segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Juntas desde 2009!

Prata da casa: Thais Badim. Texto de Ligia Ximenes.

Pequenos prazeres que só experimenta quem frequenta o CineMaterna?

_ Quando você não precisa parar de assistir ao filme para trocar fraldas;
_ Quando algum outro bebê que já engatinha ou anda vem interagir com você no meio da sessão;
_ Quando, no meio do filme, começa aquela sinfonia de choros - e, de repente, todos ficam novamente em silêncio, ao mesmo tempo.

Quem conta é a Thais Badim, mãe de Flora e do Bento, e voluntária do CineMaterna desde 2009, quando começaram as sessões amigas de mães e bebês em Santos (SP). E como foi que ela veio parar nos bastidores?

Thais em janeiro de 2011,
prester a parir Bento, seu segundo filho
Eu já havia voltado a morar na cidade e, quando soube que estavam procurando voluntárias, me candidatei, pois frequentei muitas sessões em São Paulo [quando a primogênita era um bebê de três meses]. Era muito grata ao projeto, por ter me proporcionado ótimo momentos, por ter conhecido pessoas bacanas nas sessões, por ter me divertido muito.

Como boa pink, Thais sabe que o dia termina bem quando as mães saem conversando, interagindo, sorrindo. E este sorriso é a meta dela também no outro projeto a que se dedica, dentro do Instituto Querô. A instituição sem fins lucrativos desenvolve ações audiovisuais para promover a cidadania e o empreendedorismo de jovens em situação de risco.

E como mãe é mãe, e só muda de endereço, sim, ela acorda cedo todos os dias, às seis, “mesmo que vá contra a minha natureza”, para aprontar as coisas e levar os filhos à escola. Quando a agenda está livre, gosta de ir à praia com os pequenos, e de ler, e de preencher a vida com a voz da Nina Simone.

Thais, gratidão por sua companhia e todo o carinho!

Thais em foto atual, com Flora e Bento (arquivo pessoal)

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A arte de fazer enquetes - ou: vida que segue

Por Ligia Ximenes

Há uns meses comecei a cuidar da programação do CineMaterna. Que filme entra em enquete? Pra isso sempre soube que contamos com o apoio do crítico Christian Petermann. Ele, que acompanha os bastidores e assiste os longas antes de estrearem, é nosso braço direito. Ele ajuda a gente a enxergar além da sinopse e do trailer, que às vezes levam a gente a achar que a trama é leve ou pesada demais. Os filmes não precisam só estar no perfil CineMaterna: têm também que passar num horário mais próximo da nossa sessão. Mas a gente também precisa estar atento, pois nem toda sala de cinema serve pra gente. Em algumas é difícil regular luz e som, por exemplo. Em outras há muitas escadas e elas dificultam o acesso das famílias. Depois a gente tem que considerar se o filme já passou naquela cidade e/ou num cinema próximo. E então a gente olha na nossa intranet quais títulos foram exibidos recentemente. No processo olhamos também pros números de público. Se as sessões andam pouco frequentadas, um dos motivos pode ser os filmes não estarem agradando. Nesse caso, se der, a gente pode tentar oferecer alguma coisa diferente. Tomamos cuidado também pra não nos excedermos nos filmes infantis. Porque CineMaterna é feita para adultos e adultos costumam gostar de outras gêneros, para além de animação.

John Morgan / Flickr
Imagem compartilhada sob licença Creative Commons

Depois de checar todas estas variáveis, montamos a enquete. Quem é cadastrado no site pode votar de quarta a domingo. No dia seguinte ao encerramento da enquete, a segunda-feira, a gente confere os resultados e envia os emails para os cinemas.

É sempre assim.

Esta semana foi particularmente complicada: mega estreia da final de Jogos Vorazes. Claro que a gente quer exibir no CineMaterna, mas os complexos estão se preparando para receber multidões. Multidões, você sabe, não combinam com mães e bebês. Então nada de Jogos Vorazes esta semana ainda. Apostamos em Já Estou Com Saudades, a história da amizade entre duas mulheres. Com Drew Barrymore (a ruiva de As Panteras) e Toni Collette (a mãe em Pequena Miss Sunshine). Filme fofo mesmo. Só que, apesar de ganhar enquete em várias cidades, não estreou. Deve acontecer em dezembro.

