domingo, 31 de julho de 2011

Bebês na Orquestra, um novo programa

Para começar, desculpem o post gigante, mas faz muito tempo que não escrevo por aqui e tem muita novidade para contar. Respirou fundo? Vamos lá!

Eu sou uma pessoa bastante irriquieta no trabalho e preciso sempre "inventar moda" para não cair no tédio. Quase três anos após a fundação do CineMaterna, pensei em expandir para "além das fronteiras do cinema", mas não tinha claro o que eu queria, havia só uma intenção que foi jogada ao universo. Felizmente, mães maravilhosas que eu não conhecia captaram essa sintonia e começamos a ter retornos incríveis.

No começo de junho, recebi um e-mail da Malu Allen, produtora artística da OPES - Orquestra Petrobras Sinfônica. Malu é mãe, frequenta as sessões CineMaterna no Rio de Janeiro e imaginava se não seria possível ter um programa semelhante ao do cinema com a orquestra.

A ideia inicial foi nos inserir em uma sessão do projeto Ensaios Abertos - Conversas ao Pé do Palco que inclui ensaios da orquestra gratuitos e abertos ao público, em que os espectadores podem fazer perguntas, comentar sobre as peças tocadas, ou conhecer melhor algum instrumento ao final do ensaio.

Como eu já tinha recebido alguns "não, obrigada" no passado, d-e-s-a-c-r-e-d-i-t-e-i! "Assim, de graça? Podemos??! Jura???!!" Por via das dúvidas, enviei um looongo e-mail explicando as peculiaridades do nosso público - não é possível sermos 100% silenciosas (mesmo não sendo tão barulhentas quanto imaginam), programas à noite são inviáveis para nós, temos uma grande quantidade de equipamentos (trocadores, tapetes, brinquedos, fraldas, lenços, pomadas, etc e tal) e damos um tantinho de trabalho a mais...

Passou quase um mês até que a Malu tivesse todas as autorizações e finalmente marcamos - 29 de julho 16h.  Começamos então a trabalhar animadamente nos preparativos para a primeira sessão fora do cinema.


Chegamos ao local do ensaio - a Fundição Progresso, no centro do Rio de Janeiro - ainda pela manhã para montar os equipamentos.

Taís e Alexandra, com Eric no colo, na Fundição Progresso

Com tudo montado, o que fomos fazer no Rio de Janeiro? Claro, vistoria em cinema novo, para atender as mães da zona norte do Rio!

Detalhe de um shopping surpresa onde teremos sessões

Chegando de volta à Fundição Progresso, meu celular tocou e as meninas já se entreolharam "Ai, ai, ai, o que mais ela está aprontando?" Bem, era mais um lançamento CineMaterna em cidade nova sendo confirmado... Ultimamente tenho vivido um sincronismo maluco - em dia de lançamento é quase certo que receberei uma ligação marcando o lançamento seguinte!

Passada a surpresa, entramos prontas para o trabalho e logo começa a dúvida "será que vem alguém?" Para relaxar, entrei na sala onde o ensaio fechado estava acontecendo. Mas não é que eu comecei a chorar de emoção e tive que sair correndo para não borrar a maquiagem??? Mãe é tudo sentimental mesmo...

Lá pelas 15h começaram a chegar as primeiras mães, ufa!

Mães chegando ao ensaio da OPES

Mas, lá pelas 15h30 já tinha bastante gente... e às 16h já tínhamos lotado a sala! Às 16h05 tivemos que fechar as portas, com o coração cortado, deixando algumas mães para fora. Àquela altura, tínhamos 84 adultos e 65 bebês!

Sala 7 "abarrotada"
Um estacionamento diferente de carrinhos de bebês!
Bebês encantados
A famosa "linha branca", limite para o avanço dos bebês

O ensaio correu super bem, mesmo com a sala lotada. E saímos com gostinho de "quero mais". O encontro da equipe de camiseta pink CineMaterna com a equipe de camiseta preta da OPES foi uma emoção só.

