sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Território feminino

Há dois meses comentei que passamos por uma tormenta. Chacoalhou bastante, mas agora, o barco navega em águas tranquilas. Foi necessário recompor o time e restabelecer a energia, para retomarmos o rumo.

Precisamos completar o time para equilibrar o barco. Queríamos mulheres porretas, competentes, experientes e ainda por cima, mães e admiradoras do CineMaterna. E achamos, viu? As duas: a Edna Bossay e a Mirian Rodrigues.

A Edna veio cuidar dos patrocinadores e das ações promocionais. Já a Mirian é a responsável pelo atendimento aos shoppings apoiadores, que são mais de 100. Juntas, são responsáveis pela sustentabilidade econômica do CineMaterna.

Mais altas, a partir da esquerda: Edna e Juliana
Embaixo, a partir da esquerda: Irene, Tatiana, Marcela, Carol,
Gláucia, Mirian e Gisele

Parece que apenas levamos mães ao cinema, certo? Só que pra chegar nisso, tem um planejamento imenso, seguido de uma produção fina e concatenada. Imagine que cada sessão do CineMaterna tem ligadas a ela, um shopping, um cinema, uma enquete, divulgação, artes de promoção, materiais de reposição, duas voluntárias, seus pagamentos, ajustes técnicos e eventuais problemas e correções, recebimento pelo serviço (e pagamento de impostos), brindes, relatório. São mais de 100 dessas sessões a cada mês, Brasil afora. Só com um time fantástico para conseguir isso, não?

Então, além da Edna e da Mirian, temos a Carol Troque, nossa designer e responsável por logística, Gisele Silva no atendimento ao público, Gláucia Colebrusco na supervisão das voluntárias, Juliana Freire no financeiro, Marcela Santos, nossa "informática", que cria a automação dos processos e Tatiana Storni, na produção de atividades especiais. Sem contar nossa super equipe de 380 voluntárias (mães) em cada uma das 50 cidades, que fazem tudo acontecer. Nossa assessoria jurídica, de imprensa e de contabilidade também são domínio de mulheres (constatei isso somente agora, ao escrever este texto)! Ah, e eu fico na direção geral.

Sim, somos 400 mulheres que entendem de mães e trabalham para um início de maternidade com mais leveza e menos cobrança, porque vínculo e amor certamente contribuem para um mundo melhor.

Equipe unida, anda no elevador espremida

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Em ritmo de filhos

Li esta manhã a coluna do Ricardo Araújo Pereira na Folha de São Paulo intitulado "Ter ou não ter", referindo-se a filhos. O texto é fechado para assinantes, então vou escrever livremente os meus pensamentos, citando um ou outro trecho.

A reflexão do autor é sobre a decisão de ter filhos, que chega um ponto no casamento em que as pessoas escolhem um caminho a trilhar. Eu, por exemplo, passei parte da minha vida de casada achando que não teria filhos. Estava muito boa a vida a dois, consolidada por 10 anos, com boa renda, viagens, noites bem dormidas, idas a museus e restaurantes bacanas. Coincidência ou não, listei rapidamente os pontos que, para mim, foram fortemente abalados com a chegada dos filhos. Ah, só não se perde a ida ao cinema, até os 18 meses do bebê, pelo menos.

Mas o que é uma "vida boa"? O que é ter a existência "abalada"? Sem dúvida, ter filhos altera radicalmente a rotina. Mais ainda, ter filhos muda o que somos. Passamos a pensar no plural, refletimos mais sobre passado, presente e futuro, fazemos contas para ver se o dinheiro permite, tentamos pensar antes de falar e falhamos inúmeras vezes. Se você é mãe, some a estas mudanças o fato de se sentir culpada com muito, muito mais frequência.

Só que depois de ser mãe, sei que nada substitui ver os primeiros sorrisos, ouvir as gargalhadas, sentir os abraços, escutar as primeiras palavras e frases, acompanhadas das noites insones, das febres, dos dentes nascendo, da irritação com a bagunça infinita que se tornou sua vida.

Não sou melhor por ter filhos e não me vejo na posição de dizer para ninguém que "todo mundo pre-ci-sa passar por esta experiência". Isso não me tornou melhor nem pior, só me fez diferente do que eu era antes.

