sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Descobertas

Depoimento carinhoso de Ligia Ximenes, responsável por mídias sociais no CineMaterna.

Que elas são queridas eu sempre soube.

Foi em setembro de 2009 que pela primeira vez pus meus pés no Espaço Unibanco da Rua Augusta, dois quarteirões de casa, depois de um intenso e lacrimoso retiro puerperal. Trazia a tiracolo uma nenê com sete semanas de vida pendurada num sling que eu mal sabia amarrar, mais uma bolsa abarrotada de absorventes para os seios, tubos de álcool-gel, cueiro e fraldas, mais umas quatro mudas de roupas miúdas adequadas para cada estação do ano.

Nos 17 meses que se seguiram, frequentamos religiosamente o CineMaterna. Lá aprendi a aliviar o peso da bolsa e da rotina mamar-chorar-banhar-dormir. Em meio a elas, perdi a vergonha de amamentar em público. Tirei dúvidas sobre o sono, a introdução alimentar, as vacinas. Encontrei muitas e muitas mulheres tão diferentes e tão iguais a mim...

Quando vencemos, Cora com seus 18 meses completos, tornei-me voluntária, preparando a sala de cinema para receber novas gerações. Pela primeira vez me dei conta da trabalheira que é tocar um projeto desses. Além de receber com carinho, é preciso montar e desmontar trocadores, checar os parâmetros de ar condicionado e iluminação, contabilizar quanta gente veio. Não raro mal dá para acompanhar o filme, ufa, mas sempre voltei muito contente para casa por ter ajudado a proporcionar uma tarde de diversão para outras mães e bebês. 

Ligia, à esquerda, na época em que era coordenadora-voluntária

Quando vim para a Matriz, com a tarefa desafiadora de substituir a Camila Goytacaz em sua licença-maternidade, descobri muito mais. Por exemplo? O CineMaterna é feito de mulheres, sim, mas também de um homem! E, apesar do esquema home office, esta turma de planejadores, gerenciadores de crise, arquitetos da informação, trabalha incansavelmente, plugada mesmo quando está fora de casa. Adoram tecnologia. Siglas, planilhas, fluxogramas, you name it! E, apesar disso, também carregam caixas pesadas e sabem fazer caber qualquer grande quantidade de coisas no porta-malas de qualquer carro.

Por causa deles, descobri também que, sim, é possível trabalhar em uma organização sem fins lucrativos e encontrar ali um excelente modelo de gestão dos recursos humanos, que para muito além dos saberes acadêmicos e das trajetórias profissionais, dá espaço para que cada um faça aquilo que sabe fazer melhor. Entre todas as coisas, a que eu mais gostei de descobrir junto com eles foi que, sim, é possível ter muitas responsabilidades e ainda assim tocar a vida com leveza, bom humor, tesão.

(afinal, eu deveria saber que esta história de carregar bolsa pesada pra lá e pra cá não está com nada!)

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