segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Ousadia no trabalho

Já que o post anterior foi sobre maternidade e carreira, resolvi continuar na mesma linha e compartilhar a leitura de um artigo que separei há alguns meses. Vida profissional perde status de prioridade para americanas é o título de uma matéria de Darren Hauck, do New York Times, traduzido e publicado na folha de São Paulo em 16/07/2013.

Destaco a história de Sara Uttech, americana de 42 anos, dois filhos de 8 e 10 anos e uma enteada de 15:
A preocupação de Sara Uttech tem sido buscar maneiras para que sua vida no trabalho se adapte à sua vida familiar. (...) Preocupa-se menos em escalar a hierarquia profissional e mais em ter um emprego que a pague quando ela falta ao trabalho por estar doente, que possibilite horários de trabalho flexível e que lhe dê a oportunidade de trabalhar menos horas semanais.
Uttech quer uma carreira profissional que lhe traga recompensas, mas, mais do que isso, quer que seu trabalho seja flexível. (...) A iniciativa profissional da qual ela mais se orgulha (e que defende para a maioria dos pais) foi pedir à sua chefe para trabalhar em casa às sextas-feiras. (...) O primeiro passo foi convencer a escola de seus filhos a lançar um programa que cuidasse das crianças depois do horário das aulas por um custo acessível. O segundo passo foi ser realmente produtiva, aproveitando ao máximo seu tempo dentro e fora do escritório.
(...) Uttech reconhece que pedir para trabalhar em casa alguns dias por semana representou um risco profissional. (...) É verdade que a experiência dela pode não ser muito representativa. Uttech teve sorte de trabalhar para gerentes que se mostraram excepcionalmente receptivos a um pedido de horário de trabalho flexível.
"Pelo fato de eu ser mãe, sei realizar várias tarefas ao mesmo tempo e tenho várias habilidades que não tinha antes, como fazer 'malabarismos', mentorear, educar, solucionar problemas e administrar", disse ela. "Agora sou muitíssimo mais produtiva nas horas em que trabalho. A maternidade deveria ser um ponto ao meu favor, não uma desvantagem."
Foto: reprodução de matéria do New York Times

Ser uma mãe com iniciativa fez diferença na vida de Sara. Claro que nem todas as mulheres têm a possibilidade de horas flexíveis ou trabalhar a partir de casa, mas ela pensou também pelo lado dos filhos, o que conseguia organizar para facilitar sua logística como mãe. 

Eu sei, cansa gerenciar tantas coisas, pensar soluções para nossas agendas de mãe e profissional.  Tenho meu negócio, sou dona das minhas horas de trabalho e mesmo assim, é frequente achar que não estou me dedicando aos filhos da forma que gostaria. Mas preciso olhar de forma positiva: meu trabalho me permite escrever sobre minha vida profissional, gastando algumas horas em pesquisa sobre o tema. Algumas fontes interessantes sobre trabalho e maternidade: 

What Moms Choose: The Working Mother Report
Women's Ambition: A Surprising Report
Women's Ambition: Aided by Workplace Flexibility

Todas estão em inglês, mas quem sabe consigo, no futuro, dedicar algumas horas a traduzir as partes interessantes aqui? Afinal, escrever sobre a maternidade é parte do meu trabalho!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Maternidade é carreira

Se você é mãe, provavelmente já passou (ou passa) esse dilema: trabalhar ou ficar em casa com os filhos? Abaixo o infográfico que mostra o resultado da pesquisa da Hulafrog com 2.127 mães americanas com filhos menores de 18 anos, 98% com menos de 12.

Idealmente, 65% quer algo intermediário, um trabalho de meio período. Entre as que optam por sair do mercado de trabalho, 89% se preocupa sobre seu retorno.

Das mulheres que optaram por parar de trabalhar, 57% declara que teria continuado se tivesse encontrado algo que a permitisse trabalhar de casa. Para 74% das mães, a prioridade em um emprego é a flexibilidade de horário e 59% das mulheres aceitaria receber menos por um trabalho que oferecesse esta possibilidade.

