sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Cheia de orgulho

A partir da esquerda: Irene e Eric, Taís, Dr Jorge Kuhn,
Alexandra, Dra Mema Cavalcante

Dra Esmerinda Cavalcante, mais conhecida como Mema, é casada com Dr Jorge Kuhn. Ambos são obstetras e lutam pelo parto humanizado no Brasil, indo contra a corrente (e tendência) das cesáreas no país.

A foto acima foi tirada em um lançamento de CineMaterna em São Paulo, no início deste ano. Enviei aos dois a foto, recebi e-mails de agradecimento. Dois dias depois, recebo outra mensagem da Dra Mema:

Já tinha lhe respondido, mas hoje, olhando novamente alguns e-mails que recebi, cheguei no seu e puxa vida, que orgulho tenho de conhecer vocês. Realmente vocês fazem a diferença! Beijos, Mema

Eu é que me encho de orgulho ao postar isso aqui!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Reflexões do "ócio"

Atendo a Bianca Balassiano ao telefone, da equipe do CineMaterna, mora no Rio e coordena as sessões cariocas, região sul e centro-oeste:

-Irene, meu marido foi internado com cálculo renal, o que vai complicar minha viagem para Vitória amanhã. Pensei em ir assim mesmo, mas ele não achou legal.

Claro que Bianca deveria ficar com o marido, nenhuma dúvida quanto a isso. Imediatamente busquei uma passagem de São Paulo para Vitória. Encontrei preços exorbitantes ou voos em horários pouco convidativos. Fiquei com a segunda opção. Dessa forma, um trecho que pode ser feito em pouco mais de uma hora se transformou em uma jornada de quatro horas, com escala no Rio de Janeiro, me obrigando a sair de casa antes das 6h da manhã, para retornar à 1h da madrugada do mesmo dia.

Acredite, cheguei feliz. Como havia chegado em casa depois de 20 horas acordada, quatro voos atrasados, sem comer direito, com o peito desconfortável por não ter amamentado o dia todo? Fiquei intrigada e então recapitulei o dia.

Viajar sozinha tem suas vantagens, consigo colocar minha vida em ordem. Eu, meu computador e meu celular formamos um trio profissional.


Tomada, item de
necessidade básica da vida ambulante

Compartilhando um adaptador com
um desconhecido

Respondo e-mails que estavam parados e limpo minha caixa de mensagens. Durante os voos, quando não é permitido ficar online, arrumo fotografias que se acumularam ao longo de meses. Isso sem contar o que faço quando estou no destino. No caso, conheci as novas coordenadoras de Vitória, as instruí quanto ao funcionamento das sessões, fiz uma limpeza nos equipamentos e materiais das sessões. E ainda assisti o filme comendo pipoca, meu vício.

Não levei nenhum livro. Preferi passar o período de decolagem e pouso, momento em que os equipamentos eletrônicos devem estar desligados, pensando na vida. Foi nesta reflexão que concluí mentalmente alguns assuntos pendentes, aproveitando as opiniões das novas coordenadoras capixabas.

Já passava da meia-noite quando cheguei em São Paulo com uma sensação de dever cumprido em relação a equipe de Vitória e muitas outras coisas também.

Trabalhar com alguém como a Bianca, tão compromissada com o CineMaterna, que cogitou deixar o marido com dor para cumprir sua agenda e que fez um excelente trabalho selecionando voluntárias, é um privilégio.

Bianca e seu "filho postiço"
Foto: Bia Backer

Nas fotos que tiro consigo perceber minha evolução impulsionada pela necessidade profissional. Incrementei os equipamentos, a técnica e o olhar.




Penso nas 15 cidades e 30 salas em que o CineMaterna está, nas mais de 100 voluntárias que atuam conosco, faço planejamento para os próximos meses e penso nos anos que estão por vir. Nunca imaginei estar neste lugar, ter esta vida, fazer o que faço e estar tão feliz e satisfeita. 

A ida imprevista a Vitória, por seus momentos de reflexão e de trabalho, me conscientizou da grande vitória conquistada. 

domingo, 23 de outubro de 2011

Lazer da nova família

Tenho orgulho de dizer que o primeiro passeio da minha Cecília foi ir ao cinema, com 55 dias. Para mim foi maravilhoso, me senti reintegrada às atividades sociais. Não quero perder mais nenhuma sessão. O melhor de tudo foi que o pai dela, que nos levou até o shopping, não resistiu e correu para comprar um ingresso também. E o CineMaterna se tornou nosso primeiro lazer em família.

