segunda-feira, 30 de junho de 2014

Interiorrrrrr

Pronto, demos mais um passo rumo ao interiorrrr de São Paulo. Pense que este interiorrrr não é o R carioca (interiorhhhhh), nem o mineiro (interiorh) ou o baiano (intériô). É o interiorrrrrrr que se fala contraindo a língua, o caipira.

Chegamos em São José do Rio Preto, noroeste do estado de São Paulo, mais conhecido como "Rio Preto". Duas curiosidades relacionadas à matriz do CineMaterna: a Gláucia Colebrusco, que supervisiona as equipes de voluntárias no Brasil, é de Macaubal, quase uma hora adiante, indo de São Paulo (sete horas de estrada). Bota interiorrrrr nisso! Além disso, Lucas Bertoni, o webmaster do site do CineMaterna mora em Rio Preto e trabalha remotamente conosco, há mais três anos. Nos encontramos em uma reunião uma única vez. Viva a tecnologia, que aproxima as cidades!

Taís Viana (à esq), Lucas Bertoni e Gláucia Colebrusco

Foram duas idas à cidade: uma para vistoria do cinema e recrutamento da equipe e outra para o lançamento.

Encontro no Aeroporto de Cumbica (SP), por coincidência:
a partir da esquerda, Taís Viana, Super Homem, Gláucia e
Karina Campo, que estava indo para Recife (PE)
acompanhar uma ação promocional
Céu azul, dia quente, típico de Rio Preto

Quando contei que na Cinépolis do Iguatemi São José do Rio Preto tinha sala VIPs, Gláucia comentou: "o lançamento TEM QUE ser nesta sala! Temos que ser chiques!". Não contrariei a "garota do interior". Afinal, não há dúvida de que é muito gostoso assistir filme de poltronas reclináveis, com apoio de perna e o bebê dormindo no colo. Isso é que é uma inauguração em grande estilo, não é?









Ainda não acabou! Gláucia fez questão de me apresentar Macaubal e seus quase 8 mil habitantes. Lá fui eu, para o ritmo calmo do interior.

Chegamos!
Praça principal de Macaubal
Lindo pôr do sol do interiorrrr, caminhando pelas ruas

O dia interiorano foi mais que tranquilo para mim. Já a Gláucia, estava impaciente, contando as horas para ir embora, sentindo falta da civilização. Eu, urbana, só estava calma porque encarei como uma experiência, aproveitando para desacelerar. Imagine: sem filhos, sem marido, sem poluição, quase sem internet, sem trânsito e com muita prosa, o que fazer além de tomar sorvete na praça central e contar quantos carros passam por minuto? (Aliás, contei cinco.) :P

Mais fotos do lançamento aqui: bit.ly/cnm_iguatemisjrp.

terça-feira, 24 de junho de 2014

A iniciativa de cada uma

Ela foi a primeira pessoa que se candidatou para trabalhar na matriz. Digo isso porque antes eu ficava de olho nas voluntárias e mães do público, como olheiro de jogador de futebol, e convidava para uma conversa quando percebia que a pessoa se encaixava em determinado perfil. Ela, que é discreta e quietinha, mostrou que timidez é característica desassociada de iniciativa. Sorte nossa!

Simone Lam conheceu o CineMaterna como mãe, com sua primogênita. Veio ser voluntária, engravidou de seu segundo filho, saiu de licença e voltou, para coordenar diversas equipes da zona sul de São Paulo. Depois de quatro anos conosco, me enviou um e-mail contando que estava em um momento de retomada da carreira: já tinha sido empresária e abdicou de sua vida profissional para ser mãe dedicada aos primeiros anos dos filhos.

À esquerda, Simone trabalhando em um lançamento em SP,
antes de passar para o lado da matriz

Eu, como o "departamento de recursos humanos" (composto por mim e por mim, rs), achei aquele movimento muito interessante. Quando surgiu uma vaga, conversamos longamente, e inauguramos uma nova fase: desenvolvemos até um exercício técnico para conhecer melhor os conhecimentos da candidata.

Taís Viana, Juliana Freire e Simone, no desafio de recriar os trocadores
que ficam dentro do cinema

Simone está na matriz do CineMaterna há quase três meses. Provavelmente levou um susto com a quantidade de trabalho gerado por tão poucas pessoas. Somos menos de 10 e fazemos acontecer mais de 60 sessões por mês, em 32 cidades, em uma rede de competências onde cada uma se dedica com paixão de mãe que leva carinho para outras mães, Brasil afora.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Mea culpa - ou mãe culpa

Escrevo porque me sinto culpada. Desde que meu primeiro filho nasceu, é incrível como este sentimento passou a ser mais frequente. Como um pacotinho que mama, chora, dorme e faz xixi e cocô pode mudar a gama de emoções que sentimos, do mais profundo amor à... culpa!?

Pequena mão do ser que entrou em minha vida
sem pedir licença e trouxe com ele
uma nova gama de emoções
Admito: a culpa ronda meu ser materno. Claro que este não é o sentimento preponderante na maternidade - ou não haveria mais mães no mundo. 

A culpa aparece porque desejei que meu filho fosse diferente e dormisse a noite toda, porque deixei que ele caísse da cama, porque ele ralou o nariz - bem debaixo do meu nariz.

