sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Discotecando como pai

Por Will Robson*

Nasci em 1968 e lembro que a primeira vez que fui ao cinema, assisti Os 101 Dálmatas (lançado em 1961 pelos estúdios Disney). Fui com uma prima mais velha e tinha entre 5 a 7 anos de idade. Fomos para o centro da cidade de ônibus. No cinema pude ter bala de goma, pipoca e aquela tela gigantesca e colorida. Os cachorros eram bonitinhos, mas o cabelo e roupa da Cruella de Vil: punk rock. Devo admitir que os vilões da Disney são chocantes.



O Tom, meu filho, nasceu em 2011 e o primeiro filme que vimos foi o premiado O discurso do rei, com um grupo de cidadãs, mães e apostadoras em uma nova geração (incluindo a minha esposa Marina) que tem feito algo de inclusão. Bebês e seus pais em tardes belas com mamadas, trocadores, som tranquilo, chorinhos, gargalhadas diante da tela gigantesca e colorida no instigante CineMaterna.

Agora que me “fiz” pai - ter filho em alguns casos chega a ser simples, mas se “fazer” é uma opção - digo que gestos como sair com o filhote me fazem observar o quão povoado está o mundo com bebês: na Praça Buenos Aires, festas de crianças em bufê, sessões de cinema amigáveis, posto de vacinação do SUS, consultório da pediatra, na calçada do lado de fora de supermercado, com uma mãe pedindo ajuda...

É, este mundo está povoado!!!

E no meio disso tudo, faz muito sentido após a sessão de cinema trocar ideia sobre amamentação, toques para fazer a papinha, aquela pomada mágica para assadura, o dentinho que veio com 6, 7, 8 meses, o primeiro passo que foi mais emocionante do que chamar de mãe, sem falar que depois de discotecar até as cinco da manhã, tem aquele ser iluminado falando “agu” e passando a mão no seu rosto na cama.

Também tenho na minha vida a arte através da música e em um dos meus projetos que será lançado com o nome de “Barato Cabuloso” (que é uma gíria de adolescência da ZN- Zona Norte), vejo hoje e digo com sinceridade, que ser pai é um barato cabuloso em estado de graça permanente.

* Will Robson – DJ, produtor musical, faz parte dos coletivos casadalapa, Frente 3 de Fevereiro, membro das bandas DJ Malocca, povo do b.e.m., e Quebrante Sound System e está passando uma temporada de três meses com o primeiro filho após o término da licença maternidade da mãe. 

3 comentários:

  1. Encantador! Parabéns Willzito e também ao Cine Materna, que adoro!

    ResponderExcluir
  2. Não havia dúvidas de que com todo seu jeito e toda sua arte você fosse se tornar um excelente pai! Parabéns, muita paz e saúde para o pequeno e que seu exemplo seja seguido por aqueles que nos cercam.

    ResponderExcluir