A pesquisa é americana, a realidade é diferente da brasileira, mas não acho que as necessidades profissionais das mães sejam distintas. Talvez mudem um pouco os percentuais, mas o cenário geral é o mesmo. Mulheres que se tornam mães repensam sua vida profissional. Podem não mudá-la por falta de opção, por necessidade econômica, ou por planejamento profissional.

Tenho contato com muitas mulheres no pós-parto, de todas as regiões do Brasil e sim, um filho muda as perspectivas e as ambições para a maioria. Vejo que muitas estranham a falta de vontade de voltar ao trabalho, jamais imaginaram que algum dia sentiriam isso. Já vi mulheres ficarem felizes por terem sido demitidas ao voltarem da licença-maternidade. "Decidiram o dilema por mim" - dizem.

O que difere bastante entre o cenário americano e o brasileiro é que aqui, há poucas possibilidades de trabalhar de casa, o chamado home office, e são poucas as ofertas de empregos de meio período. Não que sejam abundantes no mercado americano, vide o resultado da pesquisa.

O que vejo de positivo é que muitas mulheres repensam sua carreira e reinventam sua vida profissional. Algumas empreendem, outras colocam limites à sua dedicação ao trabalho. Sim, queremos nossas mentes ativas e produtivas profissionalmente, sem deixar de olhar para aqueles que mudaram nossa vida para sempre.

Moms@Work

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Colo

Adoro o puerpério. Essa palavra tão estranha que descreve o mágico, intenso e muitas vezes, confuso período pós-parto. Segundo o dicionário, é o "tempo que vai do parto até que os órgãos genitais e o estado geral da mulher voltem ao normal". Estado geral da mulher? Para algumas, é questão de poucas semanas. Para outras, pode ser um ano ou até mais. Não é que uma seja melhor ou pior mãe ou mulher: a maternidade vem para chacoalhar nossa estrutura e umas sacodem mais.

Mães recém-nascidas me fascinam, principalmente as que estão estreando no papel materno. Gosto de conversar com elas ou, simplesmente, estar lá, ao seu lado. Recentemente, descobri que tenho o dom de acalmar bebês inquietos, o que, indiretamente, tranquiliza mães.

Ana Lima é esposa de um grande amigo, Fernando De Vincenzo. Não a conhecia pessoalmente, mas sabia que tinham tido o Gabriel. Insisti que ela viesse ao CineMaterna, fui até uma sessão só para vê-los. E assim, conheci os dois, mãe e filho. Embalei Gabriel várias vezes, coloquei para dormir, troquei fralda. Depois, fiquei me achando "entrona" demais, de tanto que o carreguei.

Ana e Gabriel
Foto: Cacau Querino

No dia seguinte, recebi a resposta aos meus temores sobre eventual "invasão".

Recebi flores! 
Acompanhadas deste lindo cartão

Profundamente tocada, agradeço. Obrigada Ana, Fernando e Gabriel, por terem me pegado no colo.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Antes e depois

Não dá para deixar de replicar a publicação da página do Facebook da Simone Novato, dá? Ela é fotógrafa e parceira do CineMaterna e estas belas imagens foram registradas por ela, antes de duas sessões, com um mês de intervalo. Não foi de caso pensado, o que dá um toque de "inusitado".


Izabella Loiola, da matriz do CineMaterna:
ANTES (10 de agosto, 37 semanas de gestação): não parece, mas ansiosíssima à espera de seu VBAC (parto vaginal após cesárea), que ainda levou mais três semanas para acontecer.
DEPOIS (17 de setembro): com Lino, 10 dias. EMOCIONADA. REALIZADA. FELIZ. 

Um close na felicidade materna ambulante! 

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O lado B da vistoria

Vistoria é coisa séria. Fazemos em todos os cinemas onde haverá CineMaterna, antes de marcar o lançamento. Mas como tudo o que é sério no CineMaterna, damos um jeito de encontrar o lado, digamos, lúdico. Como mostram as imagens abaixo.