OPES de preto + CineMaterna de pink
(ainda bem que o regente Sammy Fuks, à esquerda com os filhos, tem criança!)
Malu Allen é a segunda mãe sentada, da direita para a esquerda

No final, lembrei do filme Campo dos Sonhos, em que um fazendeiro de Iowa, interpretado por Kevin Costner, ouve a seguinte frase (adaptada para nosso contexto): "se vocês construirem, elas virão". Pois é...

Nossos mais sinceros agradecimentos a todo o pessoal da OPES por terem nos recebido de braços abertos (e à Malu Allen, em especial, por ter batalhado por nós), às mães e bebês que lotaram o ensaio e à nossa equipe "ponta firme" de mães voluntárias no Rio - foi um maravilhoso presente de 3 anos para o CineMaterna!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Rolo

Você faz ideia do que seja isso que o moço carrega?


São rolos com a película de um filme. Isso é pequeno, é um filme curto, de 60 minutos. Quem frequenta Mostras ou Festivais de Cinema já deve ter cruzado com este pacote chegando ou saindo, normalmente com um carregador apressado. Isso acontece porque nestas ocasiões, uma única cópia circula entre cinemas, em um curto período de tempo. Pode ser exibido um dia em um cinema e no seguinte, em outro. E não é assim, chegou, passou. Leva cerca de meia hora, ainda precisa montar o filme, emendar um rolo no outro, para este resultado:


Nesta foto, o filme já está na metade, a película passou de uma bandeja a outra.

No CineMaterna, em duas ocasiões vimos o filme chegar: em uma Mostra de Cinema e em uma pré-estreia. Dá um frio na barriga chegar para trabalhar na sessão e descobrir que o filme não está lá. Quando acontece, o mantra é: Calma, respire fundo, relaxe... Sorria. Mentalize a cena abaixo, que tudo vai dar certo!


E quando chega, comemoramos: "Moço, você não sabe o quanto é esperado! Se não chegasse, os bebês abririam um berreiro! E as mães também!". E nós, idem!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Os avós moderninhos

Quando nos tornamos mães, nossas mães se tornam avós. E assim como vamos ficando surpreendidas com nossas descobertas da maternidade, também elas vão se mostrando realizadas no papel de avós e nossos pais, no de avôs sorridentes.

Assim como somos mães pós-modernas, que procuram interação e vida social com nossos pequenos, os avós da nossa geração também são um pouco diferente de antigamente: quase não vemos mais aquela velha senhora sentada, calmamente tricotando ou assando bolo. Hoje as vovós são ativas, bem cuidadas, joviais, chegam falando ao celular, dirigem, viajam, passeiam e, às vezes, ainda trabalham. Os vovôs não ficam atrás: muitos são os responsáveis por cuidar dos pequenos em alguns períodos e não recusam uma chance de acompanhar a família nos passeios mais animados.

Só uma coisa não mudou: a vovó e o vovô são um grande suporte emocional e prático na vida das mães e dos bebês, e ainda vem com uma doçura inigualável. Por tudo isso, no Dia dos Avós, 26 de julho, merecem a homenagem! Esta semana parabenizamos vovôs e vovós com cortesia em todas as cidades que temos sessões. E que venham muitos mimos!

Uma das vovós modernas assíduas
de São Paulo, Gilda com a netinha Alice
Foto: Karin Michels

Regulamento: até 2 ingressos para avós com netos até 18 meses. Mães e demais acompanhantes pagam. Ingressos limitados.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Sair de verdade!

Estes são Ana e Alexandre no café, no dia em que estavam estreando no CineMaterna. Ana estava feliz por sair de casa, era a primeira saída "de verdade", como ela mesma definiu - sem ser para o pediatra.

Me contou que conhece o marido há 80 anos, uma brincadeira de família. Suas  avós - dela e do marido - são grandes amigas e tentaram a todo custo juntar algum dos filhos, seus tios. Não deu certo naquela geração, mas... resultou no pequeno Alexandre! 