Ricardo Pereira constata que não há boa razão para se ter filhos. Não é porque dão alegria ou para dar sentido à vida. "Não sei por que tive filhas. E assim é que está certo. Elas não devem ter uma razão de ser, uma utilidade. Olhar para elas, vê-las crescer, é a única coisa a que eu tenho direito."

Nos primeiros dias de uma família com dois filhos

Há 10 anos tomei, com meu marido, a decisão de ter um filho. Não lembro bem como foi que decidimos, e talvez tenhamos acordado um dia com vontade de ter filhos, não duvido. Tivemos não apenas um, mas três anos depois, veio o segundo - outra nada fácil decisão de vida. Somos felizes, predominantemente, mas às vezes, queremos nos matar uns aos outros.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Pesadelo em pink

Quase todo dia tem uma sessão CineMaterna rolando em algum canto desse imenso Brasil. Tudo acontece por que temos as nossas pinks voluntárias que estão ali para zelar e cuidar das mães, da sala do cinema e dos padrões: ar condicionado mais brando, som baixo e luz levemente acesa. Repetimos esse padrão em todas as sessões, dia após dia. Dá trabalho! Um trabalho necessário.

Queremos que tudo aconteça sem solavancos. No entanto, não é raro termos surpresas desagradáveis, mesmo com tudo esquematizado. O som fica extremamente alto, a luz apaga totalmente. Nesse momento é um corre-corre de pinks que só os corredores do cinema veem: chama gerente; pede para baixar o som; para acender a luz; pede isso, pede aquilo!

Já passei algumas vezes por essa maratona e sei o quanto é aflitiva a espera até a solicitação ser atendida. São minutos que parecem horas.

Gláucia Colebrusco, que supervisiona as (400!) voluntárias no Brasil, recebeu um áudio com esta
história:

"Menina, esta noite eu tive um pesadelo com o CineMaterna. Sonhei que chegava atrasadona para uma sessão. Era uma sala gigantesca. A sessão já havia começado e estava todo mundo revoltado porque a sala estava completamente escura, além do filme travar diversas vezes. Nisso, todo mundo começou a deixar a sala e saí correndo atrás pedindo para a equipe do cinema acender a luz. Eu falava: "não é possível, é algo tão simples, só acender a luz!!!".  Sonho doido, eu desesperada. Pior é que acordei antes de solucionar o problema, hahahahahaha". 

Quem narrou foi a Renata Bougleux, voluntária carioca que está na equipe desde que CineMaterna iniciou no Rio, em 2009. É só um sonho, mas aposto que toda voluntária pink do CineMaterna identifica como pesadelo. A meta do CineMaterna é  proporcionar uma experiência acolhedora e agradável às famílias e para garantir isso, corremos, suamos e nos desdobramos. Até dormindo!

Renata e outras pinks cariocas,
em diversos momentos desde 2009

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Dormir, verbo imperativo

Você já deve ter observado um bebê adormecer. Não o bebê dormindo, mas o processo - frequentemente loooongo - de fechar os olhos e cair no sono. Para qualquer mãe e pai o sono arduamente conquistado é um alívio, um pouco de descanso, além de ser importante processo fisiológico para o bebê. Muitas, muitas, muitas vezes me peguei ansiosa para que meus filhos adormecessem e assim, ter um tempo para mim, além de um pouco de silêncio.

Se para nós, adultos, nem sempre é simples pegar no sono e muitas vezes necessitamos de rituais ou recursos como ler ou assistir TV, para os bebês não é diferente. 

Atualmente, observar a relação das mães com seus bebês faz parte da minha rotina. Agora que meus filhos estão maiores, consigo ter um olhar diferente, apaixonado, diria. Adoro observar os minutos que precedem o mergulho no sono, quando o bebê fica entre o pescar e a luta em se manter acordado. Fico enternecida em observar os pequenos códigos entre pais e bebês, como cantar baixinho no ouvido. Passar o dedo entre os olhos do bebê. Bebês que gostam de ser "embrulhados". Balançar, balançar, balançar para embalar. Aqueles que colocam a mão no peito ou na orelha da mãe (ou do pai, ou de quem for). Bebês que "falam" para dormir. Já vi bebê no colo que puxava o rosto da mãe e queria que ela esfregasse seu nariz no dele. Tem a naninha, clássica, entorpecente fascinante. Ah, claro, dormir no peito, ir fechando os olhos aos poucos, sugando. Ou o choro de cansaço até a exaustão - a deles e a nossa. Sem contar os casos cômicos daqueles que dormem comendo, pifam, não sem antes lutar contra o sono. 

