sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Multilíngue

A Mostra Internacional de Cinema tem uma peculiaridade: você assiste alguns filmes com legenda eletrônica, que é projetada logo abaixo da tela do cinema. Ou ainda não deu tempo de legendar o filme, ou não vai para o circuito comercial e a legendagem não será feita. Muitas vezes, a cópia que assistimos é a que roda festivais internacionais, ou seja, tem legenda em inglês (ou outra língua "importante e universal"). Ou seja, aparece legenda em inglês e português, ao mesmo tempo, enquanto você ouve uma terceira língua. Leva uns cinco minutos até o cérebro acostumar, chega a ser engraçado...

Assisti a um filme na Mostra que acho que foi meu recorde de legenda: o filme, falado em japonês e alemão, tinha legendas em inglês e francês, além da eletrônica em português... Com tanta forma de "ler" no filme, não dava para sair e dizer que não entendi, né? Hehehe.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Nos Bastidores da Notícia

Quem é do Rio Grande do Sul talvez já tenha visto. Segunda-feira desta semana, saiu no jornal Zero Hora, no caderno Meu Filho, uma matéria sobre o CineMaterna. Escrita por Renato Mendonça, com imagens do fotógrafo Daniel Marenco, a dupla se encantou com a sessão. Dá para ver que têm uma sensibilidade especial, pelo resultado no delicado texto e nas imagens maravilhosas. Não pude deixar de colocar aqui as fotos que só saíram na versão impressa, associando as imagens a nomes de filmes. Genial!


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O que é novo de novo

O trecho abaixo é a introdução do release (texto que é enviado à imprensa) desta semana, escrito pela Alexandra. Ela escreve um por semana, haja inspiração, né? Sempre que aparece um que particularmente me comove, eu "roubo" e coloco aqui:

As necessidades pessoais de uma mãe no início de sua vivência da maternidade, com o seu bebê ainda pequenino para cuidar, geralmente são deixadas de lado em virtude de um bem maior. A entrega da mãe é de uma totalidade inquestionável e isso é necessário para a construção do vínculo com o bebê. Nesse momento, cada gesto reforça esse relacionamento novo e repleto de sentido.

Foi dentro desse sentimento que o projeto CineMaterna foi forjado. Um grupo de mães, vivendo um momento dedicado à maternidade, conseguiu conciliar alguns interesses: um passeio com seus bebês, encontrar amigas para conversar, ir ao cinema e ainda poder retomar sua vida cultural. O que fez sentido para esse grupo, fortaleceu a iniciativa e hoje tem adesão de muitas outras mães.

Ao se preocupar com detalhes nos cuidados para receber a mãe com o seu bebê em uma sala de cinema, o CineMaterna busca fazer parte deste relacionamento e ser uma ferramenta de reforço deste vínculo. A mãe fica mais tempo em contato com seu bebê, desenvolve uma dinâmica nova e compartilha a alegria de retomar um pouco de sua rotina.

A Alexandra viu e fez parte do nascimento do CineMaterna e está para ser mãe pela segunda vez, para cuidar de um ser pequenino e formar um novo vínculo. Fiquei imaginando o carinho e os sentimentos que passaram por ela ao escrever este texto...

sábado, 24 de outubro de 2009

Final de filme com fralda e lágrimas

Esta foi inédita: na última terça, no final do filme A Partida, vi uma mãe trocando a fralda do bebê e chorando ao mesmo tempo, comovida com o desfecho. Mãe é mesmo multifuncional, mas aposto que você nunca pensou em assistir filme no cinema, trocar fralda e enxugar lágrimas ao mesmo tempo...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Mãe e cinéfila

Um dos eventos anuais mais importantes para mim é a Mostra Internacional de Cinema de SP. Basta lembrar que quando meu filho nasceu, eu não sentia falta de baladas, mas fiquei desesperada porque não podia ir ao cinema. Eu torcia para que meu filho nascesse de 42 semanas, pois daria para ir à Mostra de barrigão, assistir a tudo que é filme, e não haveria lugar melhor para uma grávida na expectativa do que o escurinho do cinema. Mas Max nasceu de 37 semanas, ou seja, tinha quase um mês quando a Mostra começou, e eu não podia nem ver o cartaz do evento para sofrer uma crise de abstinência - rs.

Pois a Mostra deste ano começa na sexta. Na 33a edição, traz 424 filmes de 57 países, a 23 salas de SP. E mães com bebês de São Paulo poderão ter uma amostra deste universo em uma sessão CineMaterna!