Todo o episódio me faz pensar em como, por mais que a gente defina os parâmetros, nem sempre o resultado é aquele que a gente espera. Claro que eu sei disso. Sou mãe e minhas duas filhas vivem me mostrando, cada uma a seu modo, que a gente não consegue controlar tudo. Que às vezes a gente se arrisca e dá certo. Às vezes não, não dá certo. E, sim, a vida segue.

Seguimos :)

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Pink branco

Se você é fã de Star Wars, deve estar ansiosa(o) pelo dia 17 de dezembro, quando estreia Star Wars - O Despertar da Força. Aliás, falta exatamente um mês - e se você sabe disso por estar contando os dias, é de quem estou falando.

Eu? Vou confessar baixinho: não vi nenhum dos filmes da série, apesar de conhecer os personagens por causa de meus filhos. Tenho um pequeno Stormtrooper em Lego em um quadro magnético no escritório porque acho "fofo". Eu sei, você, fã, está achando esse papo ofensivo. Pense que, por outro lado, é bacana que um filme seja tão icônico que mesmo uma pessoa que não conhece a fundo a cultura que ele representa, conhece seus personagens e contexto.

Na matriz do CineMaterna temos quatro mega fãs. Quatro mulheres entre as 10, um bem índice elevado. Uma delas, assistindo concentradamente ao trailer do filme na loja da Ri Happy Baby, ganhou do gerente da loja um Stormtrooper de papelão tamanho "real".

Foi providencial. Quando fomos ao banheiro, decidimos deixar nossas coisas do lado de fora, pois eram muitas sacolas. Sabe quem tomou conta, devidamente uniformizado de pink?


Existe uma polêmica sobre a (in)capacidade dos Stormtroopers de acertar um alvo. Talvez por isso não fomos barradas andando pelo shopping com um armado.  

Concorda que não tinha como resistir a uma pose com ele?
Karina Campo (a da língua), Gláucia Colebrusco (de pink)
e nosso Stormtrooper (deitado)

O desafio era fazê-lo caber no carro junto com toda a nossa bagagem. Após algumas tentativas de arrumação, conseguimos um espaço de honra para ele, com direito a pose para foto. 

Eu e Gláucia, devidamente protegidas

E foi assim que começamos a aceitar "homens" em nossa equipe. Não se assuste se cruzar com um na sua próxima ida ao CineMaterna. Este é do bem e continua não sabendo atirar. 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Em paz

Encontrei esta coletânea da revista Parenting, americana, intitulada 10 Celebs Who've Made Peace with Their Mom Bods (10 celebridades que fizeram as pazes com seus corpos de mãe). Esperava me deparar com um compilado de gente famosa (e deslumbrante) citando frases que seriam lugar comum para qualquer mãe-celebridade. Achei que foi um pouco além, por isso, reproduzo partes.

"Eu não queria ser uma daquelas mulheres de quem se diz 'Uau, ela está em forma depois de 12 semanas'", diz Kate Winslet. "Quando lia frases como esta, pensava 'Isso é praticamente impossível'". A atriz inglesa optou por manter sua saúde e sanidade comendo e feliz. "Meu corpo jamais vai voltar a ser como era e eu nem poderia esperar isso depois de três gestações".

Kerry Washington, de Scandal, diz que, ao receber o comentário de que estava de volta (ao seu corpo após o nascimento de sua filha), percebendo que a intenção era de que fosse um elogio, retrucou que seu esforço era de "não voltar" a nada, mas ser a melhor versão de si mesma neste momento. Que seu corpo tinha sido o local de um milagre e não gostaria de voltar a ser o que era antes disso.

Drew Barrymore, dois filhos, comenta como é difícil amar seu novo corpo e manter uma atitude positiva. "Você se sente como um canguru com sua bolsa gigante. Tudo está caído e estranho. Mas aí você pensa como é maravilhoso ser capaz de gerar uma criança".

