terça-feira, 31 de março de 2009

Vínculo pai e filha

Hoje veio um pai com sua bebê de 10 meses, sem a mãe. Ele tinha vindo semana passada e ainda quer vir na próxima, sua última de férias. A mãe, que era assídua frequentadora na sua licença-maternidade, já voltou a trabalhar há um tempo. O incrível é que a bebê dorme durante o filme quando está com o pai, algo que ela já não fazia mais com a mãe.

É o máximo vê-lo na fila da bilheteria, no meio das mães, com a bebê no sling, carregador que foi comprado especialmente para ele e que estava sendo estreado hoje. Ele está feliz da vida, passando os dias com a filha, cuidando, brincando, alimentando, passeando, enfim, convivendo intensamente. Disse que tem sido ótimo, melhor do que viajar em férias. Fiquei emocionada quando ele comentou que o duro vai ser voltar a trabalhar, que ele está se sentindo como a esposa, quando terminou sua licença-maternidade. Isso é que é empatia...

Ai, mais uma das lindas histórias da CineMaterna.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Filme especial

O filme de amanhã é O Visitante, ou The Visitor, no original em inglês. Para mim é especial, por um motivo que não é relacionado ao filme em si. Este foi o filme que assisti na sessão Rattle & Reel, para mães com bebês, há quase um ano, quando fui a Nova York em férias. Eu já organizava as sessões por aqui e aproveitei para conhecer.

Eu tinha feito uma pesquisa pela internet e encontrei duas sessões em Nova York. Uma era às terças, às 11h, em uma grande rede de cinemas (Loews). Chegamos lá, meu marido, Max e eu, esperamos o cinema abrir... e descobrimos que o programa foi cancelado por falta de público. Decepção...

No dia seguinte, quarta-feira, teria o da Landmark e lá fomos nós novamente. Desta vez, o programa existia - e apareceram quatro mães, fora a gente. Sim, CineMaterna tem MUITO mais público que em Nova York! E isso é motivo de muito orgulho!

Aproveitando o post, vou colocar aqui uma foto que tirei de um cartaz sobre a classificação etária dos filmes, na entrada do cinema da Loews. Não teve sessão, mas pelo menos nos divertimos.


Tradução:
Atenção Pais
- G (livre): leve as crianças
- PG (sugestão de supervisão dos pais): conheça seus filhos
- PG 13 (supervisão dos pais recomendável para menores de 13 anos): veja com seus filhos
- R (recomendável supervisão para menores de 17 anos): pense antes de levar seus filhos
- NC-17 (não é permitido a menores de 17 anos): contrate uma babá


quinta-feira, 26 de março de 2009

Barriguda na equipe

Não, não sou eu. É só para contar uma história de sincronicidade.

A Alexandra me liga hoje e comenta que uma das coordenadoras de sessão de São Paulo provavelmente será a primeira grávida da equipe, que vai começar a tentar no próximo mês. Minutos depois, recebo um e-mail de uma coordenadora do Rio de Janeiro, dizendo que está grávida! Um a zero para as cariocas, hehehe! Parabéns, Renata B.! Vai ser o máximo ter uma barriguda nas sessões! Estamos garantindo o público para daqui a 9 meses! Hahaha.

terça-feira, 24 de março de 2009

CineMaterna de carteirinha mesmo!

Hoje tinha uma mãe comemorando que veio cinco meses à CineMaterna todas as terças, sem faltar, desde que a filha tinha dois meses. E o marido reclamando (de brincadeira) que está frustrado porque não consegue acompanhar o ritmo dela de atualização cultural, pedindo um CinePaterno!

Declaração da "nossa" jornalista

A Alexandra é a assessora de imprensa da CineMaterna. Começou o movimento junto comigo - seu filho Felipe é veterano de sessões, também com prazo expirado, como o meu.

Estava lendo seu release para esta semana e fiquei tão tocada com o texto, que resolvi postar aqui.