Imitando os mínions na sala 1
Sala 2
2 vira 3
Qual a sala?
Não, esta ainda não é a 5
Agora sim, sala 5

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Gosto por bonecas

Certo dia (há uns três anos), conversando com a Taís Viana, ela me descrevia o pior filme que já assistiu no cinema. Contava como era ruim, da tortura que foi assisti-lo, e ria, comentando como alguém poderia achar "aquilo" bom. Ao chegar na descrição de determinada cena, reconheci o filme: é um dos mais belos que já vi. Gostei tanto que comprei o DVD, algo que raramente faço.

Vira e mexe recebemos um e-mail de público reclamando de um filme. Peço, então, que se lembrem deste singelo texto que pontua que, definitivamente, gosto não se discute. Por isso, fazemos enquete e não, não é meu gosto que prevalece, mas sim, o voto das mães cadastradas.

Ficou curioso para saber que filme é? Chama-se Dolls, do diretor japonês Takeshi Kitano, entre os meus favoritos.

Taís tirou tanto sarro do filme, que fiquei com vergonha de dizer que é um dos meus preferidos. Só vai saber se ler este post, porque eu não vou confessar, não. 





Fotos: divulgação do filme Dolls

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Parto arduamente conquistado

Nestes cinco anos de CineMaterna, acompanhei de perto quatro mulheres em busca de seus VBACs (vaginal birth after cesarian - parto vaginal depois de cesárea). Algo tão comum, que tem até uma sigla que descreve este tipo de parto, cujo primeiro obstáculo é a crença de que uma vez cesárea, sempre cesárea.

Respeito as escolhas das mulheres quanto aos seus partos. Tenho minha opinião, tive meus partos, foram as minhas escolhas. Mas me enfurece ver o que acontece com as mulheres que desejam um parto normal no Brasil. Não basta querer, não basta se preparar, não basta estudar. Não pretendo escrever sobre esta situação - para isso, recomendo o filme O Renascimento do Parto.

As mulheres que acompanhei tiveram os primeiros filhos de cesárea, cuja indicação questionam. Queriam um parto normal e na hora, escutaram o que toda mulher receia: "seu bebê está em risco". Aceitaram a cirurgia. Saíram da maternidade com um lindo bebê nos braços, felizes, mas com a alma dilacerada. Os meses passaram e o buraco do parto aumentou. Surge a coragem de rever o que aconteceu e enfrentar as dúvidas que resultam deste processo. Decidem que com o próximo filho, será diferente.

Camila Goytacaz, logo após 
o nascimento de Joana, VBAC
Foto: arquivo pessoal
Vi acontecer com todas: próximo das 37 semanas, aumenta exponencialmente a ansiedade. Terem sido enganadas deixou fragilizadas essas quatro determinadas mulheres. Elas tinham medo: não do parto iminente ou de sentir dor, mas do seu passado. Do fantasma do seu parto roubado.

Parir. Dar à luz. Um ato intrinsicamente feminino. Talvez algumas pessoas se perguntem por que fazer tanta questão de parir? Não tenho explicação racional, mas posso dizer que é uma jornada poderosa e transformadora.

Camila, Cinthia, Gláucia e Izabella, é emocionante ouvi-las contar com tanto orgulho sua maior conquista e ser testemunha do reencontro de seus corpos e almas.

sábado, 7 de setembro de 2013

A Bela da Tarde

Ter uma gravidíssima na equipe gera situações assim:

Taís Viana liga para Gláucia Colebrusco e diz:
- Estou aqui na Maternidade X e adivinha quem encontrei aqui?
Gláucia, obviamente, acha que Izabella Loiola, nossa barriguda-mor está parindo. Já estava dando pulos de alegria, quando descobre que não, não é a Iza. Afinal, ela ainda está de 36 semanas, é cedo.

Sábado de manhã, uns 10 dias depois, atendo o telefone em casa:
- Oi Iza!
- Você já sabe né? - diz ela.
Paraliso. Nasceu?
Ela continua: você sabe que sou eu, tem identificador de chamada, né?
Ah, era isso?

