sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A relatividade do tempo

Na sessão de ontem, quinta-feira, uma mãe que veio à CineMaterna pela primeira vez, chegou apreensiva: me confessou que estava nervosa, não sabia como o filho de três meses se comportaria durante o filme, o que ela faria se ele chorasse. Eu lhe disse para ficar tranqüila, que tudo correria bem.

Na saída, ela estava toda sorridente, encantada; o bebê ficou muito bem. E ainda exclamou: "E pensar que em casa, o tempo não passa!... Aqui, voou!". É isso mesmo. Nada como relaxar!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Leonera: mãe-leoa

Ontem assistimos Leonera. Eu, particularmente, tinha muita curiosidade de ver o filme. Tentei ver antes da sessão na CineMaterna mas não consegui. Perguntei para o Christian Petermann, que é nosso crítico-assessor, se ele achava que dava e coloquei em enquete. Para minha supresa, o filme empatou com Um Beijo Roubado em primeiro lugar, ou seja, havia interesse em ver o filme, mesmo a sinopse começando com a frase: "Julia acorda em seu apartamento rodeada pelo sangue de Ramiro e Nahuel". Prisão, crime, nada fácil de ver. Mas se o público pediu e eu sabia que não tinha violência em excesso, vamos lá. Depois de ver o sucesso de Ensaio sobre a Cegueira nas nossas sessões, percebi que as mães não querem só comédias românticas.

Conversando com as mães que vieram à sessão, algumas comentaram que a gente sai do filme querendo agarrar, abraçar, beijar nossos filhos. Eu tinha lido que "leonera" é uma área de trânsito onde as prisioneiras aguardam, antes de deixar a carceragem, para dar depoimentos ou cumprir outras determinações da Justiça. Mas o título também refere-se a figura de uma mãe-leoa. Pablo Trapero, o diretor, comenta que o filme trata "a maternidade como algo imaculado, etéreo, mas também confuso e conflituoso". É, é assim mesmo...

Em resumo, sim, é um filme forte e pesado, especialmente para nós, mães. Mas é belo e vigoroso. E ainda saí com a música do Palavra Cantada (Ora Bolas - em espanhol) grudada na mente.

Será que somos todas leoas?

1000 bebês

Desde o lançamento oficial da CineMaterna, estamos na casa dos mil bebês que vieram às sessões. Puxa, é míni-ingresso à beça, contando que são quatro meses.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Reflexões a partir de um filme

Tivemos duas sessões de Vicky Cristina Barcelona, do Woody Allen. Uma sessão foi escolhida por mim (de terça) e a outra, ganhou enquete (de sábado). Ambas as sessões foram sucesso de público. Pode ter sido o Woody, que mesmo quando está "fraco", é sempre um Woody Allen, ou a temática, sobre o amor nesta sociedade contemporânea.


Eu adorei o filme. Penélope Cruz está estupendamente atacada. Mas uma das coisas que me deixou feliz foi ler as reflexões de uma mãe que veio no filme, com o marido e o filho de quatro meses:

Hoje fomos na CineMaterna assistir ao instigantíssimo filme do Woody Allen... Além de poder estar por dentro de um dos filmes mais comentados no momento (dá-lhe CineMaterna!!!), o programa foi perfeito pra gente. Saímos de lá e fomos almoçar conversando sobre o filme. Conversamos tanto como fazia tempo não rolava. Fizemos mil divagações, viajamos a partir do quadro triste que o filme pinta sobre as relações entre casais. (...) Enfim, acho que o Woody Allen provoca a gente colocando tão poucas opções de relações amorosas, todas necessariamente fracassadas. Acho que o problema todo está em o que desejamos, pois se não sabemos o que queremos, ou se queremos além do que podemos alcançar nessa vida curta, temos realmente chance de ficarmos como a Cristina, cronicamente insatisfeitas.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Relato de parto da CineMaterna

Aproveitando a "inauguração" do blog, resolvi postar o relato de parto, que foi escrito em 6 de agosto de 2008, um dia depois do lançamento da iniciativa para a cidade de SP.