Depois desse dia, trouxeram papai, que por acaso, conhece o desenvolvedor do nosso site e viu como vai ficar (aguarde, um site totalmente novo vem por aí...). 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Tarada

Gláucia vem trabalhar na minha casa dia sim, dia também. Já é de casa, claro. Vou sentir falta na sua licença maternidade.

Por torpedo, me avisou que estava chegando. Eu respondi: "Estou entrando no banho. A porta está destrancada". Nem me toquei da frase... Claro que ela não perdoou e respondeu: "E depois a grávida tarada sou eu!".

:P

terça-feira, 19 de julho de 2011

Normal...

Você acha que tem algo de estranho nesta foto?


Apesar de não ver os olhos da mãe, é nítido que ela não olha para o bebê. Sabendo que ela é a mãe e vendo seus cabelos desgrenhados, pode-se dizer que ela está exausta da jornada materna. Você vai dizer que é fácil para mim matar a charada por que sei que a foto é do cartaz do filme O Estranho em Mim, que aborda o tema da depressão pós-parto (fizemos uma sessão de pré-estreia com a presença de especialistas que debateram o tema). Mas depressão pós-parto é um enigma nem sempre tão facilmente desvendável, mesmo quando olhamos a mãe de frente e vemos seus olhos fugindo do seu bebê.

Fotos de divulgação do filme O Estranho em Mim

Saiu hoje no jornal Folha de São Paulo, uma matéria sobre depressão pós-parto. Destaco uma frase, que considerei das mais importantes:
"Só se fala em luzes", afirma Marcia Neder, psicanalista e autora de "Édipo Tirano", a ser lançado em novembro. "Não se fala da renúncia, da doação e das exigências."
Soma-se a isso os depoimentos de duas mães que passaram pela depressão pós-parto:
O começo foi "punk", eu me sentia muito insegura, queria ter a certeza de que estava fazendo tudo certo. (...) No dia a dia, sentia que faltava alguma coisa na equação. É como se não tivesse caído a ficha. Não era desamor, mas eu me sentia deslocada da maternidade. (Andressa Fidélis, 32, Belo Horizonte)

Era medo de não conseguir dar conta. Era medo de ela ter alguma coisa e eu não saber lidar com situação. Eu tinha que me virar sozinha. Eu ficava tão exausta que não tinha vontade de falar com o meu marido. (Janaína Troncarelli, 35, São Paulo)

Maternidade é uma felicidade enorme mas tem seus percalços. Parece que todas sabemos disso antes de engravidar, não é? Mas entre ouvir todo mundo falar e efetivamente passar por tudo que vem no "pacote", desde a gravidez não-tão-maravilhosa-assim até o desafio da amamentação e as noite mal dormidas, é um abismo.

Quem nunca se questionou, ao menos uma vez, se tomou a decisão certa de ser mãe? Praticamente todas relatam que já quiseram estrangular o marido/companheiro por alguma desatenção com o bebê - o que leva muitas a não dividir os cuidados, sobrecarregando-se. Muitas colocam como meta cuidar sozinhas de seus bebês, sem ajuda de ninguém.

E quem é que cuida da mãe? Esta mulher, atriz principal durante a gestação, vira coadjuvante na vida: tudo passa a ser em função do bebê. Poucos olham para ela - muitas vezes, nem ela mesma.

Não preciso nem dizer que nós, no CineMaterna, queremos que as mães encontrem outras mães, conversem e saiam se sentindo no mínimo, normais. Um olhar, uma palavra, uma troca: que isso as ajude a aliviar o peso que muitas vezes pode vir com a maternidade.

domingo, 17 de julho de 2011

Cruzamentos

Casa Angela, fotos: Marcelo Min

Casa Angela é a Casa de Parto da Associação Comunitária Monte Azul, em São Paulo. O nome é homenagem à parteira alemã Angela Gehrke, que durante 15 anos atendeu mais de 1500 partos na comunidade, enfocando a humanização da assistência.

