segunda-feira, 30 de julho de 2012

Ausência

Confesso: não estou conseguindo me dedicar como gostaria a este espaço, o blog. Pela primeira vez, ausentei-me por mais de cinco dias, o que me deixa em crise. O motivo da ausência? Este:


Consegue ver a anotação ao lado do computador? São as datas dos próximos lançamentos de sessões CineMaterna, uma média de um por semana, durante dois meses. E tem mais na fila, aguardando confirmação. Os que estão marcados são: Niterói, São Paulo (JK Iguatemi), Porto Alegre (Praia de Belas), Campinas (reinauguração no Iguatemi), Rio de Janeiro (Lagoon) e Salvador (Bela Vista). Sem contar Belém, que foi na semana passada.

Lançamentos envolvem muitas atividades de preparação, e outras, no fechamento. Sem falar no evento em si, que quando é fora de São Paulo, me tira de casa por dois ou três dias. Mas não estou reclamando, não! Só reivindicando umas horinhas a mais no dia.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Cabine

Desde que comecei a trabalho no cinema (não em cinema, uma sutil diferença), fiquei curiosa para ver como era uma cabine de projeção. Queria ver os equipamentos em funcionamento, como liga a luz, altera o volume, enrola a película. Talvez instigada pelo filme Cinema Paradiso (Itália, 1989), tinha uma ideia meio romântica da profissão de projecionista e da sala de projeção.

Pedi autorização e lá fui eu xeretar a cabine. Os chamados cinemas de rua e os complexos mais antigos têm uma cabine de projeção por sala, mas os multissalas modernos têm um grande corredor com vários equipamentos de projeção lado a lado. Apenas uma pessoa controla várias salas ao mesmo tempo. São ambientes escuros e um tanto barulhentos, mas é um mundo fascinante.

Tirei muitas fotos e posto aqui as imagens mais bonitas, meu próprio mundo do cinema.

















sexta-feira, 20 de julho de 2012

Intocáveis

"Intocáveis" traz a história de um aristocrata que contrata um jovem para ser o seu cuidador após um acidente que o deixou tetraplégico. O que era para ser um período experimental, acaba virando uma grande aventura. Amizade, companheirismo e confiança são os elementos que transformam esse filme tocante e inesquecível.

A sinopse e o trailer do filme Intocáveis levam a crer que estamos diante de um filme piegas, não? Sucesso absoluto na França, fui surpreendida, rendida pelo encanto da história e o carisma dos atores. Compreendi a razão da euforia em torno do filme. 

Dois atores em plena harmonia, passam do total estranhamento à visceral cumplicidade. O diretor parece birncar com o fato de um dos protagonistas ser tetraplégico, cerceado de movimentos e nos induz a aguçar os sentidos: a câmera dirige nosso olhar a percorrer belas paisagens, os aposentos de um palácio e a Paris dos imigrantes. A música nos faz dançar com o pensamento, ressaltando o carinho e o amor que unem os personagens.

Enfim, o sentir-se bem, sem nenhuma pieguice.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Manual para viagem sem filhos

Marquei viagem de férias para o final do ano, uma semana, com marido e sem filhos. Não faço isso desde o nascimento do Max, há cinco anos.

Tirarei férias sem meus pequenos companheiros, em viagem "de adulto", com direito a longas caminhadas e visitas a museus, dormir noites inteiras, levantar, aprontar-me, tomar café da manhã e sair para passear em apenas uma hora, almoçar e jantar tranquilamente quando der fome, sem o compromisso de horário e necessidade de pensar em cardápio especial. É outro tipo de aventura, talvez menos "selvagem", mas emocionante por marcar minha emancipação dos meus filhos.

Conversei sobre isso num café pós-sessão com outras duas mães, a Camila Goytacaz, mãe do Pedro e da Joana, e a Ligia De Sica, mãe da Helena e da Aurora. Elas contaram como foi deixar os filhos para saírem em viagens "solo". Na primeira vez, ambas deixaram para as avós um verdadeiro manual de instruções sobre o cuidado com os filhos. Rimos muito com as recomendações deixadas, tais como "se não for lavar a cabeça no banho, colocar touca". Uma deixou um tratado de vinte páginas, a outra, encadernou a brochura. Recomendei às duas que guardem seus exemplares para darem risada no futuro.

Nós, mães, somos únicas e especiais, não?

