quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Cabôôô

Tinha tudo para dar certo. As mães queriam. Fazia sentido. Tinha até um nome fofo: CinePitico.

Pois é, não vingou. Sessões de cinema com filmes infantis 2D e os ajustes de sala do CineMaterna: luzes um pouco acesas, som mais baixo, ar condicionado ameno e trocadores na sala. Para crianças pequenas, entre um e três anos de idade, se acostumarem com o ambiente do cinema.

Ficou um ano em teste em cinco salas de cinema de três cidades e não funcionou. Seriam 10 sessões no ano, fora do período de férias escolares, pois os cinemas lotam com público regular que não quer som mais baixo e luzes acesas. Só que não há lançamento de 10 filmes infantis "grandes", com ampla distribuição nos cinemas, em um ano. No segundo semestre não havia filme para o CinePitico. Outra dificuldade adicional era conseguir uma sessão em 2D. As projeções em 3D dominam o mercado, em especial, nas animações infantis.

Talvez você esteja pensando que bastava passar filmes mais antigos ou repetir algum título que já passou no mês anterior. Mas cinema não é como o DVD de casa. Um filme sai de cartaz porque a bilheteria não estava rendendo o esperado; sua projeção envolve direitos autorais e intensa negociação entre distribuidoras de filme e programações dos cinemas. Para escolher e colocar em programação os filmes para o CineMaterna, que são títulos que estão em cartaz, já não é simples, há dificuldade maior ainda em buscar títulos que estão fora. Mesmo assim, fizemos isso uma vez, de colocar uma animação antiga, amada pelas crianças em sua TV. Além de termos tido pouca adesão do público, foi negociado com a rede de cinemas como sendo exceção, porque sai da rotina e fica bastante sujeito a erros no meio do caminho.

Ficamos tristes, mas a decisão foi necessária. Não desanime: animações continuarão a entrar em enquetes fora do período de férias escolares. Nestas sessões, crescidinhos têm vez.

Laura, filha da Raquel Santos,
nossa ex-voluntária carioca, atual paulista,
ficou sem CinePitico, mas nem chorou (rs)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A história de uma das muitas amizades nascidas aqui

Por Ligia Ximenes

Em 2010, quando a Cora, minha filha, tinha sete meses, participei, com um monte de outras mães e bebês frequentadores do CineMaterna, de um ensaio fotográfico que ajudaria a divulgar a iniciativa. Eu conhecia um montão de gente já, mas só na hora de voltar pra casa foi que prestei mais atenção naquela dupla que ia tomando o mesmo caminho que o meu. Ira, carioca, mãe da Clara, uma bebê de cinco meses.

(éramos quase vizinhas)

Quando cheguei na porta de casa, perguntei (meio sem pensar) se ela queria subir. Pra minha surpresa, ela disse que sim. Achei inusitado, mas tudo bem. Subimos. Em casa conversamos um pouco mais e, na hora de ir embora, ela deixou seu email num caderninho meu. Naquela mesma noite ela me mandou uma mensagem pedindo pra eu não esquecer de compartilhar alguma coisa que tinha descoberto sobre o universo materno-infantil. Nas incontáveis tardes que passamos juntas, fomos crescendo todas: Cora e Clara, Ira e eu. As crianças brincando e brigando. A gente papeando.

Há dois anos a Ira teve a Julia. Seis meses depois nasceu a minha Lucia. Elas também brincam e brigam. Aliás: no momento, mais brigam. Mas sei que vão ser companheiras, como somos eu e Ira, como são Clara e Cora. Seguimos crescendo. Todas. O Beto, marido da Ira, brinca que nosso assunto nunca vai terminar. Ainda que a gente passe 30 anos dividindo uma cela. Eu tenho certeza de que ele está certo.

Esta semana a Ira vai se mudar. Noventa e dois quilômetros mais longe. Não vamos ter mais as caminhadas diárias até a praça Buenos Aires. Risada, e também gargalhada, chá preto, chororôs e chororinhos, a Madonna tocando na sala, me empresta uma fralda? São 92 km, mas são só 92 km.

Passaremos.

