quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Trilha sonora

Comentário escrito por uma mãe do público:

Hoje, ao final da sessão, um senhor me disse que tinha adorado as duas trilhas sonoras: a do filme e a dos bebês. Achei bonitinho :)

Mãe desconectada

Como eu já disse, depois que a gente é mãe, parece que algumas conexões cerebrais se voltam tanto ao bebê, que outras sofrem "avarias". Em reunião com a Alê, Ana e Taís, cometi dois erros que não percebi na hora, e que provocaram boas risadas:

1) Ontem, comentando que um dos critérios que levam à classificação 18 anos em filmes é conter muitas palavras de baixo "escalão".

2) Hoje, eu dizia que determinado filme tem muitas piadas "impoliticamente corretas".

Eu não era assim...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Um cachorro encheu a sala

Os bastidores da CineMaterna têm histórias à parte. Quem vai a uma sessão não tem idéia do trabalho que dá gerenciar uma sessão em que vão 140 adultos e 67 bebês, como foi neste sábado. São 207 "gentes", numa sala cuja lotação é 234!

Neste sábado, o mais engraçado foi que as pessoas chegaram todas ao mesmo tempo, menos de 10 minutos antes da sessão. Tinha uma fila bem humorada, eu brinquei que aquela era a preferencial para mães e pais com bebês de colo. Para acomodar todos na sala, criamos um estacionamento de carrinhos - em determinado momento, virei "manobrista"; Taís e Ana Lúcia eram as "flanelinhas": ficaram de guardiãs dos carrinhos.

O filme era Marley & Eu, uma sessão extra a pedido do público. A negociação para conseguirmos esta sessão foi regada a adrenalina, pois precisávamos ver se encaixava na programação, se daria para projetar na "nossa" sala, se ainda estaria em cartaz, enfim, muitas dúvidas, mas deu tudo certo no final!

O filme é uma história bem família, com momentos cômicos e outros, emocionantes. A Alexandra, nossa assessora de imprensa, que já teve cachorro, saiu antes do final do filme aos prantos e ficou chorando por cinco minutos. Uma mãe também saiu porque não queria ver o final, já sabia o que iria acontecer. Ué, quer dizer que a sessão não foi legal? Pelo contrário, na saída, muitos rostos felizes. Para nós da CineMaterna, final feliz é ver os corredores do cinema ser invadido por mães, pais e bebês...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Instinto materno?

Sou uma pessoa muito racional. Normalmente, dou pouquíssimo espaço para a intuição. Depois de ter um filho, parece que venho tentando exercitar isso. Deve vir no "pacote instinto materno".

Aliás, no "pacote ser mãe", vem algo que podemos chamar de lapsos de memória: a gente esquece tudo, a memória já não é mais a mesma de antes. Acho que focamos na cria, e o que não é essencial, escapa. Muitas mães esquecem objetos dos bebês no cinema e no café. Eu costumo levar os objetos esquecidos comigo, viro um "achados e perdidos" ambulante. Mas normalmente fica entre as mil tralhas que carrego nas sessões e esqueço de procurar o dono. E as coisas ficam indo e vindo.

Nesta terça, eu estava no café, conversando com uma mãe, quando olhei para ela e perguntei o nome de seu bebê. Ela disse: "Mateus". Eu perguntei se ela tinha esquecido um paninho de boca bordado com este nome na semana anterior. Ela nem lembrava disso, mas quando fui buscar na minha sacola, ela descreveu o bordado e lembrou que realmente ele tinha sumido. Foi muita coincidência, pois nas últimas sessões vieram mais de 50 bebês em cada, muitos deles pela primeira vez. Como eu consegui lembrar do objeto esquecido, associá-lo àquela mãe e bebê, adivinhando que aquele era O Mateus é um mistério para mim...

Uma muçulmana e uma judia

Esta semana assistimos a Alguém que Me Ame de Verdade, a história de uma muçulmana e uma judia, jovens e professoras em uma escola no Brooklyn (NY), que ficam amigas. Têm em comum as religiões que pontuam suas vidas, com foco no casamento arranjado. O tema é bastante atual, agora que vemos o conflito aberto na Faixa de Gaza. Para mim foi surpreendente, leve, delicado, bem humorado. Conversei com várias pessoas depois do filme, para ver o que acharam. Opinião geral muito positiva. Uma pessoa comentou que o filme aborda o tema sem preconceitos, sem estereótipos. Eu diria também que é sem pesos nem medidas. O foco é exatamente na diversidade, tema que levou a Elly, uma CineMaterna que veio à sessão, comentar sobre o filme em seu blog. O que achei mais curioso é que ela viu o papel da diretora de uma forma muito diferente da que eu vi. Para mim, a diretora, apesar de ser invasiva e por vezes, indelicada, tem um papel importante para as amigas, de questionamento da ordem estabelecida. Acho que isso é o rico da discussão de um filme: as diferentes perspectivas e visões que cada um tem da mesma projeção...

domingo, 18 de janeiro de 2009

Botão invertido

Hoje fui ao cinema. Desta vez, para assistir um filme para mim. Vi O Curioso Caso de Benjamin Button. Infelizmente, não dá para colocar em uma sessão CineMaterna por ser muito longo, são quase três horas de filme. Uma pena, pois é um filme belíssimo, do qual saí bem leve, a despeito do tempo sentada.