Fazer bebê dormir, acalentando em pé:
recurso dos mais usados no CineMaterna 

É lindo ver os pequenos olhos fechando aos poucos, virando, abrindo novamente para, enfim, descansarem. Quanto mais ansiamos pelo sono deles, mais parece que esse abrir e fechar de olhos demora uma eternidade para chegar no estágio final. 

Taí mais uma característica da primeira infância que nem sempre é fácil de conviver e que, creia-me, um dia recordamos com saudade. 

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

#aliceaventureira

No meio da tarde, recebo uma foto de Fortaleza (CE), do CineMaterna no RioMar: uma mãe, Rafaela, vestindo uma camiseta com logotipo do CineMaterna, e sua filha, a fofíssima (e aventureira), Alice. Uma mãe que encomendou uma camiseta e um body para elas curtirem o CineMaterna juntas e "uniformizadas", não é para derreter de amor?

Rafaela e sua filha Alice,
que vestem a camisa do CineMaterna 

São as pequenas lindas surpresas do dia. Singelas, chegam discretamente e causam grande comoção na gente.

Por falar em carinho-supresa, tem uma história envolvendo a coordenadora de Fortaleza, Rejane Reis. Há alguns meses tivemos um lançamento na cidade e ela foi impedida de ir. Na véspera, soube que teria que cobrir uma colega no trabalho no dia do evento. Rejane chorou, literalmente. Ligou aos prantos para avisar que não conseguiria estar conosco.

Quando cheguei a Fortaleza, um dia antes do evento, entrei em contato com ela para pegar nossos equipamentos, que estavam em sua casa. Ela respondeu que levaria à noite, insisti que era meu trabalho fazer este transporte. No que recebo a resposta: "Irene, eu quero fazer pelo menos isso... Vou participar com o máximo que posso. Não poderei estar presente, mas meu coração estará lá". E mandou a foto abaixo, demonstrando a tristeza de não estar no lançamento.

Rejane, coordenadora
CineMaterna de Fortaleza

É um amor que vem de todos os lados. Neste caso específico, lá do nordeste. Vem com a brisa morna do mar, aquecer o coração.

sábado, 2 de setembro de 2017

Como nós

Acabei de assistir a Como Nossos Pais. O desejo de ver o filme estava represado desde que, em um CineMaterna, estava distraída no início da sessão e, ao virar-me para a tela, vi a escola de meus filhos, enorme. Era o trailer deste filme. Não, esse não era o principal motivo da minha vontade de assistir, mas sim, que é um filme de Laís Bodanzky, uma das minhas diretoras preferidas, de quem já comentei outro filme (em 2010!) e acompanhei toda a filmografia. 

Assisti ao filme querendo gravar na mente as tantas cenas que me fizeram pensar, as que me emocionaram, aquelas com as quais me identifiquei e nas quais sorri. A fotografia é belíssima, te coloca dentro do filme, ao lado dos personagens, num jogo de foco e desfoco encantador.

Busquei na bolsa um papel e caneta para anotar os pensamentos, no escuro. Já que não tinha nenhum recurso, cheguei em casa e escrevi umas palavras. Ia comentar sobre o filme, mas aí, olhei para as palavras que listei e achei que ficou poético. Não sou crítica de cinema, minha intenção é apenas dividir minhas impressões. Acho que estas palavras soltas alcançam o objetivo, então, deixo assim.

sentir-se normal, identificar-se, perdoar-se
casamento depois dos filhos
relacionamentos familiares
crises pessoais, profissionais e tudo junto misturado
ter mãe, ser mãe
ter filhos, ser filha
a escola é um personagem
rotina
bodanzky
quase um filme argentino
narrativa simples, o cotidiano
filhos crescem e são para sempre
o all star azul
romance e realidade
são paulo
a hora de dormir
as disputas com outros egos
com o pai é diferente
entender-se, enxergar-se, envergonhar-se, reconhecer-se

domingo, 27 de agosto de 2017

Em mares mais calmos

Este blog ficou sem atividade por quase quatro (!) meses. Foi o tempo necessário para acomodar mudanças significativas na Associação CineMaterna, a ONG que organiza as sessões de cinema amigáveis para mães com bebês. Inicialmente, houve um conflito profissional, meu, mas que afetaria a entidade: era (eu) parar e largar ou (eu, de novo) assumir e evoluir. Acredito que crises nos fazem refletir para elaborar e encontrar soluções. Também podem nos congelar, mas não havia tempo para lamentações.