Atualmente a Casa Angela faz atendimentos pré-natal e pós-parto, realiza encontros de orientação sobre planejamento familiar, gravidez, parto, pós-parto, cuidados com o bebê e desenvolvimento infantil, promove o apoio à amamentação e faz atendimento domiciliar. Um trabalho competente e sério, esforço e conquista de dedicados profissionais. Vale a pena conhecer: http://www.casaangela.org.br. Infelizmente o atendimento ao parto está temporariamente suspenso, aguardando o estabelecimento de convênio com o SUS.


Sala de espera
Orientação sobre cuidados com o bebê
Consulta pré-natal na Casa
Quarto à espera de partos...
Atendimento domiciliar

Luciana Benatti é jornalista, escreveu o livro Parto com Amor (com fotos de Marcelo Min, seu marido e autor das fotos acima), lançado recentemente. Entre outras atividades profissionais, Luciana assessora a Casa Angela na parte de comunicação. Ela foi na sessão de pré-estreia de O Ursinho Pooh com seus dois filhos, Arthur, de três anos, e Pedro, de nove meses. No café pós-sessão me contou que encontrou um pequeno grupo de mães atendidas pela Casa Angela.

Luciana, entre Pedro e Arthur,
antes da pré-estreia de O Ursinho Pooh
Foto: Cacau Querino

Emocionante tomar conhecimento da tímida presença deste grupo naquele dia e saber que nossas sessões gratuitas dão oportunidade às mães com dificuldade de acesso à cultura de ir a um CineMaterna com seu bebê. Aaaahhh, nestas horas dá uma vontade de abraçar o mundo e ter coração de mãe, em que sempre cabe mais uma...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Eu me mordo de ciúmes

Temos um grupo no Facebook das Coordenadoras-gerais das sessões CineMaterna. Eis que um belo dia, Bianca, nossa carioquíssima, posta o seguinte comentário:

Vocês coordenadoras também tem ciúmes da sessão??? Ou eu sou meio louca? Tipo assim, amanhã não poderei ir na sessão porque tenho um congresso, minha equipe é maravilhosa, mas eu me mordoooooooooooo de ciúmes que elas vão arrumar a salinha, cheirar os bebês, ver a felicidade das mamães... Ai meu Deus, é caso pra internação? HAHAHAHAHAHA.

Ao final dos comentários, ela conclui:

Ufa, que bom... Achei que era coisa séria. Mas não sou a única!!!

Fala a verdade, somos ou não somos muito sortudas de termos uma equipe de loucas maravilhosas?

Bianca, à esquerda, com a primeira equipe do Rio (maio de 2009)
Curiosidade: a equipe tinha três Renatas,
que tiveram seu segundo filho enquanto estavam na equipe.
Foto: Luiz Frota

terça-feira, 12 de julho de 2011

Um bebê alegra muita gente, 85 alegram muito mais!

Você já viu 85 bebês no mesmo lugar? Nós já! No shopping Market Place em São Paulo, com duas salas cheias de crianças, bebês e mães para duas sessões CineMaterna simultâneas na última quinta-feira. Entre uma sala e outra, no canto bem organizado, um estacionamento lotado de carrinhos. No meio do corredor, às vezes aparecia um engatinhante.

O Ursinho Pooh, sessão cortesia em parceria com a Disney, encantou pela delicadeza. Nada mais gostoso do que ouvir as risadinhas das crianças na sala quando o personagem faz uma piadinha. Uma delícia ver os pequeninos chacoalhando a cabecinha acompanhando trilha sonora. Carros 2 também agradou muito, realmente este povo de Disney sabe fazer desenho. Nossa sessão dupla foi uma ótima oportunidade para as mães antigas do CineMaterna retornarem e matarem as saudades do nosso encontro (e a gente delas!).

Em Brasília também tivemos uma linda sessão de pré-estreia do Ursinho Pooh, cheia de alegria.

E foi assim. Ah, e os 85 bebês? Bom, bebês estavam por todo o canto. Fazendo o de sempre: mamando, dormindo, trocando fraldinha, relaxando, engatinhando ou mordendo loucamente um brinquedinho. Eles sabem que isso é tudo que eles precisam, não é mesmo?