Eu tinha assistido o trailer antes da estréia e estava reticente em ver o filme. Acabei indo porque o Christian Petermann, crítico de cinema que nos assessora, descreveu como sendo uma bela fábula. Saí pensando quais são os elementos do filme que o tornam encantador. O filme fala do efeito do tempo - inexorável - sobre todos nós. Lembrei muito do livro de Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray, não tanto pela história em si, que é bem diferente, mas pela ação do tempo de forma inusitada em uma pessoa. O tempo e suas consequências sobre nós: no amadurecimento, seu impacto em nosso físico, no amor, na amizade, na visão de mundo. Engraçado que o filme aborda uma região e uma época repletas de preconceito racial: o sul dos Estados Unidos, na primeira metade do século XX. Acho que aí está mais um elemento que reforça o caráter de fábula: ao mesmo tempo que o preconceito existe, é na sua superação - poesia do filme - que Benjamin progride. Mas Benjamin é branco. E se fosse negro? Em tempos de Barack Obama, a pergunta pode render uma longa discussão, hehehe.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Etiqueta-poema

Regras, regras... Quando vários seres humanos se juntam, algumas regras precisam ser estabelecidas para não virar bagunça. E uma sessão de cinema com bebês precisa de regras? É, precisa, não tem jeito.

Quebramos a cabeça pensando em uma forma simpática de expô-las e acabei fazendo um poeminha. Talvez não seja o máximo da poesia, mas fica mais simpático que ficar dizendo que "não pode" isso ou aquilo. E ao invés de chamar de regras, denominamos etiqueta ou código de convivência...

Se o bebê agitar
e não quiser o mamá
mamãe sai para tomar ar
e volta quando acalmar…

Desligar celular
Evitar falar
Não é demais lembrar.

É sempre de bom tom
Brinquedo sem luz e som.

Foto de recordação
Sem flash durante a sessão!

Papo de papais

Hoje teve sessão de Se Eu Fosse Você 2, a segunda exibição da semana, pois foi o mesmo filme da terça. No total, 250 adultos e 150 bebês assistiram este filme na CineMaterna.

Eu estava com minha câmera e registrei algumas cenas. Foi muito gratificante registrar dois pais com seus bebês no colo, esperando a sessão começar em frente a tela ainda apagada e ouvir de relance a conversa, que girava em torno do sono dos bebês na madrugada. Não são só as mães que trocam experiências. Os papais também!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Mulher-Aranha lanterninha

Na sessão passada, eu estava ajudando uma mãe a se localizar, iluminando o caminho com uma lanterna, pois o filme já tinha começado. Estava com o Max no colo, num sling, e lanterna em uma das mãos. Andei encostada à parede, para dar espaço para a mãe passar, pois estava com um carrinho. De repente, senti que fiquei presa à parede - sensação bem estranha - e meu cinto de utilidades, uma espécie de pochete, começou a cair enquanto eu tentava me locomover. Terminei de ajudar a mãe dali, grudada na parede. Toda atrapalhada, pois tinha só uma mão livre, coloquei-a para trás para ver o que tinha acontecido. O cinto é fechado atrás com dois velcros grandes e como está folgado em mim, fica uma parte para fora. A parede é forrada de carpete e o velcro do meu cinto me grudou na parede!

Cada uma que a gente passa no escuro do cinema... Mulher-Aranha, de costas!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Primeira do ano!


Primeira sessão do ano. Claro que tinha a expectativa de quantas pessoas viriam. É como ator em dia de estréia: será que o público vem prestigiar? Dá aquele frio na barriga, a sensação de estar no palco, olhando pela fresta da cortina enquanto o público se ajeita.

Ufa! Vieram! Mais de 120 adultos e 85 bebês. Será que alguém que nunca esteve em uma sala com esta descrição numérica sabe o que isso significa? Para mim e para a equipe, isso significa trabalho, muito trabalho. E emoção, muita emoção também.

O café estava bonito de se ver. Tirei uma foto aérea.

O filme? Mal assisti de tanto que andei na sala, verificando se estava tudo bem. Já que vai passar novamente na CineMaterna neste sábado, talvez eu consiga assistir. Ou quem sabe eu vejo as partes que não vi hoje e no final, saio com o filme inteiro na cabeça?