Foi necessário reafirmar o motivo da existência do CineMaterna, compreender o que move a iniciativa, esclarecer meu papel como dirigente, entender como cada espaço, cada pessoa, cada contribuição funciona. O processo exigiu cada minuto de meu dia. Um time de profissionais fabulosas me apoiou e compreendeu que a tempestade iria passar e navegaríamos por mares mais serenos, mas que precisávamos nos manter unidas para que as mães e nossos parceiros não fossem afetados. Foram meses de tensão, excesso de trabalho e pouca atenção à família. Fiquei doente, mas não podia parar. Nenhuma dúvida de que o corpo estava sinalizando a crise, além da manifestação da mente, que teve um ataque de pânico.

Sessão de lançamento que aconteceu em Fortaleza (CE),
bem no meio da crise

Mudamos, renascemos, crescemos, e principalmente, estamos mais fortes. Neste meio tempo, as mães continuaram sendo acolhidas, eventuais problemas foram sendo abordados e devidamente solucionados. Muito trabalho sendo tocado, com amor.

Você nem percebeu que algo passou? Que bom, esse era o plano. Resolvermos nossos contratempos nos bastidores para que o CineMaterna continuasse sendo um espaço especial e cuidadoso para as mães recém-nascidas.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Coração de voluntária pink

Se você for a uma sessão CineMaterna, será recebida por voluntárias de camiseta cor-de-rosa, carinhosamente apelidadas de PINKs. A maternidade é pré-requisito para fazer parte da equipe, pois entendemos que ter empatia com as mães recém-nascidas é fundamental para o acolhimento. Se for uma sessão mais movimentada, talvez você não cruze imediatamente com uma pink, mas tenha certeza que estão mobilizadas para proporcionar a melhor experiência para as famílias: ajeitando a sala, acertando os detalhes na bilheteria, organizando o estacionamento de carrinhos ou ajustando o som e luz junto à equipe do cinema. Nem sempre é uma tarefa fácil, às vezes esbarram em dificuldades técnicas. O importante é que, resolvidos os detalhes operacionais, a essência do CineMaterna está lá, seja um olhar, uma palavra ou um gesto de carinhoso para as famílias.

Temos um grupo fechado de Facebook para as 360 voluntárias do CineMaterna. Lá compartilhamos experiências, damos recados, fazemos pesquisa, vemos fotos das sessões pelo Brasil afora. Hoje fui postar um álbum de fotos de um lançamento e me deparei com uma surpresa: o depoimento da Derli Rezende, avó (e mãe, claro), carioca, que promove o amor pink em sessões na zona sul do Rio.

Derli no Natal, quando Papai Noel 
visitou o CineMaterna
O trabalho voluntário é algo muito gratificante, principalmente quando você abraça o projeto. Isso aconteceu comigo. 

Conheci o CineMaterna através da minha filha Débora Rezende que me convidou ir ao cinema com meu netinho de dois meses. Fiquei encantada​!!! Enviei meus contatos para a Gláucia Colebrusco e, pra minha alegria, veio o convite para que eu participasse deste grupo maravilhoso. E lá se vão quase quatro anos.

Hoje sou Pink Master [coordenadora de equipe] em três cinemas e Pink em mais dois, todos no Rio de Janeiro (Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca) e se houve outros cinemas nesta região, estaria junto também.

Minha alegria é tamanha, que de tanto eu falar do projeto, influenciei minha amiga Nina Bastos, hoje uma verdadeira PINK, e que, assim como eu, abraçou de coração esse projeto maravilhoso. 

Obrigada Débora, Gláucia, Irene Nagashima e toda equipe, minhas Pinks Master Renata Bougleux e Kivia Correia, por todo carinho e atenção.

Do fundo do coração, obrigada, muito obrigada mesmo. Amo vocês. Amo CineMaterna. Amo ser PINK.

Nina com o banner do CineMaterna 
Amigas em momento selfie - e pink

E pensar que quando o CineMaterna nasceu, há nove anos, não tínhamos a menor noção que a iniciativa transbordaria amor na cor pink. 

terça-feira, 4 de abril de 2017

Morfar* pra Rosa!

