quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A Separação

Na primeira cena, um casal discute diante de um juiz: ela pede o divórcio, o marido se mostra indiferente. O motivo é que ela quer sair do Irã e ele não, pois quer ficar próximo do pai, que está com Alzheimer. Além disso, o marido não quer deixar a esposa levar a filha de 11 anos.

Estamos diante do primeiro dos inúmeros dilemas que aparecem na trama.

Após se divorciar da esposa Simin (Leila Hatami), Nader (Peyman Moaadi) é obrigado a contratar uma jovem para tomar conta de seu pai idoso que sofre de Alzheimer em estágio avançado. Porém a diarista está grávida, e trabalhando sem o consentimento de seu marido, condições que junto a um terrível incidente, levará as duas famílias a um julgamento de cunho moral e religioso.

O filme é A Separação (Jodaeiye Nader az Simin, Irã), que estreia nos cinemas daqui a 10 dias, vencedor dos prêmios de melhor filme, melhor ator e melhor atriz no Festival de Berlim. Ao assisti-lo, lembrei de Procurando Elly, que já comentei aqui. Não foi à toa, ambos foram escritos e dirigidos por Asghar Farhadi. Seus filmes são diferentes do habitual de cinema iraniano, conhecido pelo ritmo "contemplativo". De narrativa ágil e olhar tenso sobre os personagens, nos faz refletir sobre escolhas, as motivações por trás de cada atitude, as verdades e mentiras cotidianas e suas consequências. Assisti pensando no nosso comportamento supostamente maduro diante dos filhos.

A projeção acabou e o público não se mexia. Todo mundo olhando para a tela, vendo os créditos subirem em alfabeto persa (ايران Irã), tentando se recompor após este belíssimo filme.

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