Quando as sessões amigáveis para mães acompanhas por seus bebês começou a acontecer nos cinemas em São Paulo parecia improvável que essa atividade passasse pelo crivo dos cinéfilos de plantão nas salas de cinema.

O programa caiu no gosto das mães, que sentiam falta de entretenimento em um momento tão delicado de suas vidas; os primeiros meses com seu bebê exige atenção total. A ida ao cinema traz benefícios claros para toda a família. A mãe, ao sair de casa para o cinema, sente que seu bebê é um fator de inclusão social e não algo que a mantém cativa em casa. A dinâmica mãe-bebê começa a ser construída, o tempo e humores distintos de ambos a serem compreendidos. O encontro com outras mães traz a troca saudável de experiências e a utilização dos espaços públicos contagia de leveza o ambiente. A dupla leva para casa uma experiência gratificante e chega em casa sempre trazendo novidades do passeio.


Quem já a viu ao vivo sabe que é com todo este carinho que ela fala da CineMaterna.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Prazo de validade vencido

Max, meu filho, faz 18 meses hoje. Ou seja, não é mais um bebê para a CineMaterna. Já faz tempo que ele não vai comigo em todas as sessões, já que eu tenho que trabalhar e com ele, fica difícil. Mas acho que a simbologia do meu bebê não estar mais dentro do perfil CineMaterna é que me faz pensar. Do lado pessoal, é constatar o crescimento do meu filho, da vida de alguém que outro dia, mal saía do meu colo. Do lado profissional, é como sentir que efetivamente, a iniciativa que começou como uma diversão, agora é trabalho. Verdade que já faz tempo que é trabalho, mas é como se agora virasse oficial. Não, não muda nada efetivamente, mas estou me sentindo como se a data de hoje fosse um rito de passagem solitário, sem cerimônia, mas simbolicamente forte. É a nossa passagem, minha e do Max, para outra fase.

Aliás, até quando vou chamá-lo de bebê? Ele está bem mais para um menino: fala sua língua especial, toda enrolada e deliciosa de ouvir, entende tudo o que falo, tem suas vontades, está espertíssimo. Só agora, sendo mãe, é que entendo que um filho é sempre um bebê que a gente quer amassar de tanto beijar.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Passando as fronteiras

Max e o Pão de Açúcar (parece nome de filme)

Agora não tem volta: vamos mesmo ao Rio de Janeiro. Enrolamos para sair de São Paulo pois estamos sem patrocinadores, mas não dava mais para adiar. Exatamente há um mês fomos à Cidade Maravilhosa fazer inspeção no cinema de lá (Unibanco Arteplex Botafogo) e selecionar coordenadoras para as sessões. Será nosso cinema mais completo: é bem localizado, tem acesso fácil por transporte público e de carro, todas as salas são excelentes, a programação é completa, o café fica no próprio local e é ótimo. Não falta nada...

Conhecer as mães cariocas que se dispuseram a trabalhar conosco foi especial: vidas tocadas pela maternidade, cada uma de um jeito, todas histórias muito emocionantes. O bom astral está garantido!

É incrível pensar que há um ano eu estava desesperada para ir ao cinema e agora, estou sempre dentro de um, e em breve, em mais de uma cidade.

Aninha e Max, com a Taís, voltando da Cidade Maravilhosa

Aliás, falando em ampliar fronteiras, ontem vieram duas francesas que estão fazendo uma pesquisa sobre cinema, em vários países. Elas ficaram encantadas com o que viram, vêm na sessão no sábado aprofundar sua pesquisa e nos convidaram a fazer sessões na França. Claro que o convite é brincadeira, mas via das dúvidas, vou aprender francês, hehehehe.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Inclusão "cinematográfica"

Outro dia, estava eu na bilheteria recebendo as mães, quando uma delas veio me contar que a babá da sua filha, que estava acompanhando-a naquela sessão, vinha a um cinema pela primeira vez. Não sei se a babá conseguiu assistir ao filme inteiro ou se teve que cuidar do bebê. Mas fiquei tocada só de pensar que aquela pessoa estava debutando diante da telona. Em tempos de pirataria de filmes e diminuição de público nos cinemas, fico comovida em saber que conseguimos andar na contramão, mesmo que seja em pequena escala.