Essas fotos são da Simone Novato, fotógrafa parceira, praticamente "de casa". Foi após um lançamento em São Bernardo do Campo, SP, onde recebemos 500 pessoas. Exaustas? Sim. Mas ainda dispostas para uma brincadeira, com direito a poses, caras e bocas - e participação especial da Power Ranger cor-de-rosa, nossa mais nova amiga.

(*) "Morfar" é se transformar em Power Ranger.





sexta-feira, 3 de março de 2017

Saudade de imagens

Fazia mais de dois meses que não havia lançamento de um CineMaterna em um novo cinema por conta do recesso de final de ano. Quando recomeça a "temporada" de lançamentos, chego ao primeiro evento com muita vontade de fotografar. A nostalgia não é apenas do ato de registrar as imagens (fotógrafos entenderão o que é esta saudade). Sinto falta do momento em que vou tratar as fotos e me deparo com as cenas do que é o CineMaterna. Veja se não é para sentir saudade:

Mãe pedindo informação
Muitas pinks para recepcionar as famílias
Carinho da Bete Sozza (de camiseta preta),
fotógrafa do evento, com Gláucia Colebrusco
Comissão de boas vindas
Bochecha amassada (tem coisa melhor?)
Selfie com bebê no cinema
Mal andam e já se abraçam 
Sorriso banguela cativante 
Amigonas e amiguinhos
Mãe com bebezica
Sala lotada
Estacionamento de carrinhos
Ah, esses sorrisos!
Soneca no colo
Exploradora de sala de cinema - ou ginástica para mães
Os sorrisos e o colo aconchegante
A doçura do olhar para a câmera enquanto a mãe assiste ao filme
Pinks entretidas
Risada durante o filme...
... garantindo a alegria familiar na saída
Final feliz, não acha?

Veja o álbum completo AQUI

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

E como foi para você?

Ir ao CineMaterna com um bebê com um ano não é para fracas. São bebês mais ativos, dormem menos, ficam mais atentos aos inúmeros estímulos que uma sala de cinema repleta de "amigos" proporciona. Por isso, o depoimento tão bem humorado da Thalita Rigonatto, de Campo Grande (MS), mãe do Enrico, de quase 5 anos e da Clara, quase 1, me chamou a atenção.

Meu primeiro CineMaterna 🎞

Estava me programando para ir ao CineMaterna e quase desisti. Mas pensei melhor e fui por três motivos:

1️⃣ Desde que o Enrico era bebê que eu tenho vontade de ir no CineMaterna e onde eu morava não tinha.

2️⃣ Aqui só acontece uma vez por mês. 

3️⃣ Era minha única chance de assistir La La Land antes do Oscar e não dar uma de Glória Pires. Então lá fui eu! 

Reprodução do Instagram de
Thalita Rigonatto,
com autorização
Clara chegou no shopping dormindo e eu fiquei felizona achando que ela só ia acordar lá do meio pro fim do filme. Haha! Ela acordou cinco minutos depois dessa foto, enquanto eu comprava pipoca. Esse, à propósito, foi o momento mais agitado da tarde. Deixei a pipoca no balcão enquanto fui acomodar minha bebida no suporte do carrinho (de bebê), a pipoca virou, caiu no balcão, no chão, atrasando a fila que já estava enrolada. O atendente, muito atencioso me serviu mais. Quando eu fui pegar novamente, dona Clareta começou escalar o carrinho (com intuito de alcançar meu colo), que já estava sustentando a bolsa na mesma extremidade, resultado: carrinho virou com Clara e tudo! Só me deu tempo de segurar a cabeça dela, posicionar meu joelho embaixo do carrinho (onde ganhei uma bela mancha roxa!) para amortecer o impacto (nem sei se foi intencional, mas funcionou) e gritar socorro enquanto esparramava mais pipoca por toda parte. Pela graça de Deus vivemos em tempos de sororidade, as outras mães vieram ao meu resgate, seguraram minha filha e limparam o meu carrinho. Quanta gente fofa! 