Depois do filho, foi a primeira vez que resolvi comprar um pacote de ingressos. Comprei 20, não sei nem se vou conseguir assistir a tudo isso em função de viagens, trabalho e filho, mas vou tentar. Quem compra este pacote (e outros disponíveis) ganha uma credencial. Meu marido, João, também comprou a dele. Max estava conosco na fila, saiu na foto da credencial do João. Ficou o máximo! Mas teve um pequeno problema: confesso que morri de inveja! Coisa boba de mãe (e cinéfila), mas era um sentimento muito forte e genuíno. Para trabalhar na terapia...

Serão duas semanas de "maratona", que para algumas pessoas significa entrar no cinema no início da tarde e sair à noite, depois de ver três ou quatro filmes. Significa ler muita sinopse e tentar saber por poucas linhas se o filme será do agrado ou não. Significa fazer um calendário muito, muito bem estudado para pegar a maior quantidade de filmes, tentando acertar na qualidade também. Significa correr entre salas, com o tempo cronometrado, buscando otimizar o tempo. Significa votar nos filmes, pegar fila, ouvir as opiniões de quem já viu um ou outro filme e eventualmente, riscar da lista se as opiniões forem muito desfavoráveis. Ou acrescentar os muito bem comentados. Significa ver a vinheta da Mostra repetidas vezes, até decorar cada detalhe. Significa planejar pseudo-refeições entre os filmes ou dentro da sala. Significa andar com uma bolsa com vários apetrechos, entre caneta, Guia da Mostra, lanche, água, guarda-chuva, ingressos, credencial. E acima de tudo, significa preencher uma paixão, que como muitas, é inexplicável.

sábado, 17 de outubro de 2009

Paixão pelo trabalho?

Quem não pensa e repensa sua vida profissional, se o que está fazendo efetivamente lhe dá prazer, satisfaz, se é feliz? Li um interessante artigo sobre paixão pelo trabalho no suplemento do New York Times, que sai na Folha de São Paulo. Publicado em 12/10/09, editei o ensaio de Alina Tugend, cujo título ilustra este post:

(...) Estaremos caindo na armadilha de acreditar que nosso trabalho e nossas vidas devem ser sempre fascinantes e predominantes? Enquanto mudar de emprego e de profissão torna-se cada vez mais comum e profissões inteiras desaparecem, somos frequentemente obrigados a nos perguntar o que queremos fazer pelo resto de nossas vidas. É aí que entra a paixão. 


Paixão "é um estado de envolvimento total", disse Mihaly Csikszentmihalyi, da Universidade de Claremont, na Califórnia. É quando estamos totalmente mergulhados em nossa atividade, sem olhar para o relógio, sem pensar no que os outros acham, simplesmente absorvidos pela experiência. Ele enumera vários fatores necessários para sentir-se bem sobre seu emprego ou sua vida. Dois dos principais são a sensação de controle pessoal de uma situação ou atividade e um equilíbrio entre sua capacidade e seu potencial, para que a empreitada não seja demasiado fácil nem difícil.


Peter Warr, do Instituto de Psicologia do Trabalho no Reino Unido, amplia esse conceito. Ele fala sobre as fontes externas de felicidade e infelicidade, não apenas no trabalho, mas na vida. Segundo ele, estas incluem ter certa sensação de poder, usar e expandir suas habilidades, desfrutar certa variedade, ter uma clara sensação de sua situação e fazer algo em que você acredita.


Talvez buscar uma paixão não seja tão ruim. Mas também vale lembrar que não há uma única maneira de encontrá-la, e a paixão de outra pessoa pode ser um tédio para você. (...) 



Claro que penso nisso frequentemente, olhando o que é minha vida profissional atual. E não tenho dúvida que hoje tenho paixão no trabalho, seja pelo lado cinéfilo, como mãe ou por minhas habilidades profissionais. Até escrever, que é algo que eu curto, eu faço! Mas eu tenho meus dissabores, dias difíceis, tarefas ingratas, obstáculos e desafios, que refletem tanto no lado pessoal quanto profissional. Sei que fazem parte do trabalho, que por vezes me desanimam ou me angustiam por um tempo.