A culpa se sobressai quando tenho vontade de estar em outro lugar que não com meus filhos em uma festa infantil. Vem à tona quando percebo que não consigo inventar as histórias que meu filho tanto gosta de ouvir. Surge porque dei uma bronca necessária; vem porque perdi a paciência e dei um grito desnecessário.

A culpa chega quando estou trabalhando e não estou brincando com meus filhos; surge porque estou brincando com meus filhos e deveria terminar aquele trabalho. Me sinto culpada porque fui ao cinema e não coloquei os filhos na cama.

A culpa brota quando disse que buscaria os filhos na escola, mas a reunião não terminou a tempo. Aparece quando o filho ficou doente porque (acho que) não o agasalhei direito. Sinto-me culpada quando percebo que passo muito tempo ao celular quando vamos à praça.

A culpa é cruel, onipresente e muitas vezes, inadequada. Aparece nas melhores mães, que frequentemente não conseguem filtrar o que realmente é merecedor do sentimento de culpa. Meu esforço diário é tentar usar a culpa a meu favor: evitar ficar remoendo e decifrar o que meus sentimentos estão me forçando a refletir. Se consigo? Ah, se fosse tão evoluída assim, não estaria aqui escrevendo este texto!

terça-feira, 10 de junho de 2014

Rota migratória

Estava eu no CineMaterna em Sorocaba (SP), esperando a sessão começar. Uma mãe comenta comigo que a poltrona do cinema é ótima para amamentar. A posição é confortável, tem onde apoiar o braço para segurar a cabeça do bebê, tudo isso, descansando e assistindo a um filme!

Taís Santana, amamentando no cinema

Taís Santana é carioca, está em Sorocaba há pouco tempo. Estava triste porque sairia do Rio, onde tem muitos cinemas com CineMaterna e iria para uma cidade onde não tem. Ou melhor, não tinha! Radiante por estar novamente no CineMaterna, ávida para conhecer outras mães e estabelecer uma nova rede na cidade. 

No bate-papo, eis que chega Taís com outras duas mães. Incrivelmente, três famílias migrantes! 

À esquerda, Roberta Godinho, de Blumenau (SC), Taís (carioca) ao meio
 e Solange Silva, de Cascavel (PR), com seus bebês

Admiro a capacidade de conexão destas mulheres. Aliás, não tem melhor "desculpa" que um filho para impulsionar nosso grau de sociabilidade. 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Licença poética

Sempre que ela escreve, o texto transborda carinho. A mensagem abaixo foi para as mais de 200 voluntárias do CineMaterna, mas não pude deixar de compartilhar aqui. Com você, Ligia Ximenes, nossa comunicadora.

Matriz é o lugar onde alguma coisa se gera ou se cria. Fonte. Manancial. A gente tem uma matriz e ela é nela que centralizamos as nossas atividades espalhadas por 34 cidades de 14 unidades federativas.

Ao todo, somos dez pessoas, todas mulheres. Somos alucinadas por carimbos e check-lists. Nunca nos damos por satisfeitas. Queremos conhecer novas tecnologias que ajudem na comunicação com as 239 voluntárias, os parceiros (distribuidoras, cinemas e shoppings, potenciais anunciantes etc) e também no trato com uma audiência faminta por informações. Também precisamos gerenciar estoques de fraldas, lenços umedecidos, antiassaduras, bem como controlar o estado geral dos equipamentos espalhados Brasil afora por 67 salas de exibição. A gente também tem pessoas pensando nos materiais que vão ser utilizados na divulgação do CineMaterna e suas sessões. Ou seja, em como o CineMaterna se apresenta para o mundo. Além de um webmaster para questões tecnológicas e uma assessoria de imprensa que atende aos inúmeros pedidos de entrevistas.

Ufa!

Trabalhamos duro, nós aqui, as voluntárias nas cidades, para fazer tudo isso acontecer.

Cada ponto, um CineMaterna

E eu, que estou há pouco mais de dois anos nos bastidores, me espanto com o tanto que crescemos. Quando cheguei, cuidava de uma página no facebook com 7 mil fãs. Hoje somos 60 mil maiores, crescendo 10% ao fim de cada mês. Vou me ausentar um pouquinho - nenê novo à vista, viva! - e quem sabe dá até pra voltar a frequentar CineMaterna. Enquanto eu estiver fora, a Gisele Silva vai dividir com a Irene Nagashima todo o trabalho da comunicação com o público.

Até breve!


Um abraço fraterno,
Ligia Ximenes

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Quadrilha*

Alexandra Swerts foi a primeira.
Depois veio Irene Nagashima, esta que voz escreve.
Foi seguida por Gláucia Colebrusco.
Daí veio Camila Goytacaz.
Tatiana Storni anunciou em seguida.
Aí, Bianca Balassiano trouxe a notícia.
Depois a novidade veio da Izabella Loiola.
Ligia Ximenes tinha sido a última, até agora.

Agora que a Ligia está para parir, Tatiana, que engravidou a primeira vez depois de algumas tentativas de inseminação, apareceu grávida, assim, de repente.

Tatiana há quase dois anos, gravidíssima da Isa, sua primogênita

Desde o segundo ano de existência, sempre tem alguma grávida na matriz do CineMaterna. Parece até que é sincronizado: uma depois da outra, sempre temos uma barriga saliente. E sabe o que é mais surpreendente? Todas tiveram partos normais, algumas após cesárea.

(*) Quadrilha é o poema de Carlos Drummond de Andrade que inspirou o título.