segunda-feira, 29 de junho de 2009

Fim!

Acabo de terminar de ler o livro O Clube do Filme. Comentei sobre este livro recentemente, que comprei e li freneticamente. Acompanhei o autor em suas angústias e dúvidas na criação de um adolescente. Todas sabemos que esta não deve ser uma fase fácil como mãe, especialmente quando vem à memória as lembranças de como nós nos comportamos e o que pensamos quando adolescentes. A verdade é que para mim, como mãe, ainda falta um tempo para chegar lá - mas sei que vai passar depressa e estarei diante de um adolescente quando eu menos esperar.

No meio de tantas reflexões, teve uma que me pegou: o sentimento de que tudo passa muito depressa, que quando menos se espera, aquela fase passou. Basta ter um filho para saber como é: quando estamos pela primeira vez com um recém-nascido em casa, é uma confusão de sentimentos, uma verdadeira revolução emocional e física, as pessoas dizendo para aproveitar que é um momento muito especial, esta fase de conhecimento mútuo. Os primeiros dias passam muito, muito mais rápidos do que a gente imagina. Em um piscar de olhos, aquele pequeno e frágil bebê deixa de ser frágil e pequeno - e faz um ano! É inacreditável como 12 meses podem ser tão diferentes um do outro, e tão intensos.

Lembrei agora de uma conversa com uma mãe que frequentou a CineMaterna até o início deste ano. Ela tem dois filhos: uma de quatro e o pequeno atualmente com pouco mais de um. Ela e o marido decidiram parar em dois filhos e me contou nostálgica que a cada etapa de desenvolvimento do caçula, fica pensando: "é a última vez que vejo um filho meu aprender a sentar, é a última vez que vejo um filho meu começar a andar, é a última vez...". Segundo ela, é inevitável o sentimento paradoxal de felicidade pelo desenvolvimento e saudade daquela etapa vencida. Eu entendo... Será que a solução é não parar de ter filhos? Ui!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Mulheres, sem filhos

Cinco mulheres numa mesa de bar. Conversam, riem, nem olham para os lados. Umas bebem, outras ficam no refrigerante. Saem do bar quase à 1 da manhã, despedem-se prometendo mais encontros como aquele. Em comum, todas têm filho com menos de dois anos - que ficaram em casa.

Foi assim, ontem à noite, que fiz minha primeira "balada" sem filho. Eu já tinha saído várias vezes antes, mas sempre para um jantar com amigos, voltando cedo. Só mulheres, sem marido, sem filho, sem ter hora para voltar, foi a primeira vez.

Cada uma tinha sua história para contar com relação a esta saída:
- Teve marido que fez questionário completo: "onde você vai? com quem? que horas volta? vocês vão bebeeeeer????".
- Eu estava tão por fora que não sabia bem o quanto me arrumar. Lembrei de me maquiar e passar perfume, mas esqueci que podia ter colocado um sapato com salto! No que eu comentei isso, uma disse: "putz, perfume, esqueci!".
- Teve um marido que "não lembrou" que havia sido avisado do programa...
- Uma de nós convocou a mãe, além do marido, para garantir que conseguiria sair de casa.
- Outra chegou estranhando o tamanho minúsculo da bolsa e a ausência de uma sacola enorme com fraldas, brinquedos, comida e roupa.

Claro que o papo vira e mexe caía nos filhos. Mas conseguimos dar boas risadas lembrando do início dos relacionamentos, dos amores e desamores antigos, das transas, dos furos e foras, da vida que parece tão distante agora.

Valeu pela ideia, Marta! Chegar em casa fedendo a cigarro, quanto tempo!

Todos dizem que a vida muda depois dos filhos: as amizades, as conversas, as preocupações, os interesses. Sim, muda. Todas estas amigas surgiram em decorrência do Max ou da CineMaterna - que é decorrência dele também. É filho, lhe devo mais essa...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Novos holandeses

Conheci Tati no GAMA, onde ela tinha ido comprar um sling para sua filha. Nem lembro como engatamos um papo, mas falei a ela do cinema. Dali a dois dias, ela apareceu numa sessão de sábado, com a pequeníssima Julia, que era uma bebezica de um mês, magrinha e ainda vermelhinha. Virou fã, começou a frequentar às terças, além dos sábados. De repente, sua Julia cresceu, ficou enorme, linda, forte. Nem dava para lembrar aquele pitoquinho de alguns meses atrás.