2010 | 2015

[mais um post sobre esta amizade AQUI]

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Make Star, not Wars

"EU QUERO ASSISTIR STAR WARS!"

Sabemos que tem uma parcela da população materna que é geek e não quer perder o sétimo episódio. Prometo que faremos o que estiver ao nosso alcance para dar acesso ao filme no CineMaterna!

Recebemos um protesto veemente de uma mãe que achou um absurdo nosso recesso ter começado justamente no dia em que o filme foi lançado. Esclarecendo, um filme badalado deste não poderia entrar em cartaz no CineMaterna na primeira semana em cartaz, talvez nem na segunda. Os cinemas não "cedem" o filme ainda porque a demanda do público regular é muito alta. Entendemos e também não queremos que as mães enfrentem sessões lotadas.

Bom, hoje foi o dia de fazer enquetes para a semana que vem, quando recomeça o CineMaterna (oba!). Primeiro desafio: a imensa maioria das sessões de Star Wars, uns 95%, de norte a sul do Brasil, são em 3D. Sempre evitamos esta versão, porque para uma mãe carregar um bebê, a bolsa (aquela, grandona, com tudo o que vai precisar no dia e mais um pouco), segurar pipoca e bebida, receber um óculos 3D, não é nada simples. Fora que as mães dos mais agitados, caminhantes ou engatinhantes, podem precisar se locomover na sala e com óculos, é uma dificuldade adicional. Mas veja, é isso ou nada.

Aí veio a dúvida: dublado ou legendado? Bom, pra mãe que precisa cuidar do bebê mais "autônomo" não se perder nos diálogos, pode ser melhor em português, que permite pode acompanhar ouvindo, mesmo que não esteja vendo. Mas algumas fãs vão chiar em ter que escutar Han Solo dublado. Então vamos seguir o que é possível: no cinema X, só tem legendado à noite; no cinema Y, só tem versão legendada; no cinema Z a versão do filme às 14h, horário do CineMaterna, é dublada - a legendada é às 13h. Depois de alguma ginástica, conseguimos algumas enquetes com o filme, nas versões em que foi possível.

Calma, o filme ainda precisa ganhar a votação, daí negociaremos com os cinemas e enfim, encheremos salas com Princesas Leia mirins e pequenos Jedis e seus sabres de luz.

Míni Princesa Leia, filha de Tez Gelmir, pai marceneiro e talentoso
Fonte: My Modern Met

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Cinema + terna

Esta semana meu filho de oito anos questionou se nós, seus pais, temos férias quando queremos. Quando fui explicar que dirijo um negócio próprio, ele ficou perguntando "como assim, o CineMaterna é de vocês [meu e da Taís Viana]?". Depois de algumas tentativas de explicação, ele conclui:

- Aaaahhhh. Antes era só cinema. Aí vocês colocaram o 'terna'! É isso?

Rimos muito. Talvez ele ainda não tenha entendido o que significa ter um negócio próprio. Mas de uma forma inesperada, explicou o que fazemos. Como é nosso negócio, dirigimos com carinho e muita consideração por quem está nos bastidores, pensando nas mães que vão às sessões.

Talvez algumas pessoas pensem: é uma sessão de cinema. Se o cinema não é nosso e a bilheteria não é nossa, que trabalho isso pode dar? Saiba: zelar pelo conforto e tranquilidade de mães com bebês pode ser mais complexo do que aparenta! Principalmente porque o CineMaterna não é simplesmente uma sessão de cinema. É uma experiência de cuidado e acolhimento da mulher que virou mãe.

Algumas imagens de bastidores:

Materiais que seguirão a três cinemas diferentes
'Quartinho' onde fica parte do estoque do CineMaterna

Bombeiro acionado para zelar pela segurança dos bebês
Almoçando no cinema de forma inesperadamente confortável
Arrumando o porta-malas - tarefa complexa para fazer caber tudo
 (o bebê da foto é o Rafael, hoje com 4 anos)
Carro alugado e utilizado em sua máxima capacidade
Tudo é 'devidamente' transportado

O ano está só começando. Bora colocar encher os cinemas de ternura!