Ironicamente, o texto foi publicado no Dia das Crianças e apesar de falar de um tema adulto, trata-se de nossa incessante busca pelo prazer, no sentido da alegria e felicidade "pura", que para mim, é fascinantemente aproveitado e sentido pelas crianças.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Um moço chamado Alexander

Muitas mães reclamam de dores nas costas depois de ter um filho. Eu, inclusive. Dores nas costas, aliás, me acompanharam sempre. Na gravidez, foi um horror. Nem acupuntura aliviou. E depois que meu filho nasceu, passei um mês incólume e depois, voltou com tudo. Mais acupuntura, e nada.

O que resolveu foi uma técnica maravilhosa chamada Alexander, que recomendo. Quem aplicou em mim foi uma mulher-maravilha, que admiro muito, chamada Ana Thomaz. Quem for de São Paulo e quiser conhecer a técnica, tem palestra gratuita amanhã:

15 de outubro, quinta-feira, às 20hs
Espaço Caçamba de Arte - Rua Muniz de Sousa 517 - Aclimação
Tel 11 3399 4257

Não sei explicar como ocorre a mudança e como é o trabalho, mas o fato é que não me queixo mais de dores nas costas!

A vida muda

Antes de ter filho, eu sempre chegava adiantada nos compromissos. Chegava a ser irritante.

Um filho e um novo trabalho depois, estou sempre atrasada, igual ao Coelho da Alice: "é tarde, é muito tarde"!

Illustration d'origine (1865), par John Tenniel (28 février 1820 – 25 février 1914), du roman de Lewis Carroll, Alice au pays des merveilles

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Falas que tocam 2

Oi querida, eu participei do primeiro dia de CineMaterna aqui em Porto Alegre. Quero agradecer esta oportunidade, pois pra mim foi algo muito emocionante. Foi sentir-me viva, e minha filhinha, parte do mundo. Há um ano e dois meses, a Giullia nascia de 6 meses, 585gr. Ficou 70 dias na UTI neonatal, e ao sair, teria de ter um cuidado de não contrair nenhuma virose ou qualquer tipo de doença devido a sua prematuridade. Foi um ano sem passeios a cinemas, bares, festas, aniversários: mal saíamos com ela, mal recebíamos visitas. E agora, com 1 aninho, ela está linda e forte, e pudemos vivenciar a experiência pública no CineMaterna. Na bilheteria eu estava de olhos marejados, muita emoção. Enfim, liberdade. Muito obrigada a todas vocês, que nos proporcionam estes momentos inesquecíveis. Grande beijo e saúde sempre.

Quem ficou de olhos marejados fui eu... Feliz Dia das Crianças, Giullia!

sábado, 10 de outubro de 2009

Queise

Fomos convidadas a uma festa da "nossa" agência de publidade - êêê, temos uma, a M3COM. Estávamos lá, Alexandra, Taís e eu, conversando com um publicitário de uma grande agência. Eu o conheço de outros tempos, e como em todo reencontro, vem a pergunta: "o que você está fazendo?". Pude responder com orgulho que trabalhamos no CineMaterna. Ele olhou para nós e disse: "que legal, vocês são um case (leia-se "queise", assim, em inglês) no mercado publicitário!". Vendo-nos com cara de surpresa, ele completou: "sim, vocês são citadas como uma inovação em termos de mídia". Tudo bem, mães com bebês são muito mais do que "mídia", mas é claro que foi o máximo ouvir isso...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Looouca, eeeeuuuu?

Semana passada, recebi um e-mail de uma mãe de Salvador candidatando-se a coordenadora de sessão. Ando com a caixa de e-mail lotada de pendências e ontem resolvi responder, para tentar encontrá-la, já que estarei na cidade na próxima semana. Esta mãe me respondeu, dizendo que a Gláucia, que trabalha comigo, já tinha enviado uma mensagem a ela, pedindo as mesmas informações que eu pedi. Enviei um e-mail à Gláucia, pedindo que combinássemos antes, para evitar duplicidade. Eis a resposta dela para mim:

Rsrsrs... Você estava do meu lado na segunda-feira quando pediu que eu respondesse o e-mail.