Obrigada a todas as famílias que compareceram e esperamos revê-las em breve.


domingo, 10 de julho de 2011

Imagem agitada

CineMaterna saiu em uma matéria da revista Crescer de julho. Conta a nossa trajetória - Alexandra, Taís e eu - e a entrelaça com a do CineMaterna. A matéria abre com uma grande foto nossa com nossos filhos.

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A foto - de Claus Lehman - ficou linda, mas quem a vê pronta assim não imagina quanto tempo levou nem o trabalho que deu. Quer dizer, dá para ter uma ideia do trabalho, sim. Repare que nenhum dos filhos está olhando para a câmera. Cada um por si, fazendo algazarra. Você acha que foi de propósito, para parecer algo dinâmico? Na-na-ni-na-não.

Chegamos no cinema e as três foram maquiadas. Ou melhor, as quatro: Anna, filha da Taís, única menina do grupo, teve seu dia de princesa.

Daí começaram as sessões de fotos individuais: cada uma com seus respectivos filhos. Por último, veio a foto de todos juntos, quando as crianças já estavam cansadas de posar. Ou seja, nenhuma delas queria estar ali naquele momento e muito menos quieta, olhando para a câmera. A foto acima saiu depois de muito "vem aqui, Felipe", "para quieto, Max", "não chora, Aninha". Até que alguém teve a brilhante ideia de deixá-los correr e pular pela sala. No meio das brincadeiras, conseguimos todos dentro do alcance do fotógrafo por alguns segundos e saiu a foto. Nem o Eric, o que menos se manifestava, saiu "ileso". Acho que este é o toque bacana da foto: retrata a vida com filhos, algo que por mais que tentemos, não é possível controlar... Bagunça faz parte, nos desconstrói e é uma delícia. Saímos exaustas.

A matéria foi escrita com carinho pela Nathalia Molina, uma carioca em São Paulo, quem tivemos o prazer de conhecer e bater um longo papo. Meses depois da entrevista, foi com seu filho e marido em uma pré-estreia do filme O Ursinho Pooh que fizemos em São Paulo. O melhor foi que Joaquim, seu filho, se envolveu tanto que chorou de tristeza em um momento do filme.

Nathalia com o marido e seu filho Joaquim, "a caráter"
Joaquim, concentrado na telona

Para fechar, destaque para um quadro da matéria do "nosso filho": filmes que marcaram o CineMaterna. Pergunta inusitada da entrevista, tivemos que pensar bastante, mas foi gostoso fazer uma retrospectiva da nossa história através de filmes. É sempre bom recordar o desenvolvimento dos nossos filhos!


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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Depoimento poético

Foto: Cacau Querino
De passagem por Sampa com meu filhote Mateus, vi a programação do CineMaterna. Oba! - vai ter amanhã, pensei. Nossa primeira vez!, pensamos juntos. Pensar o dia bom, como versou Drummond... Foi ótimo, porque foi feliz. A proposta não é a da experiência artística. Pode ser também. Mas a de viver juntos nosso amor, indefinidamente, num ambiente de amor. É como se a gente partilhasse esse amor. Porque, todas que estão ali vivem, como a gente, a indizível experiência de ser mãe e de ser filho, nessa fase em que tudo, praticamente tudo, é instinto, é natureza bruta, é essa palavra que nos habita: amor...

Janaina Rocha, mãe de Mateus, um bangunceiro lindo que foi ao CineMaterna com 7 meses

terça-feira, 5 de julho de 2011

Caminha sozinho

Voltei, depois de duas semanas de férias. Optei por continuar lendo os e-mails, para que quando eu chegasse, não estivessem acumulados. Achei ótimo, pois recomecei hoje, sem uma pilha de pendências. 

Duas observações sobre as férias:

1) O CineMaterna funciona sem mim! Claro que palpitei nas decisões sendo tomadas, não aguentei. Mas o cotidiano foi tocado lindamente, eu não faria melhor. É o supra-sumo-do-máximo para quem tem um negócio. Acho que vou sair de férias mais vezes, hehehe.

