quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Eu, terrorista

Mais uma de minhas crônicas de voo...

Antes de ter um patrocinador fixo, algumas empresas marcavam presença na sessão de lançamento, que é sempre um evento muito especial. Para estes parceiros, fazíamos uma etiqueta grande, que colávamos no topo do nosso banner que fica no cinema. Depois do lançamento, o adesivo é retirado. Acontece que a cola do adesivo é muito forte e, ao ser retirado, ficava grudando e melecado. Eu sabia que água raz tira a cola dos adesivos, mas é muito fedido e eu não tinha em casa. Daí, pensei que qualquer substância com solvente deve tirar este tipo de cola. Ahá! Descobri que acetona tira cola.

Toda esta introdução para justificar minha versão "terrorista de voo".

Esta história aconteceu há algum tempo. Não contei antes com receio de ser presa, hehehe. Estávamos Alexandra e eu indo para um lançamento em uma determinada cidade. Chegamos atrasadas no aeroporto, acabamos pegando uma van para chegar no avião, que não estava em um finger. Aliviada por não termos perdido o voo, mostrei para a Alexandra o que eu estava levando na caixa que era a minha bagagem de mão, inocente e feliz: um frasco com um pouco de acetona. A Alê arregalou os olhos e imediatamente me dei conta da grave infração que estava cometendo: é absolutamente proibido em voo por ser inflamável! Joguei o frasco para dentro da caixa e começamos a rir nervosamente. Não quisemos arriscar de sermos vetadas do voo e ficamos caladas sobre nossa (minha) contravenção.

No meio da viagem, fiquei com frio e quis pegar meu casaco, que estava dentro da caixa, no compartimento superior de bagagens. Ao abrir a caixa, senti o cheiro: com a pressão, a acetona vazou do frasco. Coloquei o frasco num desses saquinhos de vômito que tem no avião, amarrei, joguei novamente dentro da caixa, a colocamos no compartimento de bagagem e fechamos rapidamente a porta. Vesti meu casaco e só então percebi que estava impregnado daquele cheiro forte. Não tinha como as pessoas em volta não perceberem, mas ninguém - felizmente - falou nada. E eu, zonza com o aroma.

Ao aterrissarmos, ríamos só de pensar no cheiro que iria empestear o ambiente ao abrirmos o compartimento de bagagem. Para nossa sorte, ninguém abriu, esperamos todos saírem e só então, tiramos a caixa e saímos correndo.

Até hoje, Alexandra, Taís e quem conhece esta história e meu passado de terrorista de bordo comenta e ri da minha brilhante ideia. Como se não tivessem muitas farmácias em qualquer cidade, sendo que todas vendem acetona, baratinho...

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