quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Porque a gente faz questão da segunda, terça, quarta e assim por diante

Texto de Ligia Ximenes

Todo dia você faz tudo sempre igual? Saiba o que o CineMaterna tem a ver com isso.

Puerpério. Um tempo muito singular, que certamente dura mais do que os quarenta dias de resguardo a que se referem os mais antigos, e mesmo os quatro a seis meses de licença-maternidade a que temos direito algumas de nós, mulheres trabalhadoras.

E o que esse papo tem a ver com o CineMaterna? Nascemos quando, num grupo virtual para discutir parto humanizado e maternidade ativa, um dia, uma das mães relata as saudades de ir ao cinema depois do nascimento do primeiro filho. A turma se organiza e dez destas mulheres – com seus bebês – "invadem" uma sala de cinema, em fevereiro de 2008. O sucesso da primeira empreitada dá início a encontros semanais no cinema, seguidos de bate-papo num café, em meio à amamentação e trocas de fraldas. As mães retomam sua vida cultural e trocam experiências sobre a maternidade. Passados alguns meses, o grupo lança a primeira sessão amigável para bebês, acolhido pela rede de cinemas, que reconhece o valor da iniciativa.

De lá para cá crescemos muito. Estamos atualmente em 60 salas de cinema de 31 cidades brasileiras. Apesar disso, não nos distanciamos de nossas raízes. Dentre os compromissos do CineMaterna, que é uma empresa social sem fins lucrativos, estão o resgate social da puérpera através da cultura e o incentivo à troca de experiências entre mulheres sobre as diversas questões da maternidade, sempre com o intuito de difundir a cultura.

Por este motivo a gente não proporciona entretenimento para as crianças, mas uma oportunidade da mãe recém-parida cuidar de si mesma. O cinema é feito para ela. A programação é para ela. É ela quem escolhe. E, claro, a gente prepara os espaços para que ela possa levar e cuidar do seu bebê. 

Luxos da maternidade: 1. tomar banho; 2. vestir roupa, não pijama;
3. usar brinco de argola; 4. encarar salto alto; 5. sentar-se; 6. mastigar a comida

É a possibilidade de respirar ares diferentes, de se envolver com histórias bonitas, singelas, quem sabe até divertidas, e de conhecer gente vivendo um mesmo momento que a gente. E isso é tão, mas tão salutar, que a gente vive recebendo depoimentos lindos assim:

Depois do parto, passa pela nossa cabeça que nossa vida social acabou, mas tá aí o CineMaterna pra nos acolher!

Adorei a ideia de poder levar minha filha ao cinema. Hoje ela está com quatro meses e nesta fase os programas são bem restritos.

Fui sozinha e estava apreensiva por sair pela primeira vez com ela. O grupo de apoio te recebe e te ajuda e aos poucos você se sente segura. Sair de casa e encontrar outras mães que passam pelo mesmo momento foi uma delícia.

As sessões mensais do CineMaterna tiveram um impacto muito positivo no meu retorno à vida social após a maternidade!

Tinha muito receio de sair com minha pequena e até deixamos de fazer certas coisas, mas nos apaixonamos por tudo no CineMaterna, principalmente o atendimento!


Adorei a iniciativa, pois é muito difícil sair com bebê. A gente fica com medo de incomodar, de não ter lugar para trocar, de ser muito frio, de ser muito quente! Enfim pensamos mil vezes antes de enfrentar a maratona.

Então, sim, a gente ama fazer a diferença na vida de mulheres que estão passando por este momento tão singular. Ajudá-las a tirarem o pijama. Por isso, inclusive, a gente faz questão das sessões durante a semana. Segunda, terça, quarta, quinta… estes dias em que o resto do mundo está muito ocupado para dar conta de seus mil compromissos. Porque, sim, todas nós, moças pink, somos mães, sabemos que há vida depois da maternidade.

Como vai ser tudo a partir de agora? Creche ou babá? Trabalhar dentro ou fora de casa? De repente um sabático para dedicar-se só ao pequeno? Cada mãe escolhe o seu caminho. Mas que há vida depois da maternidade, ah, isso há :)

2 comentários:

  1. Inspirada pelo cinematerna resolvi ir a uma apresentação da orquestra sinfônica no teatro Amazonas. Sentei perto da porta para sair se o meu bebe de seis meses fosse atrapalhar. Perto da porta havia um vão onde eu poderia ficar em pé com o bebe pra ele ver melhor o espetáculo. Chorei de alegria ao ver como a musica emocionava o bebe. Ele estava adorando tudo. Do olhos arregalados olhava em volta e ficava feliz. Fui retirada do local, pois o bebe estava, nas palavras da funcionaria da casa de cultura, muito exitado. Pois pulava no meu colo junto com a musica de Strauss. De fato senti que não tinha lugar neste espaço social pra mim ou para o bebê. Ele não chorou, não gritou, só vibrou com a musica. A mesma moça que me tirou da sala ficou ao celular lendo seu e-mail no mesmo local onde eu estava com o bebê... Só pra compartilhar como é não ser uma pessoas. Me senti um cão sarnento .

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  2. Oi Eliz, é muito, muito triste a situação que você descreve. Esperamos que com a existência do CineMaterna e outras iniciativas similares consigamos ajudar mães com bebês a defender seu espaço, participar, amamentar, ninar em público. Estamos do seu lado!

    Um grande abraço
    Irene

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