Kerry Washington (esq), Kate Winslet e Drew Barrymore, quando grávidas
Fotos: Getty

Talvez você esteja pensando que elas falam de barriga e corpos mudados, mas continuam lindas. Sim, mas certamente sofrem uma pressão absurda para se manterem assim. Deslumbrantes ou não, com ou sem maquiagem, suas atitudes perante o público, falando sobre o tema dos corpos pós-gestação, trazem um ponto de reflexão.

Um organismo que foi bombardeado por hormônios e gestou uma vida, não pode simplesmente "esquecer" e voltar a ser o que era antes. Uma pele que esticou (muito) durante nove meses, músculos que foram exercitados de outra forma, uma coluna que carregou um peso maior e fora do centro de gravidade, vagina e bacia que foram hormonalmente afrouxadas para fazer passar um bebê, não são acontecimentos triviais.

Tem gente que aumenta de numeração de sapato. Para outras, o cabelo muda. Para mim, além da bacia que alargou e me fez perder todas as calças, ganhei celulite na barriga, aumentou a largura do tronco e a aliança não cabe mais.

Tudo bem, elas são famosas, belas e ricas, mas temos algo em comum: corpos (e mentes) que gestaram e se transformaram para sempre. Celebridades ou anônimas, temos corpos que necessitam ser trabalhados para entrar em forma, silhuetas diferentes de antes da gravidez. Encontrar o ponto de equilíbrio entre a obsessão pela compleição perdida e total abdicação de sua vaidade talvez seja uma das grandes buscas maternas. E como elas, sabemos que a mudança física, sim, é um tema, mas tudo, tudo vale a pena ao recebermos recebemos um abraço, ao vermos os sorrisos e percebemos os aprendizados de nossos filhos - e os nossos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Plug in

Estes são tempos digitais e literalmente, somos reféns de nossos dedos. É uma vida plugada, usando um anglicismo que já faz parte da língua portuguesa. Vivemos na era da dicotomia "quero proteger minha família versus preciso postar isso". 

Sou uma pessoa hiper conectada. Sofro crise de abstinência quando fico sem internet e olhar a tela do meu celular é uma espécie de tique nervoso. Meus livros atualmente são e-books, então mesmo que eu não esteja navegando, lá estou eu com meu pequeno dispositivo.

Não gosto do que vejo em mim e faço um enorme esforço para não sacar o celular da bolsa em alguns momentos, mas é um enorme desafio, nem sempre superado.


Por trabalhar com cinema e ser assídua frequentadora, vejo que o uso do celular durante o filme é praticamente usual. Não é uma vez, para checar as horas. São várias consultas. São diversas pessoas. É pra conferir se fulano respondeu a mensagem, se sicrano mandou o e-email ou checar a timeline de alguma rede social (!). Há os mais ousados que atendem o celular - e quando reclamo, pareço a louca rabugenta. Noto uso mais moderado em teatro, como se o respeito existisse porque há um artista em cena. Será que o colega espectador não merece o sacrifício do desligamento?

Voltando à minha experiência particular de desconexão moderada - porque intensa, já sei que não vai acontecer. Queria usar menos o celular (ou o computador ou o tablet). Curtir as horas passarem, o ócio. Observar as pessoas. Brincar mais com meus filhos. Cozinhar. Arrumar o armário. A impressão que tenho é que tudo o que preciso fazer passa por uma conexão de banda larga. Entendo que a vida, hoje em dia, é mais ligada no espaço cibernético, mas certamente, não na intensidade que uso.

Tenho tentado não sacar o celular em restaurante quando estou acompanhada. Tenho tentado não mexer no celular quando estou brincando com meus filhos (a não ser para tirar uma foto - mesmo isso, menos!). Tenho tentado deixar o celular em casa em algumas ocasiões como ir à ginástica (caminhada de cinco minutos na ida e cinco na volta e certamente não preciso dele durante a aula).

Uma amiga ficava profundamente ofendida quando eu não olhava para ela enquanto conversávamos. Foi uma bronca meio traumática, na época, e acho que por isso evito usar celular enquanto falo com outra pessoa. Nem sempre sou bem sucedida, sei disso. Infelizmente, sei que pouca gente nota se eu cometer este deslize no contato visual.

E você, está satisfeito com seu índice de tempo plugado?