Max e Eric, em viagem de férias, há um ano

terça-feira, 10 de julho de 2012

O rolo de montar

Acha que ir ao cinema é algo simples? IR, é mesmo. Já EXIBIR, é bem mais complexo. 

Os filmes que vão estrear nos cinemas são montados às sextas-feiras pela manhã (funciona assim no Brasil e no mundo). Chegam das distribuidoras divididos em rolos.

Cada saco é bastante pesado e corresponde a um filme
A quantidade de rolos varia de acordo com a duração do filme
Sete rolos que compõem um único filme
Pesado mesmo! Precisa arrastar

Jailton é o projecionista responsável no Espaço Itaú do Shopping Frei Caneca e nos mostrou a montagem do filme. Confira aqui o passo-a-passo:

Conteúdo de uma das latas
1. Jailton coloca a película na bonina pequena para transferir para a maior
O título do filme vem marcado no início da película
2. Prepara a bobina grande, para onde serão transferidos os sete rolos
3. Junta artesanalmente uma à outra
Com auxílio deste equipamento, usando uma fita adesiva especial
3. Repete o processo sete vezes, um para cada rolo
4. Liga o rebobinador
5. Finaliza a compilação do filme na bobina grande
6. Coloca a bobina no projetor 
7. Passa o filme pelo projetor
8. Coloca outro filme, em outro projetor
9. Faz ajuste do filme
Não é lindo?

Alguns filmes mudam de sala de uma semana para outra, passam para uma menor, em função da redução de público. Neste caso, basta levar a cópia que já está montada. Fácil, veja só:

Precisa-se dois homens para mover a película,
com cuidado para não desmontar!
Olha o degrau!
Quase lá!
Filme devidamente colocado na bandeja

A projeção digital acaba com tudo isso. Confira:

Um disco rígido com um filme
Todo o processo se resume a conectá-lo a um projetor!

Há uma intensa discussão sobre a digitalização do cinema. Simplificando a questão, ganha-se por um lado, com custos mais baratos de distribuição (cópia e transporte), mas faz-se necessário um investimento bastante elevado de atualização tecnológica. Sem contar que perdemos uma arte.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Eu quero ver!

Recebemos diariamente pedidos de mães que querem ver este ou aquele filme no CineMaterna. Os filmes são escolhidos por enquete porque como nossas sessões são bem menos frequentes que as do cinema regular e selecionar os títulos que agradam à maioria, deixando a escolha final para o público é a forma de deixar mais mães felizes.

Fazemos em torno de 20 enquetes semanalmente para diversas cidades, selecionando títulos a partir de um "cardápio", a programação. Cada complexo de salas tem a sua: alguns apresentam maior frequência de filmes dublados, outros exibem títulos menos comerciais, também chamados de "alternativos". Trabalhamos com o que está disponível em cada cinema.

Colocar um filme em cartaz é uma árdua negociação nossa com as redes de cinema e delas com as distribuidoras. A briga de foice entre eles acontece às segundas-feiras. Cada distribuidora quer seus filmes em cartaz por mais tempo, em mais salas. Já os cinemas, querem títulos que lhes tragam público. Se a bilheteria do final de semana for ruim, o filme sai de cartaz. Assim, pedimos uma seleção de filmes sem saber quais realmente estreiam e quais não serão mais exibidos. É uma negociação às cegas. 

Às terças-feiras sabemos o resultado e na maior parte das vezes, conseguimos o que foi pedido. Quando não dá, vamos com nossa segunda opção de filme da enquete. As mães ficam sabendo o filme que ganhou a votação sempre às quintas-feiras, pelo nosso site e pelas redes sociais.

No CineMaterna, dá para votar e escolher o filme de sua preferência pelo site, de quinta a domingo!

Achou tudo muito complicado? Relaxa e vai ao cinema, uai!

Primeira sessão oficial do CineMaterna, agosto de 2008
Foto: Guga Ferri

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Quase famosas

Taís Viana e eu, em conversa com um taxista em Campo Grande (MS):

- Vocês foram a Bonito (cidade turística próxima a Campo Grande) passear?
- Não, viemos a Campo Grande mesmo, para trabalhar.
- Trabalham com o quê?
- Com cinema - resposta de quem não está muito a fim de conversa.
- Uau, estou com duas atrizes no carro?
- (Risos) Não! Trabalhamos com exibição de filmes.
- Ah, então são exibidinhas?