Fabiana Dias, de Salvador


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Tristeza e alegria juntas no cinema

Cartaz da Mostra deste ano
De 21/10 a 03/11
Recebi um torpedo da Gláucia Colebrusco, que trabalha com as equipes de SP, perguntando se eu sabia que Leon Cakoff havia falecido. Caí sentada. Sabia que ele estava gravemente doente, no entanto, por mais que este fosse um desfecho previsível, nos pega de surpresa. Sua partida aconteceu a uma semana da abertura da 35a edição Mostra Internacional de Cinema, sua criação.

Passei uma hora catatônica, como se alguém muito próximo a mim tivesse falecido. Não o conheci pessoalmente, mas tenho contato com Renata de Almeida, sua esposa, que proporciona sessões CineMaterna na Mostra (serão três este ano), e com sua filha Laura, que é sócia em um dos cafés que frequentamos e já foi algumas vezes ao CineMaterna com seu bebê (que orgulho!).

Lamentei a perda de Leon Cakoff como muitas pessoas, conhecidas e anônimas. Não me lembro quando comecei a frequentar a Mostra, nem como me apaixonei por cinema, mas recordo a primeira vez que ouvi falar dela. Tinha 13 anos, uma amiga cujos pais eram jornalistas e intelectuais, contou que tinha assistido no evento um filme de Wim Wenders. Quem?

Minha vida como mãe é entrelaçada com a Mostra e com cinema. Na gravidez de meus dois filhos vivi a expectativa de ir à Mostra com meu barrigão, mas ambos nasceram antes do evento e me impediram de frequentá-lo. Irônico perceber que o cinema só se embrenhou na minha vida por que a maternidade o expulsou.

A Mostra começa hoje, será uma edição triste, mas frequentá-la e assistir alguns dos 250 títulos é homenagear Cakoff. E hoje, Eric, meu filho caçula, faz 1 ano. Semana passada, o cinema estava de luto. Hoje, celebro a vida e o cinema!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Exploração infantil

Para falar da "vida profissional" do Eric, meu filho, fiz um levantamento fotográfico. Encontrei muitas imagens, me espantei quando juntei as fotos e fiz uma retrospectiva. O pequeno que vai fazer um ano, já viajou a trabalho oito vezes, sendo seis de avião. Sem contar os eventos dos quais participou. E sua carreira não se encerrou, já que ainda não completou 18 meses. Isso é que é exploração de trabalho infantil!

Com um mês em Porto Alegre

Uma semana depois, em São Paulo no colo da Gláucia,
sessão-evento da Rossi Residencial

Com o crítico de cinema Christian Petermann
(que nunca tinha segurado
um bebê de dois meses)

Lançamento de nova sala em Santos (SP) abriu o ano de 2011

Esperando arrumar a sala

Caiu no sono enquanto esperava

Fazendo calendário CineMaterna
aos 3 meses

Em Curitiba com a Silvana

Em Campinas aos cinco meses, em 19 de março

Dois dias depois,
no lançamento no Iguatemi SP,
trabalhando prá valer 

Em Brasília, em 29 de março

Descanso merecido, em posição inusitada

No colo da Tatiana, em reunião tediosa

Em Belo Horizonte, aos sete meses

Uma semana depois, em Porto Alegre

Sem perder o hábito de dormir em chão de cinema

Como coadjuvante da Taís na piada

Aninhado

Foto para a revista Crescer
Foto: Claus Lehmann

Nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro

Fazendo vistoria em cinema no Rio

Auto-retrato, com quase um ano

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Bastidor camuflado

Na terça-feira fizemos o lançamento de uma nova sala CineMaterna em Barueri, município próximo a São Paulo. Foi um evento tão descontraído que quando percebi, tinha várias imagens engraçadas para compartilhar aqui.

Na clássica foto da equipe, Tatiana (responsável pelo evento) e eu resolvemos brincar com os protagonistas do filme. Toquei a bochecha da Mila Kunis!



A Alexandra (Assessora de Imprensa) tentou escrever CineMaterna com a técnica de light painting, quando se desenha com a luz. Foi só uma brincadeira, vamos nos aperfeiçoar. Consegue enxergar alguma letra?




Sorridentes no meio da foto estão a Tatiana e a Débora (Coordenadora da equipe). 



Tatiana estava animada. Jogando os cabelos, bancou a "garota sensual" para a sequência de cliques.