2) Recebi um e-mail da Karin Michels, que fotografa nossas sessões de São Paulo e oferece uma  recordação às mães e seus bebês no cinema. Começava assim:

Essas fotos são de um bebê de 13 dias. Vale a pena colocar no blog pra incentivar as mamães que têm receio de sair com seu filho de casa!

Qual não foi minha surpresa quando olho a foto e vejo a Luciana, com um pitoquinho moreno e cabeludo, sorrindo! Eu, em outro hemisfério, me senti profundamente emocionada.

Luciana e Zac, junho/2011
Foto: Karin Michels

Luciana foi frequentadora assídua do CineMaterna no ano passado com sua Nina. Voltou a trabalhar paulatinamente e foi deixando as sessões. Faz tão pouco tempo que ela deixou de aparecer, que quando vi sua foto, fiquei confusa. Demorei alguns segundos para entender o que fazia um menino e não a Nina no colo da Luciana.

Luciana e Nina, março de 2010
Foto: Edu Castello

Aliás, foram duas surpresas maternas nas férias: tem o caso da Kali, que vinha às sessões com o Leo e voltou na semana passada com gêmeos Eizo e Akira, com 50 dias. Essas são a prova mais concreta que o CineMaterna funciona muito bem, com ou sem mim. Vida longa ao CineMaterna e seus bebês!

domingo, 3 de julho de 2011

Sobre a primeira vez

É frequente que a primeira ida ao cinema seja acompanhada por alguém. Nas últimas semanas acompanhei de perto duas estreias muito significativas para mim.

Fernanda

Amiga de infância, estudamos juntas no colégio dos 8 aos 15 anos. Éramos melhores amigas, de dormir uma na casa da outra. Mudei de colégio e nos afastamos. Devemos ter nos visto uma vez ou outra depois disso.

Pois estava eu no início deste ano no Detran para fazer a prova de renovação da carta quando vejo alguém na fila acenando para mim. Eu, míope, fui me aproximando para ver quem era. Reconheci na hora: Fernanda! E grávida do Théo. Coincidência das coincidências, afinal, em quantos outros horários ela poderia ter agendado aquela prova, em uma cidade como São Paulo?

Fernanda foi a uma sessão com seu pequeno Théo com dois meses. Primeira saída de casa no "mundo selvagem", veio ao cinema com a irmã, Karina, que recém tinha descoberto que estava grávida, depois de várias tentativas!

O que me deixou mais feliz foi vê-la novamente na semana seguinte, em outro cinema, segura de si. Ela e Théo. 

Fernanda com Théo, Karina, sua irmã, e eu
Foto: Karin Michels

Juliana

Fizemos um curso de dois anos juntas, antes de eu ter filhos, antes de ela ter casado. Soube que estava grávida e quando Tomaz nasceu, convidei-os a ir ao cinema.
E aí, mais coincidências na minha vida: Tomaz tem o mesmo pediatra que meus filhos e Juliana mora do lado da minha casa. Para levá-los ao CineMaterna, fui buscar Juliana e seu Tomaz de 45 dias em casa. Serviço VIP!

A parte engraçada ficou por conta do fato de a Ju ter dormido no filme. Fiquei feliz, juro, pois a primeira coisa que ela me falou quando entrou no carro é que o Tomaz não dorme à noite. Nada como descansar numa boa poltrona de cinema, com um bebê quentinho no colo!

Juliana com Tomaz, eu com Eric
Foto de Cacau Querino

A pergunta que ambas mais me faziam era "como você faz?" - para sair de casa, para dormir, para trabalhar, enfim, para voltar a ter uma vida pessoal. Ah, a gente faz, sim! É intenso, confuso, emocionante, atrapalhado, lindo e por vezes, angustiante. Não que depois não continue assim (rs), mas quem é mãe sabe: os primeiros meses são realmente especiais. Ao mesmo tempo que inesquecível, olvidamos os detalhes, especialmente a parte de não dormir à noite! Se não, ninguém teria outro filho...