Meu primeiro CineMaterna 🎞

Estava me programando para ir ao CineMaterna e quase desisti. Mas pensei melhor e fui por três motivos:

1️⃣ Desde que o Enrico era bebê que eu tenho vontade de ir no CineMaterna e onde eu morava não tinha.

2️⃣ Aqui só acontece uma vez por mês. 

3️⃣ Era minha única chance de assistir La La Land antes do Oscar e não dar uma de Glória Pires. Então lá fui eu! 

Reprodução do Instagram de
Thalita Rigonatto,
com autorização
Clara chegou no shopping dormindo e eu fiquei felizona achando que ela só ia acordar lá do meio pro fim do filme. Haha! Ela acordou cinco minutos depois dessa foto, enquanto eu comprava pipoca. Esse, à propósito, foi o momento mais agitado da tarde. Deixei a pipoca no balcão enquanto fui acomodar minha bebida no suporte do carrinho (de bebê), a pipoca virou, caiu no balcão, no chão, atrasando a fila que já estava enrolada. O atendente, muito atencioso me serviu mais. Quando eu fui pegar novamente, dona Clareta começou escalar o carrinho (com intuito de alcançar meu colo), que já estava sustentando a bolsa na mesma extremidade, resultado: carrinho virou com Clara e tudo! Só me deu tempo de segurar a cabeça dela, posicionar meu joelho embaixo do carrinho (onde ganhei uma bela mancha roxa!) para amortecer o impacto (nem sei se foi intencional, mas funcionou) e gritar socorro enquanto esparramava mais pipoca por toda parte. Pela graça de Deus vivemos em tempos de sororidade, as outras mães vieram ao meu resgate, seguraram minha filha e limparam o meu carrinho. Quanta gente fofa! 

Durante o filme foi tranquilo! Uma troca de fralda, duas corridas atrás de uma engatinhante fugitiva, inúmeras tentativas de comer pipoca do chão, tranquilão...😆 

Clara não chorou nenhuma vez, apesar de ter resmungado um pouco quando o sono bateu. Mamou bastante. No início ficou no colo, de boa. Enquanto eu comia uma pipoca ela jogava duas no chão e se lambuzava de manteiga. Que beleza! 👌🏽 Depois que descobriu o chão, eu só precisava ficar de olho para onde ela ia (quis ir lá assanhar um bebê bem novinho que estava na boa no colo da mãe dele) e se tentava colocar algo na boca (tipo todas as 456 pipocas que ela mesma jogou no chão). Mas juro que deu pra assistir o filme numa boa. Sentamos na fila preferencial, onde tinha bastante espaço para engatinhar e a grade da rampa para ela se segurar e andar de ladinho. Ela curtiu! 

Como eu já havia lido, o CineMaterna é super organizado! Os carrinhos ficam estacionados no corredor de entrada na sala, próximos a um trocador duplo. Nele havia lencinho, fraldas de vários tamanhos, pomada e, é claro, uma lanterna! 😆 Super útil! Usei para conferir o bumbum da Clara. 

Ganhamos uma lembrancinha Natura Mamãe e Bebê, que apóia o evento desde 2009. E tinha uma fotógrafa oficial, tem em todas as sessões, rende fotos fofas demais (olhem na página do CineMaterna no Facebook)!! O ar condicionado fica mais fraco (adorei essa parte, sempre passo frio no cinema), as luzes não ficam totalmente apagadas e o som é um pouco mais baixo. Tudo muito confortável, tranquilo e gostoso. Em nenhum momento me senti numa sessão 'menos divertida' ou sem o clima de cinema. Nem os eventuais choros atrapalharam. 

E La La Land foi simplesmente delicioso de assistir! ❤️ Com certeza estarei presente nas próximas sessões. Porém, tenho alguns lembretes para mim mesma, nas próximas vezes. São eles:

- Ir de barriga cheia e deixar a pipoca para sessões normais;
- Se a vontade de comer pipoca for grande, que seja sem manteiga;
- Clara deve ser presa no cinto do carrinho e só pode ser solta dentro da sala, com carrinho estacionado!! Já ajuda!

Thalita, obrigada por nos autorizar a compartilhar seu depoimento e pelas palavras de carinho aqui dedicadas.

E você, tem uma história emocionante, ou hilária, ou surpreendente ou tudo-isso-junto? Compartilhe conosco escrevendo para depoimento@cinematerna.org.br e anexe uma foto. Queremos conhecer sua experiência também. ;)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A contradição em pessoa

"Foram três dias em que meu filho chorou quando o deixei na creche. Grudou em meu pescoço e berrou. Foi duro, mas as cuidadoras disseram que ele ficava bem depois. Hoje, ele simplesmente se despediu e entrou feliz. E eu fiquei arrasada".

Ouvi esta história enquanto estava na sala de espera de um consultório. E tenho certeza que você já ouviu algo similar ou mesmo, passou por isso. Para mim, essa é uma alegoria da maternidade.

Sabe quando o bebê está naquela fase grude, em que não pode perder a mãe de vista que abre o berreiro? Ou filho um pouco maior que fala "mãe, mãe, mãe, mãe, mãe, mãe", o dia inteiro? São momentos cansativos, que deixam as mães exauridas, ansiando (desesperadamente) por algumas horas de tranquilidade.

Ouvir filho chorar parte o coração de qualquer mãe. Não importa a situação, não importa a idade da criança, estraçalha a gente por dentro. Mas quando os filhos começam a ficar emocionalmente independentes, viram as costas e seguem felizes com outra pessoa, sem choro, ficamos... desapontadas? magoadas? tristes? um misto destas sensações? 

É lugar comum falar que a maternidade envolve sentimentos contraditórios: o cansaço e o amor intenso, a impaciência e o arrependimento, a ânsia por um beijo e o fastio do grude. E a saudade que bate quando finalmente temos umas horas para nós? 

Conclusão: sou bem ordinária em meus sentimentos como mãe. Encontrei foto minha de seis anos atrás, fotografando no CineMaterna com o Eric, meu caçula, a tiracolo no wrap. Foram seis meses de labuta conjunta e ao final, estava bem cansada. Mas decidir que a dupla estava encerrada e que ele não trabalharia nem viajaria mais comigo foi uma definição tão, tão difícil!

Foto: Karin Michels