Dali a alguns minutos, Tati resolveu fazer um "duelo de câmeras" comigo. Minha máquina fotográfica é semi-profissional e tira várias fotos seguidas, em alta velocidade, como é possível ver acima. A dela, no celular, demora alguns segundos para tirar a foto a partir do momento em que aperta o botão. Eis a imagem que obtive dela. "Atirei" várias vezes enquanto ela tentava dar seu único disparo, com esta pose nada sexy.



Vista lateral do duelo
Foto: Cacau Querino

Do outro lado, Taís fazia charme empurrando seu carrinho com os presentes da Natura Mamãe e Bebê.


Essa é outra que se empolgou nas gracinhas e caprichou na foto. Hilária na sua pose parodiando o cartaz de Johnny English, cujo ator é mais conhecido como intérprete do cômico Mr. Bean.


O clima não denuncia, mas a verdade é que tivemos uma série de imprevistos desde o momento em que chegamos ao cinema, quatro horas antes do evento. O fundamental é termos uma competente e bem humorada equipe, que contornou lindamente cada um dos obstáculos e proporcionou ao público mais um momento de diversão.


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Silêncio!

Estava colocando um DVD para meu filho Max assistir. Enquanto a tela ainda mostrava o menu inicial, ele disse "por favor, desliguem seus celulares". Pelo visto, presta atenção desde os minutos iniciais quando vamos ao cinema.

Passado algum tempo de filme, a sala ficou escura e acendi a luz. Eis que ele me repreende, dizendo que quando acendem as luzes, o filme vai acabar! Queria prolongar o prazer de estar no cinema. Puxou a mim.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Maternidade cinéfila

Em São Paulo temos um circuito cinéfilo composto por duas salas: Espaço Unibanco Augusta e Frei Caneca Unibanco Arteplex. São cinemas na região central da cidade em que passam filmes chamados "alternativos". Filmes europeus (franceses, alemães e ingleses), argentinos e americanos não-comerciais são a maioria. O público é pequeno, mas cativo e aparece semanalmente às terças-feiras.

Esta semana o filme foi Confiar. O tema é bastante pesado para mães com bebês, pedofilia pela internet. 

Após pensar muito Will (Clive Owen) e Lynn (Catherine Keener) resolvem presentear sua filha Annie (Liana Liberato) com um computador. O casal está convencido de que havia criado seus três filhos em um ambiente aberto e saudável e que já poderia confiar em Annie. Quando Annie faz um novo amigo pela internet - um garoto de 16 anos chamado Charlie que ela conheceu num chat de relacionamento, Will e Lynn deram toda a atenção. Sentaram com a filha, conversaram sobre o assunto e viram as fotos que o menino tinha enviado. Quando Annie e Charlie marcam um encontro, sem que os pais dela saibam, o que acontecerá em apenas 24 horas irá mudar a família para sempre.

Vetei o filme no momento em que li a sinopse. Por desencargo de consciência pedi opinião ao Christian Petermann, crítico de cinema que nos assessora com o conteúdo dos filmes. Sua opinião me incentivou a colocar na enquete do "circuito cinéfilo":

Fiquei impressionado com o Ross - rs [a direção é de David Schwimmer, o Ross do seriado Friends]. Quem diria que ele poderia dirigir com tanta elegância e sensibilidade, um drama tão delicado. O filme é "bonito" nas cenas mais pesadas e muito bom em texto e interpretações (a garota é ótima!!!). Acho obrigatório para pais, nada sensacionalista e atento à psique adolescente.

A película ganhou enquete no CineMaterna. Eu não podia perder. Quando cheguei, encontrei uma mãe na bilheteria dizendo que tinha ido nos conhecer, não fazia ideia do que íriamos assistir. Falei do tema e ela ficou indecisa. Sugeri que não assistisse, que viesse depois para o café ou na próxima semana, poderia  "estrear"em outro dia. Ela concordou e foi embora. Minutos depois, estava na sala quando a vi entrar. Resolveu arriscar.

Durante o filme minha cabeça fervilhava. Sensibilizava-me pelas mães de meninas ali presentes quando me dei conta que pedofilia é implacável com meninos também. Elocubrei sobre a futura adolescência dos meus filhos (dois meninos), em suas personalidades, pensei sobre o carinho e suporte que oferecemos como pais, o impacto disso em suas auto-estimas. Qualquer mãe (ou pai) faz tudo para proteger a vida de seus filhos e sofrerá ao perceber que é tão incontrolável quanto a sua própria. Está aí a magia e a perversidade da vida.