Até hoje me lembro exatamente o momento da fecundação... Foi organizado em menos de uma semana e virou um evento em que vieram 12 mães e bebês. Logo de cara ganhou um nome perfeito: CineMaterna! Os sorrisos e agradecimentos das mães me diziam que aquela gestação era para valer...

A gestação foi acompanhada por poucos enjôos, que me faziam ficar cada vez mais agarrada àquele bebê na barriga: fomos barradas na entrada do cinema uma vez, o que me fez entrar em contato com o cinema para sermos reconhecidas; tive uma crise profissional e lamentei por que teria que largar a CineMaterna aos cuidados de outra pessoa. Uma voz poderosa me intimou a assumir aquele bebê, e outras vozes ecoaram e ressoaram no meu coração. Resolvi assumir que era mesmo a mãe, que aquele projeto precisava de mim. E quando eu assumo uma responsabilidade, sai da frente!


Era lindo exibir a barrigona de grávida: saímos em jornal, site, TV.
Há exatos 15 dias, acordei sentindo as Braxton-Hicks. Sabia que estava muito perto de parir. Marquei uma reunião urgente na rede de cinemas, passei o dia escrevendo um plano de parto e recebi o sinal mais forte: CineMaterna ganhou seu logotipo naquele dia. Era como ouvir seu batimento cardíaco: firme, forte, lindo! Ainda no mesmo dia, comecei a ser acompanhada pela primeira doula: Taís. A segunda doula chegou no dia seguinte: Alexandra. E não nos separamos mais.

Saí correndo para os últimos preparativos do parto: o site. E a equipe para o parto crescendo... As doulas trabalhando a todo vapor. Todo mundo na torcida, o chá de bebê com direito a muita fotografia uma semana antes. Um ritmo alucinante, já não dava mais para dormir direito, não tinha posição...


E aí chegou o dia P. As contrações estavam fortes e ritmadas desde a manhã de ontem. Muita ocitocina no ar. Claro que eu tive aquele medo básico de toda a grávida de não conseguir o sonhado parto. Fui retomando a confiança ao ver as pessoas chegando para o parto. O parto foi intensamente filmado, fotografado, registrado, não só pela imprensa, mas pela Materna Chica e o Paterno Guga (pai da Nina).
As doulas fizeram o parto junto comigo. E a CineMaterna nasceu calma, depois de 24 semanas de gestação, Apgar 10/10, na água (chovia forte lá fora). E eu chorei de emoção, na frente de 40 bebês e 60 adultos...


Alexandra, com Felipe, eu com Max e Taís, sem Aninha

Post 1 - o início de um blog

Este blog foi criado antes do início "oficial" da CineMaterna, quando ainda não era uma iniciativa aberta ao público de São Paulo. Quando começamos a ir ao cinema, no início de 2008, trocávamos e-mail para escolher o filme da semana. Éramos umas 10 mulheres, todas mães com bebês com menos de seis meses.

Quando aparecemos na mídia, a cada sessão vinha gente nova. E eu, anotando e-mails em pedaços de papel, nosso grupo virtual aumentando cada vez mais.

Mais e mais gente perguntava: "como fico sabendo qual o filme da semana", "como ajudo a divulgar"? Putz, e agora? A solução mais rápida foi abrir um blog. Dava até para fazer enquete para escolher filme!

Rapidamente percebemos que não dava para ficar somente num blog, pois precisaríamos ter um cadastro para divulgar a programação. O melhor era mesmo criar um site. Em um final de semana de muito trabalho, Vir Brandi criou o www.cinematerna.com.br. Ficou lindo! Tínhamos uma cara oficial, pois a Nádia Lemos, que hoje cuida do site, tinha dado de presente o logotipo da CineMaterna naquela semana.

Enfim, eis que chegamos a este momento, quando decidimos fazer deste blog, um blog de verdade.

E já que estou na "sessão nostalgia", lembrando da trajetória desde o início, eis uma foto da primeira CineMaterna, cuja semente surgiu de uma proposta da Luana Arnhold, batizado pela Elly Guevara e organizado por mim.