Tati é casada com um holandês e além da Julia, tem um filho enorme de 12 anos (mas que parece ter mais de 15, vide a foto!). E a Holanda vai ficar com a Tati e sua família... O marido arrumou um emprego lá, depois de sair de onde trabalhava aqui. Ontem foi sua despedida. Ela comprou um bolo e trouxe para o café. Veio com o bolo, parou na mesa e começou a chorar, me deixando sem saber se a confortava ou se chorava. Na dúvida, fiz os dois.

Impossível não me envolver, me sentir triste nas despedidas ou feliz a cada conquista e desenvolvimento. É parte do trabalho e me considero sortuda por isso! Só ressinto porque não consigo mais acompanhar todas as histórias, em todos os lugares...

Tati, tot ziens (até logo, em holandês - santa internet!).

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Enxuta


A foto acima foi tirada na semana passada e mostra TODO o conteúdo da bolsa de uma das mães que veio à sessão, com seu bebê de menos de seis meses. A bolsa está à direita, pequenina, de colocar no ombro. E tinha tudo que era essencial: uma troca de roupa - incluindo meia, dois babadores, fralda, lenço umedecido, brinquedo, documentos, cartão de crédito, chave e até DOIS batons... Ficamos todas embasbacadas, olhando para aquela micro-bolsa em comparação com nossas mega-sacolas, em que só falta ter microondas para esquentar papinha. Aaaaahhhh!!!! O bebê ainda não come! Então é por isso que coube tudo na bolsinha. Hahahaha, até parece...

sábado, 20 de junho de 2009

Ser zen

Eu adoraria ser a pessoa mais zen do mundo e passar o dia observando cada movimento de desenvolvimento do meu pequeno, ao invés de fazer quinhentas coisas ao mesmo tempo, inclusive, contemplá-lo.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

É menino ou menina?



Entre os bebês na barriga da equipe CineMaterna temos um menino no Rio (da Renata B), uma menina em São Paulo (da Cinthia) e um bebê misterioso - da Alê, que não vai querer saber o sexo. Você aguentaria não saber o sexo? Eu adoraria ter uma gestação mantendo esta surpresa para o nascimento, mas acho que não conseguiria...

Vamos abrir uma bolsa de apostas pelo sexo do bebê da Alê? Eu acho que é menina. Olhem meu argumento: Renata B já tem uma menina, está grávida de um menino - casal. Cinthia tem um menino, vai ter uma menina - casal. Alê tem um menino, portanto, para ter casal também, vai ter menina! Que barriga pontuda ou arredondada, que nada! Meu método é muito melhor, hehehe.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Um filme por dia

Gilberto Dimenstein é jornalista, colunista na Folha de São Paulo e comentarista na rádio CBN. Dentro daquilo se intitula "jornalismo comunitário", Dimenstein fala de iniciativas comunitárias bacanas, cruzando temas como educação, inclusão social, iniciativas criativas, cidadania. Gosto muito do que escreve (inclusive, já falou sobre nós - o que é motivo de muito orgulho, hehehe).

Ontem, na Folha, ele comentou sobre um livro, O Clube do Filme (editora Intrínseca):

David Gilmour, crítico de cinema canadense, tem um filho (Jesse) que não queria ir para a escola, onde não aprendia nada e não lia nenhum livro. Relutante, concordou que o garoto não precisaria mais estudar e poderia acordar quando quisesse, mas com uma condição: deveria ver e debater com ele todos os dias pelo menos um filme. As obras permitiram que Jesse não apenas sofisticasse sua visão do mundo mas também se interessasse em aprender.
(confira aqui o artigo na íntegra)

Claro que fiquei muito interessada, tanto pelo conteúdo sobre os filmes, quanto pela proposta de educação de um filho. Assim que pude, corri para uma livraria e folheei o livro. Um trecho do texto da orelha do livro, frase do próprio autor, Gilmour, me tocou profundamente:

Lembro minha última entrevista com David Cronenberg, durante a qual comentei, com um pouco de melancolia, que educar filhos era uma sequência de despedidas, um adeus após o outro - às fraldas, aos agasalhos de neve, depois às próprias crianças. 'Eles passam a vida partindo', eu falei, e Cronenberg, que também tem filhos adultos, me interrompeu: 'Sim, mas será que eles realmente partem?' ".