Mal acabou a sessão, ainda no escuro, a mãe neófita me encontrou para dizer que adorou o filme. Fui embora emocionada com ela e com a película.

...

Na próxima semana, o filme no CineMaterna será O Dia em que Eu Não Nasci. Não poderei estar, tenho lançamento em Tamboré (SP). Por isso, assisti por conta própria, sem nenhuma expectativa e saí surpresa com o roteiro.

Em uma breve passagem por Buenos Aires, a caminho do Chile, Maria sente uma estranha fascinação por aquele lugar, despertada por uma canção de ninar que ouviu e começou a cantarolar. Interessada pela cidade, decide permanecer mais tempo. É surpreendida pela visita de seu pai com a revelação de que, na verdade, ela viveu seus primeiros anos na Argentina, antes de ser adotada e levada para a Alemanha. A partir daí, inicia uma busca por sua família biológica.

Adoro filmes que me surpreendem, cativam, fazem mergulhar na história e refletir. Senti raiva, compaixão, angústia, dúvida e reafirmei que o mundo não é dicotômico. Aliás, fugindo à regra de traduções péssimas de títulos de filme, o desse é excelente.

Esta é a porta que se abre quando entro na sala escura, no mundo paralelo em que sou outra pessoa, vivo outra vida. É a forma que encontro para compreender o ser humano - ou pelo menos, tentar. 

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Lançamento na sala VIP é sucesso triplo

"Queremos CineMaterna na Cinépolis do Iguatemi Alphaville. Vamos lançar na sala VIP?"

A pergunta foi feita por Paulo Pereira, da Cinépolis, em nossa reunião na sede administrativa deles em São Paulo, há dois meses. Quando nos disse que cada sala tem cerca de 50 lugares, achamos pequena para um lançamento. E então ele surpreendeu:

- Usemos as três salas, então.

Além de inusitado termos três salas com três filmes em um lançamento, também ficamos com um desafio: preencher mais de 150 lugares. Será que conseguiríamos? Barueri, onde fica o shopping, é município vizinho de São Paulo, é preciso pegar estrada para acessar. Não é muito longe, mas as pessoas da capital não têm hábito de ir até lá.

Como já é costume, chegamos ao shopping antes da abertura das lojas, o que facilita a nossa entrada com nossas caixas. Estamos nos tornando profissionais de logística, já temos três carrinhos para carregar nossa bagagem.


Aproveitamos os minutos finais de tranquilidade e tomamos um café antes de começar a arrumação. Este foi o nosso momento de usar as confortáveis poltronas, já que durante a sessão, sabíamos que não seria possível.



Estava ansiosa para este lançamento. Anunciamos apenas duas salas, com dois filmes: Larry Crowne e Missão Madrinha de Casamento. Se as salas lotassem, abriríamos a terceira. A previsão de público em um lançamento é um verdadeiro jogo de adivinhação. Mesmo com lista de presença, nada é garantido. 

E as mães foram chegando, de fininho, a partir das 13h, uma hora antes do agendado. Bom sinal. 

Taís indicando uma das duas salas

Vieram mães da região, em grupo...

Colocando a conversa em dia

... além de frequentadoras de outras salas de São Paulo, que não queriam perder o lançamento VIP.

Duda e sua mãe, Verônica, têm milhagem conosco!

Pipoca e bebida sendo servidas e logo as duas salas se encheram. Abrimos a terceira, com O Homem do Futuro! O estacionamento de carrinhos dá uma ideia da lotação.





Achou que por ser VIP, seria diferente? Mãe é mãe, bebê é bebê em qualquer sala!

Teve mãe acalentando em pé...
... trocando fralda...
... brincando no chão. 
Bebê dormindo, ou seja,
sucesso garantido!






Com três salas para supervisionar, não sobrou tempo para aproveitar as poltronas. Consegui uns minutos apenas para tirar uma foto.

Auto-retrato e descanso para os pés
Esperando a saída do público, Tatiana bem humorada
Saída tranquila, já que as salas intercalaram seu término

Veja outras imagens aqui.

Mais um lançamento incrível. O que sempre surpreende é a afinação da equipe, mães voluntárias, algumas que nunca trabalharam com público antes, dão um show à parte! Sem falar do Rafael, bebê de três semanas da Gláucia, que já estava em seu segundo dia consecutivo de trabalho!



Aquela ansiedade inicial se dissipou e deu lugar a um orgulho enorme!