Aliás, não era a primeira vez que isso acontecia. A Cida, babá da filha da Ana Lúcia, também nunca tinha ido ao cinema antes e ficou emocionada quando viu Mamma Mia!. Não conseguiu assistir inteiro, mas foi ao cinema depois e viu novamente.

E devem ter outras babás com história semelhante e a gente nem ficou sabendo.

Falando em inclusão, lembrei da cineasta Laís Bodansky, que tem um projeto chamado Cine Tela Brasil, que roda na periferia de cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, em locais sem cinema.

O Cine Tela Brasil consiste em uma grande tenda de 13m x 15m, onde são instaladas 225 cadeiras, equipamento profissional de projeção 35 mm, tela de 7m x 3m, som estéreo surround e ar condicionado. Toda a estrutura é montada e desmontada a cada visita, sendo transportada por um caminhão próprio, que durante as sessões transforma-se em cabine de projeção. As sessões contam sempre com a exibição de um filme brasileiro de longa-metragem.

Dá uma olhada no site do projeto e veja as fotos. É lindo demais...

sábado, 7 de março de 2009

Código de convivência em banner


Hoje estreamos um novo banner, com o código de convivência na sala. Ficou lindo, graças à diagramação da Maisa, que carinhosamente faz todos os nossos materiais. Um agradecimento especial à Irene (não eu), mãe da Ana Lúcia, que imprimiu para nós como cortesia da empresa em que trabalha. Ficou tão bom, que colocamos no site também!

E sabe que acho que funcionou? Mesmo com quase 200 "gentes" na sala, entre adultos e bebês, foi tranquilo.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Mensagem de uma CineMaterna

Coloco abaixo uma mensagem que recebi ao mesmo tempo que escrevi o último post, sobre a comemoração de 1 ano. A mensagem é da Marta e foi para a lista "Materna", onde surgiu a CineMaterna. Ela, que é mãe do Rodrigo, é do grupo das pioneiras da CineMaterna. Rodrigo, lindo, está com 17 meses, quase vencendo... snif...

Obrigada, Marta! Muito lindo e emocionante. Aliás, recebemos várias mensagens, publico esta simbolicamente. Obrigada a todos que escreveram!

hoje comemoramos 1 ano de cinema com bebês! foi uma delícia! não consigo separar a experiência de ser mãe e a invenção da maternidade a cada dia que fiz durante este um ano e as minhas idas ao cinema com essas mulheres maravilhosas. a materna, o cinema e a maternidade são coisas totalmente ligadas para mim e por isso já comecei a chorar no carro indo para o cinema e quase não consegui cantar parabéns... fico sempre emocionada quando penso numa sala de cinema cheia de mães, pais e bebês.
Irene, Alê, Taís e Ana Lúcia sabem que eu sou fã número 1 delas e do seu trabalho para que as mulheres possam desfrutar desta invenção que ultrapassa em muito a simples ida ao cinema. Lá conheci muitas mulheres, hoje minhas amigas, e a identificação é muito grande, difícil de encontrar em outros lugares que vamos por conta do nosso bebê grandão.
beijos enormes de parabéns para vocês e espero que vocês consigam por em prática todos os projetos CineMaterna,

marta bergamin
mãe do Rodrigo,
o maior bebê do filme de hoje

terça-feira, 3 de março de 2009

Comemoramos!


Depois de muito falar sobre o primeiro ano da CineMaterna, hoje comemoramos! Nós da equipe, juntamente com 80 adultos e 66 bebês. Teve bexiga decorando o cinema e jujuba na entrada. A Ana Lúcia simplesmente amou a cestinha que criamos e como boa relações-públicas que é, adorou distribuir o mimo.