Alguma dúvida de que eu comprei o livro?

sábado, 13 de junho de 2009

Desidratar

Adoro temporada de bons filmes. Estamos em uma agora, tenho vários títulos na lista. Ontem aproveitei que a babá estava com o Max e corri pro cinema.

Gosto muito de ver filmes japoneses. Acho que me aproxima das minhas raízes, entro em contato com a primeira língua que falei e que hoje, pouco pratico. Muita gente sente estranheza ao ver costumes, gestos e cultura tão diferentes, mas para mim, isso é o que fascina em assistir filmes chamados "alternativos": lembrar que o mundo e o ser humano tem muitas nuances e formas de encarar a vida.


A Partida. Daigo Kobayashi (Masahiro Motoki) é um devotado violoncelista de uma orquestra que está sendo desmantelada. Agora, ele procura por um novo emprego e decide mudar para sua cidade natal com sua esposa. Lá, ele consegue trabalho como um preparador de cadáveres para funerais e passa a refletir sobre a vida e a morte.

Um filme cujo tema principal é a morte, mas que não é pesado. Não é triste, pelo contrário, tem situações hilárias, sem resvalar para o humor negro. Difícil imaginar que se possa falar de morte - e sobretudo, mostrá-la - de forma natural e leve. O tema é abordado com beleza e respeito e toca nos pontos que afligem a humanidade de forma universal, quando esta se depara com a finitude. Tem sim, a tristeza da partida, mas acima de tudo, o filme celebra a vida, dos que vão e dos que ficam. A ponto de eu voltar para casa morrendo (metaforicamente) de saudade do pequeno. Quem assistir ao filme, vai entender a sensação.

Não sou de chorar em filme - e saí desidratada. Se passar na CineMaterna, vamos ter que distribuir lenços de papel na entrada e copos d'água na saída.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Filme doce

Hoje é feriado. Filho com os avós, vou com o marido ao cinema. 14h, primeira tentativa de filme, sessão já lotada. Mudança de planos, vamos assistir Caramelo.

Que grata surpresa!

Fiquei encantada com o filme, absolutamente feminino, doce e delicado. Filme sobre mulheres, dirigido por uma mulher. Aliás, uma mulher belíssima, como várias que aparecem no filme. É um filme que eu chamaria de "simples", sem trama rebuscada, mostrando histórias cotidianas, dramas e risos em uma sociedade que pouco conheço. Quando penso em Líbano, a primeira imagem que me vem à mente é a guerra. Sobre isso, Nadine Labaki, diretora e atriz principal do filme, comenta em uma entrevista:

É, acho que evitei esse tópico (a guerra), mas evitá-lo também foi um ato político. Primeiro, porque vivi a guerra por muito tempo. Então, queria falar sobre outras coisas, achei que seria mais interessante mostrar um outro lado do Líbano, que as pessoas e a mídia não conhecem. Não sei se tenho algo a acrescentar sobre a guerra. Ainda assim, acho que a política está em todo o filme, mesmo que ninguém fale diretamente sobre ela.

Foi nesta entrevista que descobri que as mulheres do filme não são atrizes, o que me faz admirar ainda mais o trabalho desta diretora.

Saí do cinema querendo escrever este post. É a minha forma de compartilhar a emoção deste dia frio.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Com ou sem?

A Élida é uma das bilheteiras do Espaço Unibanco da Rua Augusta. Ela aparenta ser brava, mas é só chegar perto e puxar uma prosa, que ela revela sua simpatia. Zela pelas mães e bebês que frequentam as sessões às terças em São Paulo. Tem dois filhos maiores e segundo ela, teria mais, se não fossem esses tempos difíceis.

Esta semana, pedi a ela que separasse na entrada os ingressos de mães que estivessem acompanhadas de bebês. Isso facilita nossa contagem de bebês presentes na sala. Quando percebi, ela tinha feito duas caixinhas, uma para os ingressos com bebês e outra para os sem. Ela fez as caixinhas, de dobradura. E colocou as "legendas".

Claro que eu tinha que escrever sobre isso! E no final, resolvi tirar uma foto dela com a Alexandra. E a legenda "serviu" para elas também!