Bom, pelo menos, fui coerente e pedi as mesmas informações! Desconfio que estou precisando de férias...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Café revigorante

Semana passada eu estava "presa", trabalhando, não consegui ir à sessão. Tinha muitas pendências, viajaria no dia seguinte para ficar dois dias fora. Estava meio cansada, mas resolvi ir ao café. Foi a melhor coisa que fiz! Várias mães novatas, alguns bebês de dois meses - desses que mal abrem o olho e ficam "ronronando" - , uma mãe que enfrentou depressão-pós parto e curtia sua primeira saída de casa sozinha com o bebê, enfrentando o receio do marido, mães em dúvida com relação a cuidadores e estímulo de bebês, trocando suas impressões dos primeiros meses maternos... Voltei para casa feliz e renovada por participar momentos como este, de entretenimento aliado à troca de experiências, tão ricos e necessários nesta fase de pura maternagem.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Falas que tocam

Chorei de emoção. Pelo filme? Não, que nada! O filme nem havia começado....Fiquei emocionada de estar com a minha mãe Cleide de 63 anos e a minha filha Gabriela de 60 dias na sala do cinema juntinhas, curtindo um momento nosso, um momento muito FELIZ! Obrigada mãezinha sempre companheira, obrigada filhota pelo início de uma nova vida e obrigada CINEMATERNA por proporcionar um passeio tranquilo, confortável e que ficará para sempre no meu coração.

Depoimento enviado por uma mãe de Campinas...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Caixinhas para "exportação"

A Élida é funcionária do Espaço Unibanco Augusta. Já falei dela aqui no blog, sobre as caixinhas que ela faz, que usamos na contagem dos bebês na sessão. Fizemos uma "encomenda" de novas caixinhas, para levar a outras salas no Brasil. Ficaram tão lindas que aproveitei e fiz um "ensaio fotográfico" com elas, hehehe.


Nosso "pagamento" foi com uma camiseta do CineMaterna. Agora sim, a sessão ficou totalmente personalizada!


Temos "caixinha da Élida" em Porto Alegre, em Salvador, em breve, em Santos e por aí vai... Como um amuleto da sorte...

domingo, 4 de outubro de 2009

Algo que Você Precisa Saber

Mady Celliers (Charlotte Rampling) passa a maior parte do tempo falando mal de suas filhas e de seu marido, Henry (Patrick Chesnais), um ex-chefe de empresa que se transformou após a aposentadoria. Antoine (Pascal Elbé), o irmão mais velho, não consegue obter sucesso com sua empresa. Alice (Mathilde Seigner), a filha do meio, dedica-se à pintura para afastar a depressão. Já Annabelle (Sophie Cattani) é a caçula, trabalhando como enfermeira e tentando prever o futuro de sua família através das cartas. A situação da família Celliers permanece estável até o surgimento de Jacques de Parentis (Olivier Marchal), um policial solitário que acaba com a aparente harmonia.

Existem alguns filmes que estreiam e não são mencionados em cadernos culturais, a sinopse do guia é mínima e mal dá para saber do que se trata, não tem trailer com legenda em português. Como é meu trabalho pelo menos conhecer os títulos que estreiam, acabo acompanhando alguns "rejeitados". Ontem assisti Algo que Você Precisa Saber, filme com Charlotte Rampling, grande dama do cinema francês. Os críticos não gostaram do filme, mas eu saí muito feliz de ter visto, adorei. Não sou crítica de cinema, portanto, minha "cotação" é puramente sentimental: gosto de um filme quando, de alguma forma, me toca. Incomoda, faz pensar, emociona, faz chorar, arrepia, me faz querer estar no filme ou querer que parte do filme esteja na minha vida. Não que os críticos não tenham também este olhar subjetivo, mas há uma atenção técnica, que eu ignoro e me deixo levar...

sábado, 3 de outubro de 2009

Orgulho de ser uma CineMaterna!

A Kivia é uma CineMaterna de carteirinha, no Rio. Curte as sessões, fica no café, já se ofereceu para ser coordenadora no ano que vem. Outro dia eu estava por lá, quando ela chegou para mim e disse, com um enorme sorriso: "esta é a 23a sessão aqui no Rio e eu vim em 15!". Não sei quem estava mais orgulhosa, ela ou eu...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Minha casa, sua casa

Estamos há mais de um ano no Espaço Unibanco Augusta, tradicional cinema de rua em São Paulo, com perfil de filme mais alternativo. É praticamente nossa casa.

Semana passada, aconteceu uma sessão de bebês "veteranos": muitos com mais de um ano, estavam há um tempo sem vir, e fizeram da sala de cinema, seu playground. Foi um gostoso reencontro e os bebês se sentiram em casa. Parte da sessão foi assim: davam uma volta completa na sala, paravam para comer no fundo, onde estava iluminado, e continuavam seu passeio. Quando se entediavam, iam xeretar os carrinhos estacionados, em busca de brinquedos ou qualquer outro atrativo.

O filme era leve, dava para ficar com um olho na telona e outro na farra - mãe já está acostumada a fazer várias coisas simultaneamente mesmo...