Depois do filme, enquanto subiam os letreiros, eu estava do lado de fora da sala, instalando os trocadores para a última troca de fraldas dos bebês. Eis que ouço o parabéns sendo cantado lá dentro. Ai, como fiquei sem graça!

Na saída, alguns pingos d'água, mas São Pedro resolveu nos presentear e não choveu. Ajudei as pessoas a irem para o café e quando eu cheguei lá, um corredor de mães e bebês me direcionam para uma linda surpresa: dois bolos que ganhamos de presente. E mais um parabéns, eu mais sem graça ainda. Emocionada demais para fazer discurso, a Ana Lúcia me salvou e agradeceu em meu nome. Assim, de supetão, não deu para falar. As lágrimas lá, querendo sair.





No final, uma foto (abaixo) com as quatro pessoas que trabalharam na sessão, muito felizes: eu, Bia - com a Alice no colo, que veio na sua primeira sessão com um mês de vida, há quase um ano, Ana Lúcia e Alexandra. Faltou a Dilssa, que foi convocada de última hora e ajudou muito. Depois eu lembrei que ficou de fora desta foto a Marta, com seu filho Rodrigo, que também é da turma das pioneiras, ainda frequenta e veio hoje.


Ah, um agradecimento especial a algumas mães de "gerações anteriores" que vieram especialmente para o aniversário.

Estou contando isso para a Taís, que não pôde estar conosco hoje. Um beijo, Taís.

Não é tão simples assim...

Fazer CineMaterna envolve uma certa dose de adrenalina. Resolvi escrever porque acabo de passar por uma situação destas.

A enquete deste sábado incluía o grande ganhador do Oscar Quem Quer Ser Um Milionário?. Só que depois que coloquei na enquete, percebi que a cópia é digital e não em película, o que não permite passar o filme na sala que frequentamos, que é grande. Teríamos que usar uma sala menor, que provavelmente não caberia todo o público. O filme recebeu mais de dois terços dos votos, ainda mais depois do Oscar. Putz, e agora? Sala pequena e público grande, a equação não fecha. Não dá para mandar as pessoas para casa porque a sessão lotou. Toca eu a negociar com a rede de cinemas para conseguir duas salas. Mesmo assim, não era a melhor solução por causa da disposição das salas, que não é tão boa para os adultos que sentam no chão com seus bebês "sentantes" e "engatinhantes". Enquanto isso, fiquei torcendo para a distribuidora disponibilizar cópias em película - afinal, todo mundo quer ver, certo? Agora há pouco, recebi um e-mail curto e certeiro: "Teremos cópia. Os problemas acabaram...". Ufa! Viva! - foi a minha resposta. Parece um pequeno detalhe, mas teria um grande impacto na sessão, pois mudaria nossa logística.

Aí, eu lembrei da negociação da sessão extra que tivemos de Marley & Eu. Começou uma semana antes, com o quase empate entre este filme e Se Eu Fosse Você 2. Tentamos ter os dois filmes no mesmo sábado, mas não foi possível. Fizemos um teste e abrimos duas salas com Se Eu Fosse Você 2, pois não sabíamos quantas pessoas viriam e a enquete da primeira sessão de sábado de 2009 tinha sido recorde: recebeu mais de 200 votos. Ao longo da semana, recebemos vários e-mails pedindo para ver Marley & Eu. Resolvemos, então, ter uma sessão extra para este filme no sábado seguinte. Mas nada garantia que o filme ainda estaria em cartaz, que poderia ser deslocado para a "nossa sala", que encaixaria na grade horária do cinema. Espera, espera, o cinema tem que fazer toda a sua programação e encaixar nossa sessão. Dois dias depois, a notícia: conseguimos! Ficamos felizes que teríamos que trabalhar um sábado a mais em janeiro, hehehe. E foi muito gratificante, uma sessão lotada, com direito a fila se formando 10 minutos antes da sessão.

Este sábado, esperamos sala cheia novamente para podermos ficar felizes!