Durante o filme foi tranquilo! Uma troca de fralda, duas corridas atrás de uma engatinhante fugitiva, inúmeras tentativas de comer pipoca do chão, tranquilão...😆 

Clara não chorou nenhuma vez, apesar de ter resmungado um pouco quando o sono bateu. Mamou bastante. No início ficou no colo, de boa. Enquanto eu comia uma pipoca ela jogava duas no chão e se lambuzava de manteiga. Que beleza! 👌🏽 Depois que descobriu o chão, eu só precisava ficar de olho para onde ela ia (quis ir lá assanhar um bebê bem novinho que estava na boa no colo da mãe dele) e se tentava colocar algo na boca (tipo todas as 456 pipocas que ela mesma jogou no chão). Mas juro que deu pra assistir o filme numa boa. Sentamos na fila preferencial, onde tinha bastante espaço para engatinhar e a grade da rampa para ela se segurar e andar de ladinho. Ela curtiu! 

Como eu já havia lido, o CineMaterna é super organizado! Os carrinhos ficam estacionados no corredor de entrada na sala, próximos a um trocador duplo. Nele havia lencinho, fraldas de vários tamanhos, pomada e, é claro, uma lanterna! 😆 Super útil! Usei para conferir o bumbum da Clara. 

Ganhamos uma lembrancinha Natura Mamãe e Bebê, que apóia o evento desde 2009. E tinha uma fotógrafa oficial, tem em todas as sessões, rende fotos fofas demais (olhem na página do CineMaterna no Facebook)!! O ar condicionado fica mais fraco (adorei essa parte, sempre passo frio no cinema), as luzes não ficam totalmente apagadas e o som é um pouco mais baixo. Tudo muito confortável, tranquilo e gostoso. Em nenhum momento me senti numa sessão 'menos divertida' ou sem o clima de cinema. Nem os eventuais choros atrapalharam. 

E La La Land foi simplesmente delicioso de assistir! ❤️ Com certeza estarei presente nas próximas sessões. Porém, tenho alguns lembretes para mim mesma, nas próximas vezes. São eles:

- Ir de barriga cheia e deixar a pipoca para sessões normais;
- Se a vontade de comer pipoca for grande, que seja sem manteiga;
- Clara deve ser presa no cinto do carrinho e só pode ser solta dentro da sala, com carrinho estacionado!! Já ajuda!

Thalita, obrigada por nos autorizar a compartilhar seu depoimento e pelas palavras de carinho aqui dedicadas.

E você, tem uma história emocionante, ou hilária, ou surpreendente ou tudo-isso-junto? Compartilhe conosco escrevendo para depoimento@cinematerna.org.br e anexe uma foto. Queremos conhecer sua experiência também. ;)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A contradição em pessoa

"Foram três dias em que meu filho chorou quando o deixei na creche. Grudou em meu pescoço e berrou. Foi duro, mas as cuidadoras disseram que ele ficava bem depois. Hoje, ele simplesmente se despediu e entrou feliz. E eu fiquei arrasada".

Ouvi esta história enquanto estava na sala de espera de um consultório. E tenho certeza que você já ouviu algo similar ou mesmo, passou por isso. Para mim, essa é uma alegoria da maternidade.

Sabe quando o bebê está naquela fase grude, em que não pode perder a mãe de vista que abre o berreiro? Ou filho um pouco maior que fala "mãe, mãe, mãe, mãe, mãe, mãe", o dia inteiro? São momentos cansativos, que deixam as mães exauridas, ansiando (desesperadamente) por algumas horas de tranquilidade.

Ouvir filho chorar parte o coração de qualquer mãe. Não importa a situação, não importa a idade da criança, estraçalha a gente por dentro. Mas quando os filhos começam a ficar emocionalmente independentes, viram as costas e seguem felizes com outra pessoa, sem choro, ficamos... desapontadas? magoadas? tristes? um misto destas sensações? 

É lugar comum falar que a maternidade envolve sentimentos contraditórios: o cansaço e o amor intenso, a impaciência e o arrependimento, a ânsia por um beijo e o fastio do grude. E a saudade que bate quando finalmente temos umas horas para nós? 

Conclusão: sou bem ordinária em meus sentimentos como mãe. Encontrei foto minha de seis anos atrás, fotografando no CineMaterna com o Eric, meu caçula, a tiracolo no wrap. Foram seis meses de labuta conjunta e ao final, estava bem cansada. Mas decidir que a dupla estava encerrada e que ele não trabalharia nem viajaria mais comigo foi uma definição tão, tão difícil!

Foto: Karin Michels