Os dias passam. A ansiedade da Iza aumenta a níveis quase intoleráveis para ela. Ela, que passou por uma cesárea no nascimento da Lili, sua primogênita, sonha com um parto normal para Lino. Evitamos ficar ligando, perguntando como ela está. Assiste a O Renascimento do Parto e declara: não vai cair de jeito nenhum em outra "desnecesárea".

Iza, ainda nas 38 semanas
Foto: Simone Novato

Passa das 40 semanas, quase 41. Gláucia liga, celulares na caixa postal. Será que está parindo? Não, estava fazendo ultrassom.

Hoje, sábado, recebo uma ligação. "Nasceu, viu?" - me fala uma voz trêmula e emocionada. Parto lindo, natural, de cócoras, rápido. Lino chegou mostrando que, sim, mulheres podem parir.

Izabella, que tem um dos sorrisos mais lindos que conheço, está sorrindo de forma ainda mais bela.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Mas...

Quando estava grávida, a frase que mais ouvia de quem já tinha filhos é "sua vida vai mudar". Escutava tanto, que até parecia uma condenação.

Nasceu! Meu filho tinha acabado de sair do ventre, veio para meus braços e... nossa, que olhos esbugalhados! Sim, esse foi meu primeiro pensamento. Claro que senti um amor profundo por aquele pequeno ser melecado que gritava a plenos pulmões. Mas não era para ser arrebatador?

Pois é, o bebê nasceu, mas a barriga continuava lá, enorme. Para mim e a maior parte das mulheres, a barriga fica por semanas ou meses. Ou, triste dizer, por anos.

Com o passar dos dias, ao invés de alegria, sentia uma certa melancolia, meio sem explicação. Ia e vinha, mas para algumas, a tristeza só vem, não vai.

No começo, amamentar dói! O mamilo arde, racha, sangra e machuca, muito. Ué, não era para ser natural, instintivo e parte da maternidade? Não?

Passou um mês do nascimento e eu me via entre quatro paredes com um pequeno ser com o qual tinha dificuldade em me comunicar. Tô bem, repetia para mim mesma - quando os melhores adjetivos seriam insegura, angustiada e perdida.

O bebê chorava, chorava, chorava. Já tinha amamentado, trocado fralda, dado banho, e ele berrava, berrava, berrava. Alguém tira esse bebê daqui, pelamordedeus?

Os palpites vinham de todas as partes. De gente próxima e de gente completamente desconhecida. Eram inúmeros conselhos, baseados ou não em evidências. Alguns comentários eram sem tato, quase (ou totalmente) ofensivos.

Os amigos ligavam e queriam combinar uma saidinha. Às 9 da noite. Não vai dar, gente. Aos poucos, alguns se afastaram - ou fui eu que me afastei? Em compensação, conheci outras pessoas maravilhosas e nossos filhos viraram grandes amigos.

No meio da madrugada, um choro ao longe dava um arrepio na espinha. O marido queria ajudar, mas fazia tudo errado (na minha percepção), dando origem a uma discussão na calada da noite.

Ainda assim, posso dizer: a maternidade é uma das experiências mais sublimes que uma mulher pode passar.

Eu, quando era mãe havia três dias

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Gostei do que vi!

Ganhamos, foi um presente. Despretensiosamente, Eduardo, do Esconderijo Cineclube, perguntou se poderia coletar imagens no CineMaterna e produzir um vídeo, que seria para nosso usufruto. Olhei outro filme que ele tinha feito, achei bacana, autorizei que fizesse.

Dali a três dias, recebo o link. Ao abri-lo e ver o vídeo, uma grata, feliz e emocionante surpresa: ficou lindo! Poético, sensível, delicado. Depois soube que sua esposa frequentou o CineMaterna em Porto Alegre, onde o vídeo foi gravado. Um olhar especial de pai.

Foi uma oportunidade de enxergar aquilo que fazemos de outro ângulo e o que me deixou extasiada, é que adorei o que vi! Algo como "se isso não existisse, eu inventaria"! Rs. Modéstia à parte, é muito legal isso que fazemos, não é?


CineMaterna - Porto Alegre 17.08.2013 from LAMINANOVA on Vimeo.